domingo, 25 de outubro de 2009

SÍNDROME PRÉ-NATALÍCIA

             Nutro sentimentos ambíguos pelo dia do meu aniversário. E isso nada tem a ver com a idade, sempre foi assim.
             Olho com fascínio para o mês de novembro na folhinha e com carinho para o dia 9, no entanto, os sentimentos se misturam e não são só festivos.

             Um parágrafo no romance que estou lendo (“Paixão Índia”, de Javier Moro) me fez pensar. Diz assim: “Por acaso já me apaixonei alguma vez na vida? Uma coisa é amar o rajá, e outra é ter se apaixonado por ele. E sabe que no seu caso não houve amor à primeira vista. Nunca conhecera esta paixão capaz de sacudir os alicerces da pessoa, essa sensação de loucura que as canções andaluzas tão bem descrevem... É possível viver uma vida inteira sem ser triturado pelo amor, nem que seja uma vez? Sem se deixar arrastar pelo arrebatamento?”

               Será que as pessoas perdem, com o tempo, a capacidade de se apaixonar? Ou alguns passam pela vida sem conhecer esta sensação, incapazes de senti-la? Será que os velhinhos e velhinhas também são capazes de sentir uma paixão avassaladora ou será tudo “morno” para sempre a partir da tal “terceira idade”?

               Em que medida a maturidade significa insensibilidade? Ou, melhor dizendo, o único grande sentimento que se mantém intacto será a dor da perda?

               Que graça tem?!

               Com o passar dos aniversários, ao invés de rebeldes, livres, afoitos, corremos o risco de passarmos por esclerosados, dependendo dos arroubos que tivermos.
                Estou exagerando? Tomara!
                Mas não sei não...
                Às vezes sinto uma saudade irreversível de mim, com todos os meus erros e acertos, mas um mar revolto, com espumas densas e salgadas de sentimentos e um coração sempre transbordante, cheirando a cravo e jasmim.
                Hoje sou mais baía, praia sem ondas, espelho d’água.
                Sem graça...

Um comentário:

Jeanne disse...

O processo não precisa ser interpretado desta maneira, tive amigas que "enlouqueceram" depois dos 50, simplesmente abandonando velhos conceitos e retornando à fase de poder permitir-se pequenos pecados, nada que incomode os outros.
A tua sensação está acontecendo porque a mente não acompanha o corpo, este chato que não pode mais correr, subir em árvores, etc
passei pela mesma sensação de perda, mas estou aos poucos recuperando o brilho da juventude mesmo que neste corpo meio "gasto",rsrsrs
"Amadurecer" é quando deixamos de ser mau exemplo,e passamos a dar conselhos,rsrsrs
a gente sobrevive...
Bom domingo, beijos