sábado, 12 de setembro de 2009

VEROSSIMILHANÇA

Um final de novela, filme ou livro não precisa ser verdadeiro, pode ser surpreendente, mas verossímil, possível de acontecer.
Voltando às novelas, Caminho das Índias terminou ontem, como todos os finais de novela num final atropelado, cheio de fantasias pouco prováveis, deixando muita gente descontente. O enredo se arrasta, cria barriga, desvia e, de repente, tudo se resolve numa única noite. Como é difícil saber terminar! Até um discurso, tem orador que fica dando voltas intermináveis e não consegue colocar um ponto final em seu pronunciamento, imagine então numa novela de seis meses!
Glória Peres demonstrou, no seu gran finale, sua profunda decepção com as leis, os crimes e os castigos brasileiros. Ficou claro que sua estupefação diante da tragédia acontecida com sua filha e a luta que travou para punir os culpados deixou cicatrizes bem profundas em sua escritura. Se no Brasil só preto e pobre vai para a cadeia, por que na novela haveria de ser diferente?
A punição de Raul Cadore ( que se fingiu de morto para tentar ser feliz) foi muito maior do que a dos bandidos Mike, Ivone, Zeca e seus abomináveis pais.
Aliás, a parte "brasileira" da novela era a que menos me atraía. Quando aparecia o Pão de Açúcar eu já sabia que a novela perderia a graça.
Eu queria conhecer um pouco mais sobre os costumes indianos e consegui. Por isso, a parte que mais me tocou no final foi a interpretação de Maya, no enterro de Raj e ao entregar Nihaj para Copal. Há quanto tempo eu não chorava num final de novela e desta vez as lágrimas correram soltas, mesmo sem querer.
Quando vêem as viúvas, os órfãos, os costumes indianos em geral, os brasileiros respiram aliviados por não viverem sob aqueles costumes, como se aqui a violência, a bandidagem, os abusos contra menores não existissem. Bonito é desrespeitar os velhos!
A próxima novela não terá costumes antigos ou estrangeiros. Será brasileiríssima! Cheia de luxos, divórcios, traições, corpos de fora, prazeres terrenos e extremamente ocidentais.
Difícil da gente se acostumar logo após um Opash Ananda, um Raj, uma Maya, todos os baldis, mamadis e dadis que nos encantaram nos últimos meses.
Depois a gente se acostuma. Até porque não veremos nada além do que vemos todos os dias nas colunas sociais e revistas brasileiras.
Agora, eu sei que vou sentir muita falta dos indianos. Ah vou!

Um comentário:

Jeanne disse...

Gostei da parte indiana também, mas o Manoel Carlos é ótimo! Gosto de seus dramas intensos, pena que em suas novelas são todos ricos...
Enfim, acabo vendo qualquer uma mesmo,rsrsrsrs...
Beijos :)