quinta-feira, 14 de maio de 2020

12 ANOS DE ENCANTAMENTO


Minha Piccolina entra na pré-adolescência. Completa 12 anos de vida. 12 anos que ela nos encanta e nos faz sentir a forma mais intensa e pura de amor.
Ainda quer colo, mesmo que suas pernas já não caibam nele. Aprendeu muitas coisas, defende seu ponto de vista, mas continua meiga, acatando a autoridade dos pais sem muitos questionamentos.
Criativa, talentosa, graciosa, ela dança, canta, pinta quadros, gosta da cozinha, adora comida mexicana, japonesa e muito macarrão.
Bruna é o encanto da irmãzinha Mariana, que acorda já perguntando por ela. Mimosa dos pais e também dessa avó, que ajudou a criá-la desde bem pequenininha.
Estuda comigo e com o vô Paulo e adora ocupar o sofá cama do escritório sempre que os pais permitem.
Fico triste ao vê-la longe da escola e da barra do balé, sempre de máscara, sempre tirando os sapatos e lavando as mãos, mas o pior mesmo é saber como será o seu futuro. Ela sonha em morar fora, estudar, dançar pelo mundo e não pode ter seus sonhos cortados por uma pandemia. Já houve várias pestes no mundo, mas, com o avanço da tecnologia e da ciência, o homem poderia ter aprendido a se proteger delas.
Minha neta amada, Deus há de te fazer muito feliz! Tu hás de conseguir concretizar teus sonhos e, se der, estarei sempre por perto te aplaudindo, como faço desde a tua primeira apresentação ainda com dois aninhos.
Teu sorriso é muito importante para todos nós!
Vou fazer o estrogonofe de camarão e o pavê de chocolate que pediste e pedir todas as bênçãos divinas para o dia do teu aniversário e para toda a tua vida.
Te amo muito minha primeira princesa!




domingo, 10 de maio de 2020

PARA AS MÃES DE 2020 NO DIA DAS MÃES



Em primeiro lugar, quero homenagear a minha mãe – Dona Conceição – que, do alto dos seus quase 101 anos de vida, está tendo que se adaptar aos rigores dessa pandemia, usando máscaras e ficando distanciada de boa parte da família de quem sente muita saudade. Extremamente lúcida, fica atenta às notícias e sofre quando pensa em cada vítima desse vírus terrível. Não aceita se alienar, quer saber de tudo. Ouve os noticiários na TV e ainda no rádio de cabeceira. É uma mulher forte.
Depois, minha homenagem vai para as mães dos meus netos, os maiores tesouros que tive na vida depois dos meus filhos. Mães dedicadas que estão na luta para manter seu trabalho e dar conta das crianças em casa. Agora, agregaram às suas tarefas ainda a de professora.
De uma maneira geral, desejo homenagear todas as mães que estão sofrendo com essa pandemia, com as mudanças radicais em seus estilos de vida, além do temor do presente, da incerteza quanto ao futuro e da angústia de quererem proteger seus filhos sem saberem exatamente como.
Minha homenagem às mães idosas que estão sozinhas, isoladas, confinadas em suas casas à guisa de proteção e hoje não poderão abraçar seus filhos, nem os netos queridos, precisando se conformar com vozes e imagens numa telinha fria.
Um abraço carinhoso, mesmo de longe, às mães que perderam seus filhos para essa doença cruel, ou que sofrem sem vê-los enquanto eles lutam para sobreviver nos hospitais, tão distantes do carinho e da proteção delas. Essas mães são as que mais sofrem, sem dúvida.
Rezo pela mães que estão doentes, isoladas nas UTIs ,lutando para sobreviver e sem saber se um dia voltarão a ver seus amados e sua casa.
Meu conforto para as mães dos profissionais da saúde que pedem aos Céus dia e noite para que seus filhos não se contaminem e não paguem caro demais pela profissão que escolheram.
E o que dizer das Mães que passarão seu dia longe dos filhos, nos hospitais, cuidando dos filhos de outras mães e das mães de outros filhos?! Que Deus as guarde e defenda!
Um carinho especial para as futuras mamães, que guardam em seu ventre seu bem mais precioso e que não terão o consolo da presença dos familiares nos exames, nem no parto, passando sozinhas por esse momento tão significativo, sem poder dividir sua emoção e seu medo do futuro. Que Deus as proteja e reserve um mundo melhor a essas pequenas vidas que elas trarão a esse mundo.
Mães longe dos filhos. Filhos longe das mães. Dia das Mães esvaziado de sentido. Novos tempos. Incerteza. E nem mesmo a segurança de que estamos fazendo o certo e que essa é mesmo a melhor forma de proteger as pessoas dessa pandemia cruel. Afirmações desencontradas, esperanças que se desmancham no dia seguinte, orientações que mudam de lado a toda hora e a humanidade caminhando de um lado para outro, seguindo nas direções apontadas, como uma boiada perdida sem um condutor firme que realmente conheça o caminho mais seguro a seguir.
 Assim estamos nós nesse Dia das Mães.
Melhor lembrar os bolos, os doces, as flores, os sorrisos, os presentes, a mesa cheia, o abraço bem apertado, o barulho das crianças, a ternura, o afago num tempo sem medo.
Quem sabe, um dia, a vida volte ser como era antes.
Quem sabe, com sorte, nós estaremos ainda aqui para apreciá-la.
Um Dia das Mães possível a todas nós!







terça-feira, 31 de março de 2020

QUANDO O AMANHÃ CHEGAR...



Sem aviso prévio fomos encarcerados. E torturados sem dó pelos meios de comunicação.
Cada um reagiu conforme a sua natureza. Cantando, fazendo piada, ginástica, comidas ou então apavorados, negativos, depressivos, apocalípticos.
Falam muito na convivência finalmente próxima de pais e filhos na mesma casa. Nem sempre harmônica por sinal...
E esquecem totalmente dos avós, quando muitos deles ajudaram a criar os netos, tomam conta deles diariamente e, de repente, foram cruelmente afastados e admoestados de que aqueles anjos que sempre enfeitaram e alegraram sua vida podem agora lhes trazer o vírus da morte! Nem o maior dos sádicos poderia engendrar castigo pior aos avós! Como se as chamadinhas de vídeo pudessem compensar o abraço, o beijo, o aconchego, o cheiro.
As crianças sentem também. Minha netinha mais nova abraça o celular onde falo com ela e não o entrega a ninguém, como se assim pudéssemos estar juntas novamente. A mais velha quer fazer todas as tarefas diante da câmera comigo do outro lado. E só diz que está morrendo de saudade!
Mas ninguém fala nos avós, a não ser para mandá-los ficar em casa e bem longe dos netos. Para quem vê os netos de vez em quando não deve ser difícil, no entanto, para quem convive diariamente com eles é bem dolorido.
Outra coisa que falam é que, depois que essa pandemia passar (se é que passará), não seremos os mesmos, estaremos transformados, o mundo será melhor.
Não sei se sou cética, descrente ou se sempre soube valorizar o que está sendo valorizado só agora por muitos: a casa, a família, a fraternidade, a liberdade.
Não sei se mudarei em alguma coisa, talvez para pior caso perca alguém próximo para essa peste. Daí certamente serei mais triste, mais infeliz, mais revoltada, nunca “melhor” como querem nos fazer crer.
Não acho que merecíamos passar por isso, pelo menos nós, pessoas honestas, trabalhadoras, amigas. Acho tudo isso muito injusto com a maioria das pessoas.
Os bandidos talvez merecessem, mas logo esvaziaram as cadeias para não contaminá-los.
Os profissionais da Saúde não mereciam essa sobrecarga perigosa ameaçando eles e as suas famílias em casa. Outra crueldade: pais se transformarem em possíveis condutores da doença e da morte para os filhos. Logo eles que mais amam e mais querem proteger! Essa pandemia tem requintes de crueldade inimagináveis. Parece um seriado da Globo! Pois esses profissionais da Saúde foram sempre mal pagos, atendendo o dobro de pacientes que caberiam nos hospitais, caindo de sono e cansaço e agora enfrentando um vírus desconhecido e perigoso sem os equipamentos necessários para se protegerem adequadamente.
Nem adianta saber de onde se originou o vírus. Deve ter sido de um dos cavaleiros do Apocalipse.
Quando tudo isso passar... se passar... queria condecorar quem conseguiu se isolar tanto tempo entre as quatro paredes de um apartamento, sem uma árvore, sem pássaros, nem um raio de sol.
Nunca aprendi com dores e sofrimentos. Sempre preferi aprender e aprendi melhor com amor, beleza, emoção, carinho.
Certamente não serei a mesma se sobreviver a isso... um pouco pior talvez.
O resto é literatura barata.







segunda-feira, 23 de março de 2020

SOBREVIVENTES


Março de 2020.
O Brasil parou.
O mundo parou.
Ruas desertas gritam em silêncio.
O ar se tornou mais puro, livre dos gases tóxicos das fábricas, dos ônibus e dos automóveis.
Os pontos turísticos europeus são como espectros silenciosos e vazios. Até a Monalisa relaxou o olhar, piscou e mostrou os dentes. As gôndolas tiraram um cochilo preguiçoso e a Torre Eiffel bocejou entediada.
No Brasil o povo teve que ser corrido das praias pela polícia, porque não é acostumado a acatar ordens, quanto mais recomendações.
Acostumados a um entre e sai constante, de repente as famílias foram obrigadas a se encontrar e a conviver. Sair de casa virou infração gravíssima, passível de punição e olhares acusadores.
Produtos estranhos são caçados como tesouros nas prateleiras dos supermercados. Quilômetros de papel higiênico e uma quantidade imensurável de garrafas de álcool gel. Curioso é que o sabão de pedra, poderoso contra os germes, nem foi tão cobiçado.
Eis que chegou o Outono, oferecendo seu vento mais fresco, suas manhãs claras e o povo nem viu. Presos em casa, de olho nas notícias catastróficas da TV, ou mergulhadas em intermináveis séries, as pessoas criaram um mundo à parte, sem tempo para saborear a melhor das estações do ano.
Domingo de Ramos, Semana Santa, Páscoa... num país tão cristão essas comemorações passarão em branco, uma vez que até as missas e cultos estão sendo transmitidos pela televisão.
Como estarão as crianças nesses dias e noites silenciosos, sem escola? Pelo menos estão vendo mais os pais, convivendo mais com eles, esperamos que não estejam apenas conectados às redes sociais. Mais brincadeiras, mais carinhos, talvez mais palmadas e castigos. Vai saber! Pelo menos devem sair mais doces, mais gostosuras e muito mais risadas!
Aniversários, casamentos, festas, shows, viagens, passeios, tudo cancelado! Por tempo indeterminado. Azar de quem comprou passagens e terá sempre prejuízo. Agências de viagens, companhias aéreas, hotéis e todo tipo de passeio turístico estarão decretando falência se isso perdurar.
O país vai falir. Com o comércio e a indústria parados, com todo mundo preso em casa, não tem como a economia continuar girando. Sem arrecadação ninguém consegue pagar ninguém.
O que foi que aconteceu?
Como se originou essa pandemia? Sim, epidemias no mundo todo formam uma pandemia.
Um vírus surgido num país comunista é ainda mais devastador, porque as informações são sonegadas, escondidas até o ponto em que já não é mais possível encobri-las. E aí já é tarde demais!
Um mercado de animais vivos, na China, oferecidos para consumo, entre eles cobras e morcegos parece ter originado essa terrível pandemia. Quase um genocídio se contabilizarmos o número de vítimas, isso que ainda está bem no começo e que o inverno nem chegou por aqui.
Um vírus do tipo corona originou essa terrível COVID-19, que optou por exterminar os idosos da face da terra e agora ainda sofre mutação e começa a atingir jovens e até crianças.
Além de ameaçados, os avós sofrem pelo distanciamento dos netos – aquelas pílulas de vida e energia que fazem com que a terceira idade se torne um pouco mais suportável. Confinados, precisam abdicar da presença dos mais jovens da família, como se seus queridos pudessem lhes trazer a doença e a morte. Uma crueldade absoluta!
Ninguém trabalha, todos são potencialmente transmissores e a legião de desempregados e devedores sobe a níveis estratosféricos. A economia fica estagnada e as bolsas de valores quebram no mundo todo.
Nada de visitas, nem beijos, nem abraços, o ser humano tem receio de qualquer outro a menos de dois metros de distância.
As mãos ficam ásperas de tanto sabão e desinfetante, o corpo dolorido pela falta de exercícios e avantajado por esse eterno comer e dormir.
A programação da TV só fala nesse assunto de coronavírus, doença e morte, contabilizando mortos e infectados em todos os países, noite e dia, diariamente. E o mundo chora com a Itália, suas belezas, sua história, seu povo alegre e acolhedor sendo dizimado por essa doença.
Difícil se concentrar no que quer que seja quando imaginamos uma espada afiada sobre a nossa cabeça e das pessoas que amamos.
Os profissionais da saúde se arriscam noite e dia comprometendo, inclusive, a saúde dos seus filhos e das pessoas que convivem com eles, além deles próprios. Já são muitos médicos e enfermeiros infectados e muitos morreram.
Não há vacina, nem remédio para esse vírus até agora. Só depois que muitos mais morrerem. Morte sofrida, cruel, por falta de ar e solidão nos isolamentos das UTIs.
Será esse um novo Dilúvio? Cadê a Arca de Noé? Quem será o Noé da atualidade? A quem ele salvará?
O Outono chegou... com sol, vento e silêncio. Um silêncio ensurdecedor.
Nem o consolo dos templos se pode ter... os santos dormem nos altares com as portas fechadas.
Até o mar está proibido.
Cada pessoa é uma ameaça.
Nunca pensamos em vivenciar mais isso, além de tudo o que já fomos obrigados a engolir.
Quem sobreviverá?
Quantos chorarão?
A vida... a leveza, o sorriso, o aconchego, o cansaço bom, o futuro, os planos, os sonhos... tudo adiado, na melhor das hipóteses.
Até os pássaros estão calados.
Deus, cuida do teu povo! Protege as criancinhas e seus pais. Não deixa os avós sofrerem.
Já foi suficiente para repensarmos, redimensionarmos, separarmos o joio do trigo. Agora, já podemos voltar a viver.
De outra maneira.