quarta-feira, 7 de outubro de 2009

ETAPAS DA VIDA

             Este é um assunto difícil, polêmico, cheio de regras pouco sinceras e gente tentando segui-las.
              Em que momento se dá a ruptura do filho com o lar de origem e será mesmo necessário este desligamento? Em que níveis ?
               Foi-se o tempo em que os jovens saíam de casa assim que sabiam fritar um ovo ou aquecer um leite, às vezes vivendo de mesada, em busca de uma liberdade e autonomia de fachada, na mais das vezes para poder transar à vontade com quem quisesse e tomar porres homéricos com os amigos sem a família saber.
               A crise econômica e as dificuldades da vida retiveram este jovem mais tempo em  casa, uma vez que os aluguéis estão pela hora da morte e os salários estagnados.
               Como a maioria dos temas que debato, penso que depende do filho e da família. Há os que já nascem querendo voar e vivem de asas quebradas alçando novos vôos. Outros, mesmo na contingência de morarem sozinhos, mantém os costumes familiares e fazem da sua casa uma extensão da casa paterna, inclusive com hábitos bem parecidos.
                Assim, como existem pais e mães que não vêem a hora dos filhos debandarem para poder realizar sonhos muito adiados, ou simplesmente decorarem a casa como lhes der na telha, agora com mais espaços vazios; enquanto outros mantém os quartos dos filhos intactos, numa espera (às vezes inconsciente) de um possível retorno, mesmo que de visita, mesmo que por pouco tempo, ou até como um refúgio seguro para as intempéries da vida.
               Quando os filhos são solteiros e trabalham em outro lugar, o questionamento é inevitável : - Por que não poderiam continuar morando em casa, com as mordomias naturais de uma mãe por perto, as conversas diárias, o cafuné, a roupa passada para sair com os amigos, enfim, uma vida menos sofrida, principalmente para o jovem?
                É claro que isso só é viável numa casa onde há respeito, privacidade, harmonia. Sem invasões ou imposições de rotina, uma vez que se trata de uma convivência entre adultos.
                 Meus filhos só saíram de casa para casar ou para trabalhar em outro estado. E deixaram um vazio que só é preenchido quando eles voltam, mesmo que para uma visitinha rápida. E eu sempre me questiono até que ponto esta ruptura deveria ou não ser mais definitiva e indolor.
                  Até hoje chamo a casa da minha infância de "minha casa", onde está o "meu quarto" e os cantos e recantos da fase mais lúdica da minha vida. Talvez por isso tenha cristalizado os espaços dos meus meninos na minha (nossa) casa também.
                  Está acabando meu tempo "de férias" por aqui e meu coração já começou a apertar. É tão bom despedir e receber meu menino todos os dias do trabalho! Arrumar a casinha dele, as roupas, comprar muitas frutas, verduras, iogurtes, conversar à noite diante da TV, enfim, coisas que muitos pais fazem diariamente com seus filhos e outros, com chances para isso, desperdiçam esta oportunidade brigando, se espezinhando, reclamando de tudo.
                   Sempre saio com um nó na garganta e outro no coração, não tem jeito... isso que lá estão os netinhos à minha espera. Acho que meu coração tem gavetas, pastas, onde cada um tem seu lugar reservado e um não substitui o outro.
                   Vejo tantos pais e tantos filhos completamente distantes e distanciados na vida, curtindo a seu modo sem nem se importar uns com os outros. E ouço muita gente dizer que assim é que é normal. Que a família só tem função até o desenvolvimento do indivíduo.
                    Você pensa o quê? Se quiser me dar sua opinião, acho que hoje estou precisando...

3 comentários:

Silvana Nunes .'. disse...

Maravilha. Excelente espaço para reflexão.
Convido-a conhecer FPOI DESSE JEITO QUE EU OUVI DIZER... em http://www.silnunesprof.blogspot.com
saudações Florestais !

Jeanne disse...

Engraçado, estou falando em desapego lá no blog.
Família é tudo, e nosso coração grande demais para caber dentro do peito.
Nem pessoas nem coisas podem ser substituidas, mas tudo tem seu espaço e seu tempo, dificil é entender e assimilar isto.
Beijos

ONG ALERTA disse...

Sabe aprendi que amor é o melhor remédio, que muitos pais não deveriam ter filhos porque amar um filho é o maior bem que se pode ter, as pessoas estão setornando egoistas e individualistas e acham que seus filhos se criam soltos, a base vem de casa, a base vem do amor incondicional que se dá a um filho então aos pais que ainda podem amar seus filhos e abraça-los que o façam sempre porque amanhã...nunca se sabe como vais er, paz.