segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FALTA DE BERÇO

               Sei que as exceções existem, mas não me baseio nelas para fazer esta reflexão. Até porque, se formos fundamentar alguma coisa com base nos casos raros, dificilmente chegaremos a algum lugar.
                Muitas vezes ouvi a expressão "falta de berço", quase sempre com a conotação de que a pessoa referida pertencia a uma classe social inferior. A relação deve ser com o fato de que crianças muito pobres nem berço para dormir possuem.
                 Prefiro estender o sentido a uma educação de forma mais ampla, listando como "sem berço" as pessoas que não tiveram uma família que lhes transmitisse valores essenciais à convivência humana. Gente que deixa os filhos irem crescendo como erva daninha, pra todos os lados, satisfazendo seus desejos e evitando o estresse natural da educação.
                 Assim como os bons ensinamentos e exemplos, os maus também vão sendo transmitidos "de pai pra filho", perenizando atitudes predatórias na sociedade.
                  A pessoa pode se formar (universidade não encurta a orelha de ninguém), pode enriquecer (nem tudo o dinheiro compra), todavia, um dia, aquela falta de valores e educação negados na infância e na adolescência vai aflorar e o fulano não vai saber lidar com cargos e salários muito além da sua própria dimensão - e vai meter os pés pelas mãos! Ou o dinheiro na cueca, nas meias, nos panetones, enfim, vai mostrar publicamente seu lado podre, exatamente onde faltou a autoridade e a estrutura familiar.
                  Não encontro mais adjetivos que expressem fidedignamente minha náusea em relação aos políticos brasileiros. São atos inomináveis, que tripudiam sobre o povo, sobre o voto, sobre a democracia.
                  Gente desclassificada que sai de cena e logo retorna, aclamada pelo próprio povo que  saqueou.
                   Não tenho mais tesão para escrever sobre a política e os políticos. Creio que estou perdendo até a capacidade de me indignar. Só sinto nojo! Nojo de ser obrigada a votar (sem eleição talvez fosse até pior), de sustentar esta corja, de ver o trabalhador sofrendo, penando enquanto a camarilha embolsa seu dinheiro suado e faz uma festa orgiástica nos impostos sobre tudo.
                   É um verdadeiro carnaval de contratações, de licitações, de passagens, de auxílio para isto e aquilo, de bolsa isto e aquilo, de viagens pra todo canto do mundo, de vereadores pipocando em progressão geométrica, de salários subindo sem parar apenas para os políticos, de aposentadorias mirabolantes, com mandatos eternos, enfim, um crime constante contra o povo brasileiro, que até hoje não aprendeu a votar, vota sempre errado e nem se lembra em quem votou.
                   Meu pai contava que, na sua juventude, os vereadores não recebiam salário, tinham suas profissões e, por serem homens públicos altruístas e impolutos, reuniam-se semanalmente para deliberar sobre as necessidades do município.
                    Se ainda fosse assim, DUVIDO  que algum desses políticos iria querer se manter no cargo. Pulariam fora na mesma hora, procurando uma outra têta para mamar.
                    Que nojo!

sábado, 28 de novembro de 2009

SUGADORES DE ENERGIA

                Ouvi este termo em um programa de TV e achei PERFEITO para descrever certas pessoas.
                 Gente que nos deixa literalmente derrubados com a sua presença. Nos sentimos sem forças, sugados, moles, assim como ficamos antes de uma gripe.
                  Sem falar nas plantas - coitadas! - que literalmente murcham, às vezes até secam e morrem. Tive a comprovação que o tal "olho de seca pimenteira" existe mesmo! Tinha floreiras de pimentas lindas na sacada (vejam a foto) e, de uns tempos para cá, não ha cristão que dê jeito nelas, é uma praga atrás da outra!
                  Por outro lado, existem pessoas de luz, generosas, verdadeiras, que sempre iluminam tudo por onde passam, colorindo a vida, levantando o astral dos amigos, distribuindo força, carinho e sorrisos por onde passam. E o melhor é que estas pessoas recebem de volta o que oferecem e são sistematicamente mais felizes.
                  O inverso é verdadeiro e as sugadoras de energia ordinariamente são muito infelizes, atraindo tudo de ruim que existe no universo, adoecendo a si mesmas e a todos que as rodeiam, num círculo vicioso macabro.
                   Existe gente de todo tipo e muitos sugadores tentam reverter suas características, procurando ajuda.
                   A grande maioria, infelizmente, parece que se compraz em semear o mal, cuidando com desvelo de suas plantinhas demoníacas para infernizar a vida dos outros.
                   Enfim, dessas pessoas penso que o mais viável é correr, ficar longe, cair fora!
                   Enquanto temos energia para isso.


                  

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

CINQUENTINHA

               Vou cobrar direitos autorais.
               Não é a primeira vez que invento um termo e "misteriosamente" ele aparece na mídia tempos depois.
               Numa crônica antiga cunhei o termo "oscarito", numa alusão ao Oscar, para ser dado ao filme Central do Brasil, já que ele não levara o prêmio da Academia. Publiquei no jornal e tudo. Tempos depois, li que pretendem mudar o prêmio "kikito" do Festival de Cinema de Gramado (termo que não significa mesmo nada) para "oscarito". Coincidência...
               Bem, há sete anos escrevi uma crônica intitulada "Adoráveis Cinquentinhas",(em oposição ao pesado termo "quarentonas"),que foi premiada em concurso e publicada em livro. Há dois anos criei meu primeiro blog com este nome que, inclusive, mantive no endereço do "Simplesmente Maria".
                Pois bem, Aguinaldo Silva (parece que é ele) assina a próxima minissérie da Globo, intitulada "Cinquentinha".
                E agora? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Imaginem se alguém vai admitir que uma escritorazinha desconhecida tenha criado o termo primeiro!
                Mas criei. E o seu Aguinaldo, se não me copiou, teve a mesma idéia, bem depois.
                 

FILHO NÃO É ESPARADRAPO

              Quase sempre o que começa mal termina pior.
              Num relacionamento, quando as desavenças são frequentes, quando não existe respeito e o amor já está morto e enterrado, a coisa mais errada é fazer um filho para ver se conserta o inconsertável.
               Filhos são bênçãos para "lares", para "casais" e não para dois inimigos coabitando num mesmo espaço.
               Num primeiro momento, pode parecer que aquele chorinho novo vai conseguir o milagre do entendimento, da compreensão, da harmonia. Mas só no primeiro momento, logo as noites mal dormidas pesam, as despesas, o trabalho, tudo faz renascer os problemas ainda com maior vigor.
                Conheço um pai sensacional, daqueles que eu só via nos filmes americanos água com açúcar. Um pai que esqueceu de si mesmo para se dedicar inteiramente àquele serzinho frágil, que morria de amores por ele também. Quando este pai trabalhava demais, a mãe sequer dava banho no bebê, pois tudo era o pai que fazia. Tresnoitado por causa do trabalho, ele não cedia ao cansaço e emendava num jogo de futebol, mesmo sem ter pregado o olho a noite inteira. Pai presente, pai amoroso, pai responsável, pai pra toda obra, o deus do filho.
                Até que um dia, a mãe, que já usara todos os artifícios para machucar e agredir o companheiro, resolve tomar dele o pequeno tesouro, indiferente às lágrimas do menino, à sua palidez, à sua tristeza, comprando com presentes a perda do maior afeto do mundo -  seu pai.
                Uma mãe irresponsável, relapsa, negligente, totalmente incapaz de cuidar bem de uma criança, em detrimento de um pai só amor e companheirismo.
                Numa época em que se celebra casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em que casais gays ou lésbicas adotam filhos, ainda existe este ranço de que as crianças devem ficar com as mães??? Por quê? Onde está a prova de que as mães são sempre mais capazes do que os pais?
                 Neste caso que conheço, por exemplo, a mãe praticamente ignora os princípios mais básicos da educação infantil, tampouco se esforça para formar hábitos ou preparar para a vida. Além do que, o filho não quer ficar com ela, prefere sempre o pai.
                 Então, de repente, aquele bebezinho vira bucha de canhão, usado covardemente para atingir quem cansou de aguentar, de ouvir, de sofrer.
                 E a índole mansa, doce do garotinho se enche de revolta, de precoce amargura, de insegurança, atrasando seus estudos, entristecendo seu olhar, apagando seu sorriso.
                 Depois, na adolescência, quando a revolta costuma gerar comportamentos difíceis e perigosos, geralmente estas mães correm atrás dos pais abandonados e difamados para ver se eles consertam o estrago, quase sempre sem sucesso.
                 Maternidade responsável já!
                 E que os pequenos, vítimas inocentes de lares desfeitos, tenham o direito de conviver com seus pais num clima de respeito, de civilidade, de maturidade.
                 É disso que nossas crianças precisam!


              

terça-feira, 24 de novembro de 2009

OLHANDO PARA O CÉU

                Finalmente as pessoas recomeçam a olhar para o céu!
                Gente que há muito tempo só via os buracos na calçada ou o bico de seu próprio sapato, de repente, anda consultando as nuvens antes de sair de casa.
                Quase não existe mais chuva hoje em dia, só tormenta. Os ventos não baixam de sessenta km por hora e frequentemente passam de cem. Os raios destróem tudo, matam pessoas, liquidam com os eletro domésticos. E a chuva é sempre enxurrada, alagando cidades em poucas horas, derrubando barreiras nas estradas, ilhando animais e pessoas, um caos.
                Por isso, ao ver nuvens carregadas no horizonte, todo mundo começa a ficar assustado, pois sabe que não existe mais chuva de verão, daquelas passageiras só pra refrescar um pouco.
                Continuo achando que o alerta máximo para a manutenção do planeta soou tarde demais. Ou foi ouvido tardiamente.
                Não faz muito tempo que os ecologistas eram referidos como "ecochatos"  quando alertavam, condenavam, tentavam embargar obras que feriam o ecossistema.
                 E agora?
                 Como vamos explicar às crianças que destruímos a casa delas?
                 E que continuamos destruindo, cometendo toda sorte de crime ambiental em nome de um conforto momentâneo?
                  O jeito então é olhar bem para o Céu e tentar se proteger quando a natureza se rebelar.
                  Nós merecemos. Até hoje o plástico polui tudo e nem uma alternativa para as fraldas descartáveis é pesquisada.
                  Duro é saber que as novas e novíssimas gerações é que vão pagar a conta de nossos desmandos.
                 Que mau exemplo e que herança torpe lhes deixamos!

sábado, 21 de novembro de 2009

PRÉ – CONCEITO

             Um conceito anterior ao real conhecimento do caso, da pessoa ou da situação. Aqueles casos em que já vamos “preparados” para (contra) atacar, julgando antecipadamente que seremos atingidos; ou ainda rotulando pessoas, generalizando, sem chances de análise mais acurada.
             Penso, por exemplo, que o preconceito racial existe sim no Brasil e é muito mal disfarçado. Existe em relação aos orientais, mas é facilmente detectado em relação aos negros. Ainda que sejamos todos miscigenados, com cabelos crespos, lábios grossos e bunda grande, fazemos o esforço constante do branqueamento, inclusive casando com arianos para clarear a prole. No Sul e Sudeste do país, para onde vieram os imigrantes italianos, alemães e do leste europeu, com cabelos lisos e dourados, pele alva e olhos claros, esse preconceito é ainda mais arraigado.
            Conheço famílias de origem italiana, no oeste de Santa Catarina, que até pouco tempo proibiam os filhos de brincar “com esses brasileiros”.
            Quem não ouviu (à boca pequena) adjetivos pejorativos relacionados à personagem Helena da novela “Viver a vida”?
            E será que a comoção pela tetraplegia seria tão intensa caso a vítima tivesse sido Helena ao invés da bela loura Luciana?
           O pré-conceito em relação à posição social também é muito forte. Ninguém perdoa o fato do Presidente do Brasil ter sido retirante da seca e metalúrgico e da Primeira Dama ter desempenhado a função de babá na juventude. Até porque aqui as babás não têm o charme das baby-sitters americanas, aqui são empregadas domésticas mesmo.
           Quanto à homofobia, execrável como qualquer preconceito, penso que nesse caso o pecado é menor, uma vez que a homossexualidade também pode ser uma opção, ao contrário de se nascer negro ou pobre. Sabemos que a mudança de classe social é uma exceção por aqui e que ninguém (ou bem poucos) enriquece trabalhando.
           Percebe-se, portanto, um discurso pronto e demagógico do brasileiro, propagando-se livre de preconceitos, etc. Só se for no Norte e no Nordeste, porque, por aqui, é só da boca pra fora.
           No fundo, há um ranço colonialista latente na nossa formação.
           Acha que não?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O TEMPO VOA MESMO!

               Todo mundo acha que o tempo anda correndo bem mais célere. E não adianta dizer que isso só acontece com as pessoas mais velhas, pois mesmo os adolescentes se queixam de que não sobra tempo para nada e que o ano acaba bem antes do previsto. O fim-de-semana então...!
                Cultivo um hábito antigo de, no início do ano, listar minhas prioridades para aquele ano que inicia e afixá-las na parte interna do meu guarda-roupa. À medida que cumpro algum dos ítens previstos, vou riscando. Acho que nunca consegui fazer tudo aquilo a que me propusera, mas neste ano bati meu recorde, pois não atingi nem 20% das minhas metas. Assim é demais! E olha que nem listei coisas mirabolantes, até por conhecer minha nova rotina, mas simplesmente não fiz quase nada do que pretendia. É muito frustrante! Atribuo parte da culpa a essa correira insana dos dias, semanas e meses, que literalmente voam de uns tempos para cá.
                Agora, susto mesmo levei quando me dei conta de que devo recomeçar a decoração de Natal na minha casa. Gente, eu desmontei e guardei os enfeites e a árvore da Natal ainda ontem! Não é possível que já tenha se passado um ano daquele dia, não pode ser!
                E os presentes que tive que trocar, aquela chateação toda não foi dia desses?!
Sinceramente, desta vez fiquei estarrecida.
                Assim vamos morrer logo! Sem tempo de nos preparamos para esta passagem tão definitiva. Você tem rezado? Parece que foi ontem a Páscoa, ressurreição e tudo mais e já estamos comemorando mais um aniversário do Gurizinho lá de Belém.
               Tudo muda, vertiginosamente. Não sei bem para que lado, se para o bem ou para o mal, mas muda. E rápido! Só o Papai Noel continua com a mesma roupa de frio em terras tropicais. Curioso...
                Diz a pseudo-estudante do tal vestido curto que "estamos no século XXI"! Como se a única revolução do novo século fosse derrubar valores, tripudiar sobre o decoro, o respeito às instituições, as regras da vida em sociedade. Grande progresso!
                De um lado, feministas e congêneres gritam contra o "preconceito" (será que elas sabem bem o que isso significa?) e afirmam que cada um pode se vestir do jeito que quiser, quando quiser, assim, liberdade geral, sem responsabilidade alguma.
                De outro, gordos bonachões (loiros de preferência) continuam fazendo "Ho-ho-ho" (que para nós não significa absolutamente NADA) nos shoppings e no comércio em geral, tirando fotos com crianças assustadas, morrendo de calor dentro daquela roupa com peles, sem que se mude uma vírgula desta tradição "importada". Será que para o nosso Natal o tal "século XXI" ainda não chegou?
               Deus do Céu, quanta besteira se diz, se ouve e ainda se repete neste nosso mundinho!
               Que o espírito natalino nos salve de tanta mediocridade, o verdadeiro, aquele do Gurizinho de Belém!