sexta-feira, 30 de outubro de 2009

CAMALEOA

              Já disse e repito que sou camaleoa. Adapto-me, identifico-me, faço-me passar por, enfim, só não em transformo em mau caráter ou falsa, pecados que não tolero.

              Não me diminuo ou me enalteço por pouca coisa, tendo a dimensão exata da minha insignificância, o que não me impede de considerar muita gente como ainda mais insignificante do que eu.

             Até que nem lia meu blog anda reclamando, dizendo que escrevo pouco e ainda tenho a cara-de-pau de ficar cobrando comentários dos leitores.

             Pois é, meus leitores de verdade sabem o que representa para mim escrever e que, se não o estou fazendo com a assiduidade costumeira, é porque minha vida anda mesmo assoberbada e de cabeça para baixo.

           Não sou vovó de novela, ou de cartão postal. Sou vovó de dez horas por dia de presença e cuidados e, no último mês, dia e noite amparando um anjinho cuja mãe está hospitalizada e o pai correndo em várias frentes.

          Se acho ruim? De jeito nenhum! Cansar cansa, e muito! Principalmente pela ciumeira de ambos em relação a esta vovó contadora de histórias, educadora e onipresente.

           Até minha Pitty resolveu colaborar e ter uma conjuntivite da poeira da obra ao lado! Quem cuida dela? Eu, é claro!

          Não me acho sobrecarregada, tampouco infeliz. Há muita gente passando por coisas bem piores na vida.

          Só quero justificar aos meus queridos leitores que, por enquanto, ainda há um vulcão em erupção constante na minha cabeça e que tenho anotado os temas que me ocorrem para depois desenvolvê-los como vocês merecem, com o cuidado e a dedicação necessários.

         Vou viajar uma pouquinho, levando desde a mãe de noventa anos até a netinha de 1 aninho e todos os filhos. Vamos antecipar a comemoração do meu aniversário numa estação de águas e tudo correrá muito bem, se Deus quiser!

       Só por isso tenho escrito menos e ficarei uns dias sem escrever.

       Aproveitem para me ler! Tem muitos textos no blog.

       Abração!

terça-feira, 27 de outubro de 2009

CRÍTICAS VALIOSAS

              O que seria do escritor, do artista sem as críticas?
              Claro que existem as críticas que nos aprimoram e as que nos arrasam, as que nos incentivam e as que nos detonam, todavia nada é pior e menos produtivo que a indiferença.
               Tenho leitores que só lêem meus textos quando enviados ao seu e-mail, outros que só chegam até aqui quando forneço a barrinha de endereço e muitos deles só aceitam fazer algum comentário diretamente ao meu e-mail.
                Não vou questionar suas razões, digo sempre que o importante é ser lida.
               Acontece que não posso privar meus leitores de críticas como esta, que recebi de uma amiga poeta e escritora, que prefere ficar no anonimato.  
                Os comentários se referem aos meus dois contos classificados em concurso: "A Infiel" e "Sempre às Quartas".
                 Diz ela:                 
Aqueles textos provocaram uma efervescência aqui dentro.
Os textos mostram nuances da vida feminina, muito diferente da masculina. Talvez inconciliáveis.
Comecei pela infiel.

Uma história já conhecida, meio batida. Lugar comum.

Quando leio um texto assim, vou logo ao final. Sei que o autor vai acabar concluindo que a pessoa estava sonhando, ou que era só imaginação, ou o protagonista muda radicalmente de idéia etc. Então, sabendo o final, vou ver o desenvolvimento. Geralmente concluo que é enrolação pura. E páro no meio.

A Infiel não me deixou fazer isso. Cada nova frase, cada nova palavra tinha um efeito eletrizante sobre mim. Nada era lugar-comum; nada era óbvio; nada tinha sido lido (nem imaginado) antes.

A criatividade e a riqueza de detalhes eram fascinantes. (Toda hora dava vontade de me perguntar se era criatividade mesmo, ou se seriam relatos jornalísticos de uma mulher sensível e experiente. Mas o texto não deixava. A minha entrega era total). Quando cheguei lá pela metade, já não queria mais saber do final (talvez não quisesse mesmo em nenhum momento. Só queria entrar na vida daquela mulher, acompanhar nos mínimos detalhes a sua vida.

Quando cheguei ao final, já não queria saber de mais nada. Estava naquele clima de "Já ganhou; já ganhou!"

Mas, mesmo assim, na hora eu gostei dele. Quando reli, gostei muito mais.

Alguns dias depois da primeira leitura, comecei a desconfiar que, se lesse primeiro "Sempre às Quartas", de coração bem frio, talvez eu o enquadrasse naquele lugar comum. Aquele final tem um toque de enrolação. Teria a autora tentado insinuar que tudo foi um sonho? Que não aconteceu nada daquilo? Quer eram meras conjecturas, possibilidades de desenvolvimento de um caso amoroso que estava para começar?
A criatividade da história, e os detalhes do enredo, mexeram bem fundo, mas bem fundo mesmo no meu coração. Têm um gostinho de Rio. Rola um tiroteio legal...

Obrigada pelos belíssimos presentes.

                Claro que fiquei "babando". Compensou os tantos comentários que ficaram só na cabeça dos leitores, né?!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

MUNDOS PARALELOS

              Mundo, mundo, vasto mundo... Drummond sabia do que falava, eu também.
              Se há uma coisa que ainda me surpreende a partir da tal globalização é ver como existe gente diferente na Terra! Isso que sempre fui uma leitora voraz e meu horizonte não era dos menores, mesmo assim fico perplexa ao ver na TV, principalmente em canais de viagens, gente de tudo quanto é tipo, com costumes até bárbaros para nós, coexistindo num planeta em que até pessoas do mesmo país se estranham.

             Cada vez que aqueles helicópteros sobrevoam as favelas do Rio de Janeiro, custo a crer numa salvação possível para o restante da população, caso as favelas se rebelassem e caso só morassem bandidos e traficantes por lá. É muita gente! E todos assistindo novelas, com aquele luxo desmedido, aqueles cafés da manhã repletos de iguarias, aquelas casas fenomenais! Será que eles se conformam, que pensam em estudar e trabalhar muito para conseguir tal padrão de vida (coitados, como se trabalho enriquecesse alguém), ou se enfurecem, se armam e descem os morros para assaltar?

              De um lado os magnatas, com suas mordomias, seus supérfluos, sua empáfia. De outro os miseráveis, vivendo (ou sobrevivendo) com quase nada, levantando de madrugada, pegando trens e indo para o trabalho onde o que ganham mal dá para comer uma vez ao dia.

             Esses mundos paralelos andam lado a lado, sem convergência possível, separados pela pobre classe média, cada vez mais espremida e explorada, nivelada por baixo, sentindo claramente na pele como se desce na vida.

             Pior é que isso acontece pelo mundo afora, às vezes até com mais crueldade do que aqui.

            Terá solução? Ou continuará gerando violência, assaltos, homicídios, rebeliões?

            Eu quero uma casa no campo... urgentemente!

domingo, 25 de outubro de 2009

SÍNDROME PRÉ-NATALÍCIA

             Nutro sentimentos ambíguos pelo dia do meu aniversário. E isso nada tem a ver com a idade, sempre foi assim.
             Olho com fascínio para o mês de novembro na folhinha e com carinho para o dia 9, no entanto, os sentimentos se misturam e não são só festivos.

             Um parágrafo no romance que estou lendo (“Paixão Índia”, de Javier Moro) me fez pensar. Diz assim: “Por acaso já me apaixonei alguma vez na vida? Uma coisa é amar o rajá, e outra é ter se apaixonado por ele. E sabe que no seu caso não houve amor à primeira vista. Nunca conhecera esta paixão capaz de sacudir os alicerces da pessoa, essa sensação de loucura que as canções andaluzas tão bem descrevem... É possível viver uma vida inteira sem ser triturado pelo amor, nem que seja uma vez? Sem se deixar arrastar pelo arrebatamento?”

               Será que as pessoas perdem, com o tempo, a capacidade de se apaixonar? Ou alguns passam pela vida sem conhecer esta sensação, incapazes de senti-la? Será que os velhinhos e velhinhas também são capazes de sentir uma paixão avassaladora ou será tudo “morno” para sempre a partir da tal “terceira idade”?

               Em que medida a maturidade significa insensibilidade? Ou, melhor dizendo, o único grande sentimento que se mantém intacto será a dor da perda?

               Que graça tem?!

               Com o passar dos aniversários, ao invés de rebeldes, livres, afoitos, corremos o risco de passarmos por esclerosados, dependendo dos arroubos que tivermos.
                Estou exagerando? Tomara!
                Mas não sei não...
                Às vezes sinto uma saudade irreversível de mim, com todos os meus erros e acertos, mas um mar revolto, com espumas densas e salgadas de sentimentos e um coração sempre transbordante, cheirando a cravo e jasmim.
                Hoje sou mais baía, praia sem ondas, espelho d’água.
                Sem graça...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

TORTURADORES DA SAÚDE

               Você tem ido ao médico ou ao dentista nos últimos tempos? Com profissionais novos ou velhos? Ainda tem o “médico da família”? Que maravilha!
                 Desconheço o nome do método e de seu criador, mas às vezes fico curiosa para saber quem e em que momento decidiu que o paciente “tem o direito” de saber, minuciosamente, tudo o que se passa com ele. Em resumo, ele deve ser comunicado da gravidade de seu caso e de todos os procedimentos dolorosos pelos quais passará, bem como da pouca expectativa de sucesso, isso tudo sem a menor simpatia, sem um sorriso condescendente, sem sombra de otimismo. E ainda cobram (caro!) por tais barbáries.

                 Será que estudaram na escola de Josef Mengele? Então alguém pode querer saber em detalhes tudo de ruim que se passa com sua saúde, mesmo nos casos em que não há mais salvação? Saber pra quê? Pra preparar o testamento, para escolher o caixão, para chorar mais tempo? Não seria muito mais humano e mais piedoso um pouco de esperança, de mentiras doces, de otimismo, mesmo forçado? Acho uma crueldade imensa esta tal “sinceridade” dos médicos. As pessoas morriam muito mais dignamente quando desconheciam seu mal e seus prognósticos.

              Quer ver os radiologistas, passeando com o ultrassom pela gente, vasculhando tudo, procurando em todos os cantinhos e anunciando tudo de ruim que vão encontrando pelo caminho, até aquilo sobre o qual ainda têm dúvidas. Uma verdadeira sessão de tortura emocional! Naquela posição de “reféns” de suas “descobertas” não deveríamos ser obrigados a ouvi-las relatadas, poder-se-ia ficar quieto ou conversar sobre outras coisas.

              Os dentistas seguem a mesma linha. Mantendo-nos anestesiados e de boca aberta, muitas vezes ainda nos fazem perguntas que, obviamente, só responderemos com um “hum-hum”. Depois anunciam cada material que irão utilizar, cada broca, cada bisturi, cada serra, cada osso, cada ponto, como se estivéssemos muito à vontade tomando um chope com eles, ou ouvindo uma palestra.
             O que estão ensinando nas escolas de saúde meu Deus?
             Quem disse que nos sentimos melhor sabendo de tudo o que fazem em nossa boca? Ou em nosso corpo?

             O que queremos é ser tratados com dignidade, com respeito, com consideração, sabendo apenas o essencial para nos empenharmos na busca da cura, sempre cheios de esperança, recebidos com carinho, confortados, amparados e, se possível, curados.

            Por outro lado, daqueles médicos e dentistas super rápidos, que mal recebiam os pacientes e já os estavam despedindo, agora passamos a um verdadeiro “chá das cinco”, com direito a perguntas sobre a família, o trabalho e coisas do gênero, quando muitas vezes não vemos a hora de sair correndo dali. É tempo perdido procurar amizades entre profissionais da saúde e pacientes. Só se elas nascerem fora dos consultórios, porque ali é um lugar aonde só vamos quando realmente necessitamos e rezamos para demorar a voltar.

             Pelo menos esta é a minha opinião. Podem discordar.

            Parabéns a todos os meus amigos médicos e especialmente ao meu filho Luciano!

terça-feira, 13 de outubro de 2009

PROFESSORES DE VERDADE

Dedico este texto à memória das centenas de professores e alunos soterrados nas escolas de Padang, na Indonésia, por ocasião do recente terremoto.



Ofereço também aos professores e alunos da cidade de Arame, no Maranhão, que teimam em estudar e aprender alguma coisa totalmente sem condições, esquecidos por todos num casebre de barro, sentados em tijolos, equilibrando os cadernos nos joelhos, sem banheiro, sem água para beber (merenda então nem se fala!), todos juntos numa mesma sala e a maioria ainda analfabeta. Vão à aula para não perder a Bolsa-escola, única renda familiar.



15 de outubro – Dia do Professor!


               Mestre – hoje um título acadêmico, outorgado a quem conclui o Mestrado e aprova sua Dissertação.

              Jesus Cristo foi Mestre - o melhor de todos! – sem precisar frequentar as estafantes aulas dos cursos de pós-graduação. Assim como os “Doutores da Lei”, de que fala a Bíblia, tampouco se doutoraram em coisa alguma.

               Bem, o que importa saber é quem ensina, o quê ensina e como ensina neste início do século XXI, indiferentemente à nomenclatura usada para denominá-los.

               Educação integral? Transmissão de conteúdos? Macetes para vestibular?Enrolação? O que essa sofrida classe transmite nos bancos escolares?

               Os alunos mudaram – e muito! Falam inglês quase fluentemente, pensam que sabem espanhol, assassinam o português, são quase incomunicáveis na redação, não lêem nada, entendem tudo de computador e sacanagem, dominam a gíria com desenvoltura e os palavrões idem, odeiam política (preferem votar em branco), defendem os direitos humanos sem saber bem o que isto significa e têm uma capacidade imensurável de tolerância para com todas as formas de contravenção. Têm pais muito caretas ou “muito loucos” e acham que “normal” é o mais abstrato dos adjetivos, ainda que não saibam bem definir o adjetivo.

               E agora? Quem são os professores desta “galera”?

               Sujeitos e sujeitas “descolados”, que usam bermudas e minissaias, sentam nas carteiras, mascam chicletes nas aulas, não sabem utilizar o quadro-negro e dominam pouco o conteúdo da disciplina que ministram; adoram debates, de preferência sobre temas da atualidade, que permitam muitas hipóteses, quase nenhuma conclusão e uma “saudável matação de aulas”. Aplicam poucas provas, dando preferência a “trabalhos”, que podem ser copiados integralmente dos livros ou da Internet, pois não serão mesmo lidos.
                Uma pequena parcela de professores, na maior parte das vezes dos mais antigos, faz a “linha dura”, aplicando provas dificílimas, atribuindo notas baixíssimas, amedrontando a turma com conteúdos nunca ensinados, ou tão mal repassados que ninguém entendeu. E se sentem poderosos, por conseguirem “ferrar” todo mundo, despertando temor, que eles confundem com respeito, em seus discípulos.

              Em contrapartida, há também aqueles que pretendem ser “amigos” dos seus alunos, saindo junto, trocando confidências e esperando ser respeitados depois disso. Como se os alunos precisassem procurar amizades entre o corpo docente!

              A matemática do aprendizado é simples: - Se ninguém aprendeu, não foi ensinado; se não conseguiu ensinar, não é professor. É isso!

              Por tudo que foi dito, hoje, eu queria cumprimentar os poucos e valorosos professores que realmente dignificam nossa profissão e não merecem o baixo salário que recebem. Aqueles que conseguem se atualizar, malgrado o descaso dos governos; que procuram entender os modismos das novas gerações sem abrir mão dos valores fundamentais do ser humano; que conseguem suprir as carências familiares da maioria dos alunos, sem esquecer os conteúdos que lhes abrirão as portas do futuro; que ensinam, corrigem, apóiam e amam na medida e na hora certas; que têm escrúpulos, evitando manipular seus alunos em causa própria e que acreditam, sobretudo, na sua Missão de ensinar, educar e instruir.

               Num tempo em que se fala tanto de ensino à distância, parecendo que o papel do professor se torna supérfluo; que os alunos (e alguns pais de alunos), não contentes com toda forma de desrespeito, partem para a agressão física; num tempo em que só se fala de que a solução para a miséria e a violência está na educação, a pergunta que não quer calar é esta:

              - Como exigir qualidade e abnegação dos professores com salários tão baixos? Ou devem eles fazer voto de pobreza em suas formaturas e aceitar o magistério e as privações como uma missão de caridade?

              Diante de tudo isso, seria hipocrisia dourar a pílula e falar apenas na magia de ser professor. Só quem foi, ou é, pode conhecer o milagre do aprendizado. Mas para tudo na vida existe uma remuneração justa, até como incentivo. Com o magistério, não pode ser diferente.

              Um grande abraço a todos os meus colegas de profissão, a todos os meus professores e a todos os meus alunos, que completaram a minha formação na prática e me deram muitas alegrias.
               Parabéns!

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

CRIANÇA FELIZ


               Difícil falar sobre crianças sem nos tornarmos piegas.
               Afinal, sobram adjetivos para descrever aquelas fofurinhas de perninhas curtas e tiradas surpreendentes.
               Acontece que os encantos das crianças são cantados com frequência, em verso e prosa, sem que isso acrescente muita coisa à sua real condição no mundo e, principalmente, à expectativa de vida num mundo melhor.
               Será que os adultos estão realmente pensando nas crianças quando poluem, desmatam, extinguem, corrompem?
              Que mundo, que planeta pretendem deixar para elas?
              Ou pensam em descartar a terra, como um brinquedo velho e gasto, partindo para a Lua, para Marte, para a destruição um outro planeta?

             Hoje, 12 de outubro, é o Dia da Criança!

             Feliz a casa, a família que tem crianças por perto! Elas purificam, expiam, melhoram qualquer ambiente com um sopro de esperança, de energia, de criatividade.
             Feliz a família que protege suas crianças e procura lhes dar uma vida mais segura e mais feliz!
             Sem tantos fast foods, sem tantos brinquedos eletrônicos (para elas brincarem sozinhas, sem incomodar), sem tantas brigas diante delas, muitas vezes usando-as como joguete num mar de acusações e xingamentos lado a lado.
              Que Deus proteja as escolinhas e as professoras do Ensino Infantil, que têm a difícil missão de substituir a família, onde as crianças pequeninas costumavam ser criadas.
               Que a Mãe do Céu cuide desses bebezinhos, emancipados precocemente e com problemas tão em desacordo com seu tamanho e seu tempo de vida no mundo.
              Que os anjos da guarda acompanhem aqueles pequenos, explorados num trabalho infantil precoce, privados da verdadeira infância, com olhos apagados e perdidos de alguém já sem ilusões, embora com tão pouco tempo de vida por aqui.
              No dia delas, que é também dedicado a Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, convém que lembremos à Santa de olhar com muita atenção para as crianças brasileiras vítimas de abusos, tragédias e descaso.
              Lembremos também das crianças da Ásia e de todos os lugares por onde a natureza andou se rebelando e causando muita destruição.
              Por fim, caro leitor, não se esqueça de amar suas crianças, porque amor nunca é demais, principalmente na infância.
              Beije e abrace muito seus pequenos no dia de hoje, ou, se não os tiver por perto, os pequenos que encontrar, porque eles dependem exclusivamente de nós e da consciência e postura que tenhamos na vida. Como o futuro que são, devem ser bem preparados para isso, evitando assim o crescimento indiscriminado da violência, da corrupção, da falta de valores. Ninguém nasce sabendo e todos nós temos uma grande parcela de culpa e de responsabilidade, não fujamos delas!
              Todas as crianças agradecem!



quinta-feira, 8 de outubro de 2009

REVOLTA DA NATUREZA

              Não faz muito tempo que os ecologistas eram alcunhados de "eco chatos" por muita gente, principalmente por aqueles que não queriam ver seus planos embargados ou dificultados por conta das agressões à natureza.
               Como o Green Peace mantém uma batalha quase surda, quase solitária em defesa dos mares! E o Partido Verde, originário da desta defesa do meio ambiente, é muitas vezes ridicularizado por sua pequenez. Parece que a voz dos justos é sempre mais baixa, menos agressiva  que a dos corruptos, dos cruéis, dos mal intencionados.
               Tivessem os ecologistas gritado bem antes e bem mais forte, sem sucumbirem às pressões dos trogloditas de gravata, quem sabe ainda teríamos tempo de salvar o planeta dos nossos descendentes!
               Que vergonha dizer aos nossos netos, ou eles descobrirem por conta própria, que a geração de seus avós destruiu uma natureza exuberante, que parecia inesgotável!
                Hoje nos tornamos bem mais civilizados, separando o lixo, economizando água, não destruindo a natureza. Só que parece que esta conscientização chegou tarde demais. Aliás, para as grandes potências mundiais ainda nem chegou, uma vez que eles se recusam a diminuir sua poluição caso isso implique em diminuição de lucros e poder. Não sei de que adiantará ter riqueza e poder num planeta destruído...
                A realidade é que hoje já não chove, caem temporais, tornados, granizos, furacões, tsunamis, terremotos, inundações, numa demonstração inequívoca de que a natureza principia a se rebelar, com o aquecimento dos mares, o derretimento das geleiras, a poluição que cobre a Terra.
                O homem principia a temer os fenômenos naturais,a olhar amedrontado para o Céu a cada nuvem mais pesada, mais escura, a recear por sua segurança e de sua família diante de uma simples chuva.
                É inenarrável nosso desalento diante do que vem ocorrendo no mundo, como na Indonésia por exemplo. Como num castelo de areia tudo ficou destruído, soterrando milhares de pessoas, sumindo com a vida que existia naquele lugar. E a sensação de impotência nos paralisa, uma vez que não existem armas capazes de reagir e nos defender dos fenômenos naturais, a não ser a prevenção.
                Sem querer ser catastrófica, às vezes parece que o Apocalipse se aproxima a passos largos e que tudo aquilo que os ecologistas apregoavam para "dali a muito tempo" chega abruptamente, sem aviso prévio, antecipando sua vinda e nos pegando totalmente despreparados.
                Olhando para a juventude, para as crianças, não há como não sentir medo, vergonha e preocupação. Que Deus se apiede deles e não permita que paguem pelos nossos erros.
                 Amém.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ETAPAS DA VIDA

             Este é um assunto difícil, polêmico, cheio de regras pouco sinceras e gente tentando segui-las.
              Em que momento se dá a ruptura do filho com o lar de origem e será mesmo necessário este desligamento? Em que níveis ?
               Foi-se o tempo em que os jovens saíam de casa assim que sabiam fritar um ovo ou aquecer um leite, às vezes vivendo de mesada, em busca de uma liberdade e autonomia de fachada, na mais das vezes para poder transar à vontade com quem quisesse e tomar porres homéricos com os amigos sem a família saber.
               A crise econômica e as dificuldades da vida retiveram este jovem mais tempo em  casa, uma vez que os aluguéis estão pela hora da morte e os salários estagnados.
               Como a maioria dos temas que debato, penso que depende do filho e da família. Há os que já nascem querendo voar e vivem de asas quebradas alçando novos vôos. Outros, mesmo na contingência de morarem sozinhos, mantém os costumes familiares e fazem da sua casa uma extensão da casa paterna, inclusive com hábitos bem parecidos.
                Assim, como existem pais e mães que não vêem a hora dos filhos debandarem para poder realizar sonhos muito adiados, ou simplesmente decorarem a casa como lhes der na telha, agora com mais espaços vazios; enquanto outros mantém os quartos dos filhos intactos, numa espera (às vezes inconsciente) de um possível retorno, mesmo que de visita, mesmo que por pouco tempo, ou até como um refúgio seguro para as intempéries da vida.
               Quando os filhos são solteiros e trabalham em outro lugar, o questionamento é inevitável : - Por que não poderiam continuar morando em casa, com as mordomias naturais de uma mãe por perto, as conversas diárias, o cafuné, a roupa passada para sair com os amigos, enfim, uma vida menos sofrida, principalmente para o jovem?
                É claro que isso só é viável numa casa onde há respeito, privacidade, harmonia. Sem invasões ou imposições de rotina, uma vez que se trata de uma convivência entre adultos.
                 Meus filhos só saíram de casa para casar ou para trabalhar em outro estado. E deixaram um vazio que só é preenchido quando eles voltam, mesmo que para uma visitinha rápida. E eu sempre me questiono até que ponto esta ruptura deveria ou não ser mais definitiva e indolor.
                  Até hoje chamo a casa da minha infância de "minha casa", onde está o "meu quarto" e os cantos e recantos da fase mais lúdica da minha vida. Talvez por isso tenha cristalizado os espaços dos meus meninos na minha (nossa) casa também.
                  Está acabando meu tempo "de férias" por aqui e meu coração já começou a apertar. É tão bom despedir e receber meu menino todos os dias do trabalho! Arrumar a casinha dele, as roupas, comprar muitas frutas, verduras, iogurtes, conversar à noite diante da TV, enfim, coisas que muitos pais fazem diariamente com seus filhos e outros, com chances para isso, desperdiçam esta oportunidade brigando, se espezinhando, reclamando de tudo.
                   Sempre saio com um nó na garganta e outro no coração, não tem jeito... isso que lá estão os netinhos à minha espera. Acho que meu coração tem gavetas, pastas, onde cada um tem seu lugar reservado e um não substitui o outro.
                   Vejo tantos pais e tantos filhos completamente distantes e distanciados na vida, curtindo a seu modo sem nem se importar uns com os outros. E ouço muita gente dizer que assim é que é normal. Que a família só tem função até o desenvolvimento do indivíduo.
                    Você pensa o quê? Se quiser me dar sua opinião, acho que hoje estou precisando...

terça-feira, 6 de outubro de 2009

SONHOS DE ACEROLA

              Devem ser gostosos e nutritivos, não acham?
              Bem, mas a história não é simples assim. Vamos a ela!
              Vivo em Florianópolis há mais de trinta anos, mas minhas raízes da fronteira gaúcha nunca permitiram que eu me tornasse uma verdadeira "rata de praia". Gosto da praia, acho lindo o recorte do mar, no entanto, sou mais de bosques, campos, cheiro de mato e terra molhada. Por isso, minha alma se refrigera nas viagens a Curitiba e São José dos Campos, onde estou agora. Aliás, refrigera é o termo certo, com este arzinho fresco da serra que há nas duas cidades.
              Aqui em frente ao prédio onde meu filho mora há um parque maravilhoso, que foi um conhecido sanatório nos idos tempos, para onde vinham se tratar os tuberculosos de todo o sul e sudeste do país. As construções foram tombadas pelo patrimônio público e os caminhos abertos para caminhadas e corridas. Ficou muito agradável, uma volta em torno das construções chega a mais de 1000m e tudo arborizado, cheio de sombra, com galinhas d'angola soltas, ciscando e árvores ma-ra-vi-lho-sas!
             Como se não bastasse, as árvores que marjeiam os passeios são frutíferas - de acerola! É claro que o pessoal vai apanhando e comendo, então , praticamente só restaram frutas lá em cima, na copa das árvores. Isso sem falar naqueles "brasileiros" que enchem sacolas da frutinha até para vender.
             Acerola nem é minha fruta preferida, até porque não a conhecia na infância, que é onde os hábitos alimentares se formam. Só que, de tanto ver aquelas frutas vermelhinhas lá em cima, vai dando vontade de prová-las. Então ficamos frustrados por ver que nosso desejo é inatingível. Não vou me expor aos espinhos e ao mico subindo nas árvores e ainda certamente sendo admoestada pelos guardas do parque. Também não vejo nenhuma vara que me pusesse servir para bater nelas. E sigo frustrada...
             De repente, eis que cai aos meus pés uma bolinha vermelha, sedutora e eu logo me abaixo para apanhá-la, limpo a terra na camiseta e coloco-a na boca. Era o sonho realizado!
             Pois, além de mastigar alguns grãos de areia junto, o gosto nem se compara ao das amoras e pitangas da minha meninice.
             Lembro de quantas vezes já vi esta fruta nos mercados, limpinhas, brilhantes, suculentas e jamais comprei. Por que, de repente, me pareceram tão apetitosas e desejáveis? Porque estavam inacessíveis? Porque todo mundo as disputava? Porque restavam poucas?
             Será que não é isso mesmo que fazemos com nossos sonhos? Vivemos atrás deles, sempre insatisfeitos, sempre frustrados, sempre desejosos e, muitas vezes, ao realizá-los, nos damos conta de que nem era isso mesmo que queríamos e partimos logo para outro sonho impossível.
             Não seria bom procuramos nossas relizações bem mais pertinho, às vezes ao nosso lado? Pois, como diz um pensamento antigo (desconheço a autoria), a felicidade está onde nós a colocamos e nunca a pomos onde nós estamos.
             Bem, já dei um mote para vocês pensarem um pouco. Vou colocar o tênis e correr para o parque, uma vez que o mau tempo já vem chegando do sul e temos que aproveitar.
              - Vai um suco de acerola aí?

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

MÃOS À OBRA!

              Não vim ao mundo a passeio. Mas não vim mesmo! Onde quer que eu esteja sou pau para toda obra e, na maioria das vezes, por insistência minha mesmo.
              Meu filho solteiro, que estou visitando e que é super caprichoso e organizado, diz que sou "pró-ativa" , pois até na casa dele encontro o que fazer, coisas para organizar, enfeites, comidas, mil coisas que antes nem eram necessárias.
              Olha que me programo para as "férias", encho a mala de livros, juro que darei um descanso aos cartões de crédito, faço planos de caminhadas, passeios zen, filmes ... quem dera! Logo estou com a agenda cheia e a cabeça fervendo de planos para melhorar a casa e a vida do filho onde estou no momento. Claro que nos casados a coisa não é tão simples, mas mesmo assim vivo ajudando do jeito que posso e dá.
               Acho que não fui sempre assim. Ou fui? Será pelo excesso de atividades que tive desde criança? Trabalhos domésticos só comecei a fazer depois de casada, mas estudava, fazia piano, balé, aliança francesa, canto orfeônico, ginástica ritmica e política estudantil. Ah, e minha mãe não aceitava nota menor do que nove (isso mesmo 9,0!).  Nesta reflexão descobri que deve vir daí, com certeza, este meu vício de formiga trabalhadeira.
               Não gosto muito do rótulo, nem acredito que isto tudo que faço seja realmente importante. Tanto é que aproveitei esta brechinha para vir aqui escrever a vocês.
                Juro que hoje à tarde vou ler bastante, caminhar no parque e... o que mais mesmo?
                Fazer um jantarzinho para o filhote e lavar as camisas dele.
                Pelo menos disso não abro mão.
                Será que sou normal?

sábado, 3 de outubro de 2009

BRASIL 2016!

             O Brasil vai sediar os Jogos Olímpicos de 2016, ou melhor, o  Rio de Janeiro vai.
             Como brasileira, fiquei arrepiada ao ver nosso país suplantar a bela Madri, a rica Chicago e a moderna Tóquio.
              As imagens da Cidade Maravilhosa suplantaram sua carga negativa de violência. Que bom! Estava na hora de se resgatar um pouco a beleza carioca para o mundo, outrora cantada em verso e prosa e hoje sufocada pelas "tropas de choque", "cidades de deus" e coisas do gênero.
             Só fui ao Rio uma vez e apenas visitei os pontos turísticos. Paguei sempre mais caro para ir até o Nordeste, fugindo do tráfico e das balas perdidas. Nem cheguei a "sentir" a cidade; gostaria de ter ido aos bares da Lapa à noite, ao Canecão, ao Teatro Municipal, mas nunca fui.
             Em 2016 Lucas terá treze anos e Bruna oito. Caramba! Hoje eles ainda são tão pequenininhos, ela mal sabe andar e falar e ele recém está se alfabetizando.
              Eu estarei sete anos mais velha ... será que pesarão muito? Depende da quantidade de problemas que enfrentarei até lá e da qualidade de vida que terei, além da proteção divina e de um pouco de sorte.
              Minha mãe terá noventa e sete anos (se Deus quiser terá!) e terei dois filhos quarentões. Ai, ai, ai...agora doeu!
              É meus amigos, quantos de nós ainda estaremos por aqui e de que forma estaremos? Ninguém sabe. Ainda bem.
              Dificilmente irei ao Rio e assistirei aos jogos, pois deverá ser tudo caro, complicado, esgotado, com a cartolagem reservando os melhores lugares, o povo se acotovelando nas filas (na melhor das hipóteses), de forma que acabarei assistindo pela televisão, como sempre, da mesma forma que faria se os jogos acontecessem em qualquer dos outros países.
             Fiquei pasma de ver numa sexta-feira de manhã a praia de Copacabana LOTADA à espera do resultado. Seria feriado lá? Até para o Carnaval antecipado? Patrões bonzinhos esses... compreensivos...
            Gostaria de assistir a todas as modalidades de ginástica, à natação, ao hipismo e ao vôlei. Para mim já estaria de bom tamanho. Mas acho que nem vou tentar.
            Bem, até 2016 decerto já terei comprado uma televisão dessas ultramodernas, fininhas, com alta definição.
           E que venha a Olimpíada!
  

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

CHUVA, CHUVISCO, CHUVARADA...

               Tem  uma música do Cocoricó que diz assim "chuva, chuvisco, chuvarada, por que é que chove tanto assim?".
                Eu gosto da chuva. Só não gosto para tudo, gosto para algumas coisas. E detesto para outras. Vou começar por essas: chuva na praia programada há tempos, chuva na festa onde usaremos aquele vestido e sapatos carésimos, chuva na hora de pegar crianças na escola (e aquele engarrafamento na frente do portão), chuva para fechar a sombrinha e entrar no carro, chuva logo após aquela "chapinha" divina no cabeleireiro, chuva para viajar de carro, chuva que pára de repente, abre o maior sol e nos deixa com cara de bobos, cheios de capas e guarda-chuvas.
               Agora, chuva é bom para (deixa eu copiar novamente do Cocoricó) " menino vem cá, vem comer bolo de cenoura, com cobertura de chocolate quente... chove, chove, chove, deixa chover, enquanto tiver bolo de cenoura a gente nem vai perceber." Gosto de ver a chuva da janela, sem me molhar. Lembro como era gostoso embaçar os vidros do carro beijando o namorado. É bom para ler, ouvir música, assistir filmes na TV, escrever, tocar piano ou, simplesmente, ficar quietinha debaixo do edredom, só escutando o barulhinho. Isso quando é uma chuva "normal", mansa, com hora para acabar e não aquelas tempestades de ventos, raios e trovões, alagando tudo, assustando todo mundo. É bom também porque a obra ao lado para e nossos ouvidos descansam um pouco.
                Pensei que este texto seria mais filosófico, mais interior, mais reflexivo. Daqueles que a chuva às vezes suscita. Mas não foi. Ainda bem. Nem sempre gostamos de ficar com o nervo exposto e nem sempre as pessoas estão a fim de se comoverem com as dores alheias.
                Meus bolinhos de chuva são famosos (vou procurar uma foto dos últimos); meu pai, nos primeiros pingos de chuva, já me sugeria que os fizesse enquanto construía barquinhos de papel para os netos colocarem na água que corria nas sarjetas. Hoje, os netos são os responsáveis por polvilhar o açúcar com canela. Tradições criadas e transmitidas nos dias de chuva.