terça-feira, 29 de setembro de 2009

MÃE MENINA

              Hoje faz trinta e sete anos que me tornei mãe.
              Lembro de cada detalhe daquelas trinta horas e quinze minutos de trabalho de parto, que culminou numa cesariana de emergência. Curioso é que do que menos lembro é da dor. Marcante ficou meu primeiro contato visual com aquele bebezão rosado, para mim o bebê mais lindo do mundo.
               Nada foi fácil para uma mãe menina, sem experiência nenhuma, atordoada de conselhos dos mais velhos (e todos eram), insistindo no difícil ato de amamentar e querendo fazer tudo sozinha. Sim, porque fiz questão de dar desde o primeiro banho nele sozinha em casa. E lia o livro do Dr. Delamare para qualquer problema e seguia todas as instruções do livro e da pediatra ao pé da letra. Talvez por isso, por toda esta minha determinação em fazer certo sem medir esforços, meu bebê nunca adoeceu. Com nove meses pesava doze quilos e me ajudava a me manter elegante, pois não era fácil carregá-lo ao colo. Caminhou antes dos dez meses e logo falou. E como era lindo...
               Tive mais dois filhos depois, igualmente emocionantes e maravilhosos, cada um com suas peculiaridades, todavia, do primeiro a gente nunca esquece. Tudo é novo, inédito, surpreendente!
                Luciano (é este seu nome) cresceu, sempre estudioso, travesso quando criança e comportado depois da adolescência, louco por mar, surfe, rock e filmes de ação e aventura, curioso com a vida e seus mistérios, compreensivo, companheiro. Fez vestibular para Medicina, passou, se especializou em cardiologia, foi atrás das melhores residências e hoje é o Dr. Luciano. Mas continua sendo o meu menino.
                Bom filho e bom pai, até condescendente demais com o levado Lucas, parecendo avô de tanto carinho, tanta tolerância, tanto "deixa pra lá, ele é criança".
                Trinta e sete anos atrás, a esta hora, eu estava na maternidade, assustada e ansiosa, sem saber bem como seria a minha vida dali em diante. Hoje eu sei que, depois de sermos mães, nunca mais seremos só nós mesmas, nunca mais.
                  Parabéns Luciano! Felicidades meu filho! Tomara que a vida ainda te reserve toda a felicidade que está te devendo!
                  Muitos beijos desta mãe que cresceu contigo, em todos os sentidos, e tem um orgulho imenso do ser humano que tu és e das tuas conquistas.

domingo, 27 de setembro de 2009

SEU JOÃO

                   Casualmente ouvi seu nome, gritado pelos companheiros de trabalho. Ia escrever sem saber como ele se chamava, já que o nome, neste caso, não tem a menor importância.

              Quando destruíram o terreno dos pássaros, bem ao lado do meu prédio, ele foi a primeira pessoa a aparecer. Já o odiei à primeira vista, por vê-lo comandando as máquinas destruidoras e barulhentas.

               É um negro velho, forte, de peito largo, cara sisuda e cabelos quase brancos. Deve ter bem mais de sessenta anos. Desde o primeiro buraco no terreno já aconteceu sob sua supervisão.

              Com minha netinha dormindo no quarto ao lado do mesmo, habituada a ser embalada apenas pelo canto dos passarinhos, antipatizei com ele logo de cara.

              Não sei quantas vezes ela acordou sobressaltada, chorando, por causa do barulho da famigerada serra elétrica; operada por quem? Por seu João, é claro! Reclamei com ele, pedi que colocasse a serra no outro lado do terreno, onde não havia um prédio cheio de crianças tentando tirar uma soneca. Ao que ele, mais sério do que nunca, apenas respondia: “- É obra, senhora! É obra!” Num indisfarçável orgulho.

              Sete horas da manhã (em ponto!) seu João bate um sino e coloca o capacete, faça chuva ou faça sol. O homem não pára um segundo de trabalhar e dar ordens. Um imenso temporal desabando, até com granizo, e seu João dentro de uma valeta instalando as fundações da obra, encharcado até os ossos e sem se abalar.

              Corta madeira, sobe e desce em escadas íngremes, sempre medindo, sempre consultando a planta, sempre dando ordens, sempre sério. Ignora a cantoria e as piadas dos peões; quando muito dá um meio sorriso que nem chega a mostrar os dentes, silencioso como uma abelha na colméia.

             Seu João só pára de trabalhar quando chega o empreiteiro, ou os engenheiros e ele dá todas as explicações. E recebe todas as ordens, sem discuti-las, a não ser tecnicamente.

             Deve ser por isso que um homem velho ainda consegue emprego e é valioso numa construção. É que ele é do tempo em que os patrões mandavam e os empregados obedeciam; do tempo em que os horários eram respeitados, do tempo em que não existia mau tempo que impedisse alguém de cumprir sua função e que não inventavam desculpas e atestados médicos frios para faltar ao serviço.

            Continuo não gostando do seu João, porque ele atrapalha o sono da Bruna, mas aprendi a respeitá-lo tanto que até uma crônica lhe dediquei.

             “– É blog, seu João, é blog!”

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

LUTO

             Não, embora a morte seja prima irmã da vida, não estou de luto...graças a Deus! Já estive por mais de uma vez, no momento quero e preciso falar dele, porque o luto de uma amiga muito querida me fez refletir sobre o que fazemos nessas ocasiões.
             Luto já nos remete a preto,  lágrimas,  tristeza, saudade irremediável.
             Não é fácil falar sobre isso, principalmente numa família onde muitos morreram tragicamente e ficou muita ferida mal cicatrizada.
              A tragédia também é prima da comédia e existe um verdadeiro folclore sobre velórios e enterros, com fatos e coisas inacreditáveis, surgidos do despreparo do ser humano para lidar com a única certeza que tem na vida - que um dia vai morrer.
              Perdi meu irmão caçula com dezessete anos, covardemente assassinado por um traficante (e antes disso por seus falsos amigos), no momento em que decidira voltar para casa e escapar daquele mundo-cão. Pois uma senhora muito bem posta na sociedade, bem escolarizada não disse à minha mãe que se conformasse pois "poderia ter sido pior" ?! O quê pode ser pior do que perder um filho nesta idade e daquela forma??? Imagino que a coitada não tivesse conseguido dizer nada mais adequado simplesmente porque não há mesmo o que dizer.
                 Diante da morte, cada um reage da sua maneira. Uns morrem no velório e no dia seguinte vão a uma festa. Outros brincam no velório e dia seguinte caem em depressão. Muitos choram, poucos renunciam aos programas pré estabelecidos, há até quem queira proibir os familiares de chorar para não prejudicar o morto.
                 É claro que não vou me envolver numa discussão religiosa aqui, pois todas as religiões sabem de onde viemos e poucas se entendem sobre o lugar para aonde vamos.
                 O que quero ressaltar é que o luto deve ser vivido em toda sua tristeza, com toda a dor sentida, porque senão, um dia, esta fase mal disfarçada vai querer vir à tona e as dores serão ainda maiores, pois recheadas de arrependimentos tardios.
                    Diz minha amiga Marília (justificando sua ausência e seu silêncio), após a morte de seu velho pai:  Sou do tipo caramujo. Enquanto não estou totalmente bem, fico escondida dentro da minha clareira interior e por lá fico, quietamente (fico sem vontade de conversar nessas ocasiões), refletindo, organizando os pensamentos, regenerando a alma e me harmonizando.
                    Outra coisa inaceitável é alguém pensar que,  porque as pessoas estão velhas, não farão mais falta. Como?! Se assim tivemos um tempo ainda maior de convivência com elas e estávamos ainda mais acostumados?
                     Parte muito dolorida e difícil do luto é o desmontar, doar ou guardar as coisas que pertenceram àquele que perdemos. Nessa atividade, junto aos objetos, arrancamos pedaços do nosso coração e nos esvaziamos um pouco, como o móvel ou a casa.
                     Minha amiga é uma daquelas pessoas que tudo o que faz faz bem feito. É excelente médica, professora, tem um site belíssimo sobre a nossa terra natal (http://assisbrasil.org/joao/alegrete.htm) e, de quebra,  escreve muito bem. Por isso, faço questão de copiar fragmentos da carta que ela me enviou, porque tem tudo a ver com o tema deste texto. Vejam o quê e como ela diz desta etapa difícil pela qual todos nós já passamos ou um dia passaremos.
                      Desmontar a casa paterna é reavivar a sensação de perda de todo o meu núcleo familiar (agora já se foram todos, só sobrou eu). Ao mesmo tempo, um sentimento de estar destruindo a minha infância e adolescência! A cada revisita à casa, fico lá sozinha, remexendo e separando o que pode ser descartado e doado, em meio a ausências, lágrimas, lembranças e saudades. Volto de lá com o coração rebentado. São saudades dos meus... e da menina e adolescente que fui. Muito duro, amiga! Ver aquela casa vazia, sem viço, sem folhagens, sem enfeites, sem quadros nas paredes; rever fotografias antigas e ver aqueles móveis que tanto valor afetivo tiveram para mim, agora empilhados, mofados ou sujos..., dá um aperto no peito.
               Sei que nem todos têm a mesma capacidade de sentir, ou de se emocionar. Para aqueles cujos sentimentos são verdadeiros e profundos, sei que esta página irá, de alguma forma, sensibilizar.
               O tempo, querida Marília, costuma soprar um pouco nossas feridas para que doam menos. Esquecer não! Mas conseguir lembrar sem sangrar tanto.
              A Primavera está aí, desabrochando em beleza e perfume para nos ajudar a aceitar a vida e a morte como as duas faces da nossa passagem por aqui. O Criador há de saber o que faz!
                     

terça-feira, 22 de setembro de 2009

CONSOLO DE POBRE

              Não posso escrever agora, pois reservei este tempo para visitar outros blogs, ler notícias nos jornais virtuais, responder e-mails.
              Vou fazer um pequeno intervalo só para contar uma constatação que me encheu de esperança.
              Às vezes, ao não receber nenhum comentário nas postagens , a gente fica um pouco desanimada, mesmo tendo escrito para jornal durante tanto tempo, onde o retorno é praticamente nenhum. Deve ser vício de blogueiro.
             Agora, depois de ter selecionado cuidadosamente os blogs de vários escritores, inclusive de jornais locais, com textos ótimos e raríssimos comentários, fiquei mais conformada.
              Acabei de ler o blog de um dos melhores escritores da cidade, com coluna muito lida no jornal e, até onde li, não havia um comentário sequer.
             Então pensei. O importante é que as pessoas leiam, gostem do que leram, voltem a procurar os textos para ler e até indiquem aos amigos.
            Comentar é apenas um detalhe. Legal, é claro. Concreto. Mas não é o mais importante mesmo.
               

sábado, 19 de setembro de 2009

DIA DO GAÚCHO

              Não é fácil falar sobre o gaúcho, exatamente porque muita gente já falou e, mesmo sem esgotar o tema, acabamos caindo no mesmo discurso da valentia, da coragem, da limpidez do olhar, da autenticidade.

              Por não entenderem as razões que levaram os gaúchos a pegar em armas e demonstrar bravura, muita gente os considera petulantes, exibidos, metidos a valentes. Todavia, nenhum outro estado da união teve que brigar tanto para continuar sendo brasileiro. Até hoje o Uruguai e a Argentina espicham o olho gordo para o pampa gaúcho, verdadeiramente semelhante ao deles, com indisfarçável cobiça. Mas os gaúchos são e serão sempre brasileiros.

               O que é ser gaúcho afinal?

                Em primeiro lugar, é ter nascido no Rio Grande do Sul. Os gauchos (sem acento) dos países vizinhos que me perdoem, mas para mim são falsificados, apesar do pampa e dos costumes parecidos. Se nasceu em Alegrete ou em Bagé então, é mais gaúcho ainda!

               O verdadeiro gaúcho conhece (e segue) todos os costumes campeiros, mesmo sem nunca ter morado numa estância.

              Diz Veríssimo que a “termo” (garrafa térmica) deu mobilidade ao gaúcho, então a roda de chimarrão, originária dos galpões, ganhou praças, praias, lojas, escolas, bancos, qualquer lugar. Ele toma mate quente, inclusive, na beira da praia, com um “sol de rachar mamão” (que o certo é mamona).

             Almoço de domingo é churrasco e o resto é perfumaria. Paleta de ovelha é a carne mais apreciada. E só sal grosso, nada de molhos ou temperos.

             Cavalo é o melhor amigo do homem e cusco é cusco.

            Gaúcho só torce para um time, se não for para o Internacional, será para o Grêmio. E ponto. Nem a seleção brasileira vale mais para ele que seu time do coração.

            Ser gaúcho é também olhar com cara de pena para aquele que conta piadas em que o papel do gaúcho é sempre o do veado. Sacudir a cabeça e pensar com seus botões: - Inveja mata!

            Guri, gurizinho, gurizote, guria, guriazinha; doce de festa é “negrinho” e misto quente é torrada. Pão é d’água ou sovado, além do tal “cacetinho”. Nem vou me estender nesta área porque diferenças regionais existem no país todo e não é isso que compõe a essência do gaúcho.

            Para mim, a maior diferença que percebo é o patriotismo exacerbado, o valor dos costumes, o orgulho da terra e do povo. As crianças já aprendem desde pequenininhas a amar sua terra e a preservar sua tradição. O folclore riquíssimo é cuidadosamente passado de geração a geração, mesmo que cada vez menos os gaúchos vivam na zona rural e mais nas cidades.

          Encontramos gaúchos em toda parte, dentro e fora do Brasil e são reconhecidos pela sua simpatia, sorriso aberto, olhar franco, voz forte e pausada, usando “Bah” a toda hora, como interjeição.

         Agora, se em qualquer desses lugares, bem longe do pago, de repente tocar o “Canto Alegretense”, vocês verão que os fortes, os bravos também choram, se emocionam e morrem de saudades da sua terra.

          Parabéns gauchada por mais um 20 de setembro!


          Bom desfile!

"VIVER A VIDA"

             Não, não sou comentarista da Globo. Bem que adoraria ser! Mas lá vou eu comentar outra novela, sempre do mesmo horário (21h), a única que assisto.
             Manoel Carlos já chegou arrasando, pois quase ninguém gosta de início de novela e esta já está cheia de elogios desde o primeiro capítulo. Vamos ver se continuará agradando, ou vai logo "criar barriga".
            Se não fossem as novelas (principalmente deste autor), como eu saberia como os ricos vivem? E esbanjam?!
           Acho tão chique a mocinha pedir apenas uma saladinha de tomate com rúcula de almoço, com um suco de hortelã e ainda deixar tudo no prato porque "perdeu a fome" com os problemas.
          Por que será que pobre come mesmo cheio de problemas? Por que a mãe da gente ensinava que precisávamos comer carne, feijão, arroz, comidas "de sustância"? Aprendemos que salada era só uma entrada e hoje vemos que as chiques, famosas, elegantérrimas, usam as folhas como prato principal e único.
          Búzios é linda! Ponto pro Maneco. É sempre bom conhecer nas novelas lugares por onde nunca andamos.
          Agora, esse negócio de helicóptero, hotel, iate, carro conversível e um homem charmoso de brinde... sei não, parece mais conto de fadas do que aqueles da minha infância, só falta a varinha de condão.
         Como todo brasileiro, sempre digo que não tenho preconceitos. Aliás, digo que meu único preconceito é contra "chinos" (termo gaúcho) , aquelas criaturas abusadas, mal educadas, mal cheirosas, mal vestidas que "se acham".
         Por que será então que aqueles beijos entre José Mayer e Taís Araújo me incomodam tanto? Parece que a todo instante ela vai chamá-lo de "pai". São as rugas dele roçando a frescor da juventude dela. A carência de pai da mocinha e a juventude comprada com muito dinheiro do protagonista. Será apenas uma questão de gosto? Sabem, até que eu encontre uma moça linda, jovem, apaixonada por um homem bem mais velho, pobre, mal vestido, lutando para se manter, eu sempre vou achar que não é amor, que é jogo de interesses. Digo isso há bastante tempo e até hoje ninguém me apontou um caso assim. Então continuo estranhando.
            Já ex-mulher de rico parece não ser tão diferente de ex-mulher de pobre. Se as pessoas, no casamento, tivessem que assinar um termo de "não-posse", quem sabe as separações seriam menos traumáticas e sem tantos barracos. Se partirmos do princípio de que nem os pais são donos dos filhos (quanto mais namorado, noivo, marido) e que não estamos comprando uma propriedade ao casar, quem sabe quantas tragédias poderiam ser evitadas.
            No mesmo horário da estréia da novela de Manoel Carlos, no canal GNT, estava passando um programa chamado "Miss Penitenciária". Aí já é provocação!
           Presidiárias ensaiando para o desfile, fazendo prova de roupa e maquilagem, escovando cabelos, enfim, um verdadeiro camarim do mundo fashion num lugar onde só tem bandidas, traficantes, assaltantes, assassinas. Ou será que tem gente boazinha e inocente na cadeia agora? Não interessa se é bonita. É contraventora e está presa! Se for para desfilar, por que prenderam então?!
           Êta brasilzão véio  errado!

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A FORÇA DA PASSARINHADA

           Bem feito!   Sabiás e bem-te-vis se sobrepuseram à britadeira e conseguiram me despertar... como faziam em todas as primaveras.
          Ainda não há cimento suficiente na execrável obra vizinha e a terra revolta das fundações lhes oferece um banquete.
           Dias virão em que meus amiguinhos terão que procurar alimento em outro terreno baldio, ou nas raras casas que sobrarão aqui no bairro, sufocadas pelos espigões.
           Por enquanto, com as manhãs desabrochando mais cedo, eles fazem sua festa nos buracos da obra antes mesmo dos peões chegarem. E é aquela cantoria!
           Nos finais de semana, então, dá gosto ouvir!
          Nunca tive grandes ambições financeiras. Agora, no entanto, se tivesse bastante dinheiro, compraria o terrreno ao lado, embargaria a obra e faria um lindo parque, cheio de árvores, flores e plantas para a passarinhada se fartar e nos encantar com sua cantoria. Debaixo de uma figueira colocaria um balanço para a Bruna e , ao lado, uma graminha caprichada para o Lucas jogar futebol. De quebra, a Pitty correria o terreno todo e deixaria de ser uma schnauzer gorducha. Ah, e minha mãe leria o Correio do Povo sentada num banco de madeira, na sombrinha.
            Parece um sonho tão simples, nele nem tem iates, palácios, helicópteros, mesmo assim é tão difícil de realizar.
           Quando penso que teria tudo isso na nossa casa de Alegrete lamento os mais de mil quilômetros que me separariam dos filhos e netos. Será que não dá pra trazer Alegrete mais para cá também?
           Para quem vive dizendo que já não tem tantos sonhos assim, às oito horas da manhã já divaguei demais.
           Tudo culpa desta obra.
           Mas hoje a passarada venceu! Pequeninos, esmirradinhos, desarmados e tão fortes quando em bando, com gargantas preciosas e sons maviosos, suplantando os ruídos insípidos e irritantes das máquinas construídas pelo homem.
            Viva a natureza!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

SAUDADES DE MIM

               Já contei aqui que, depois de trinta anos de magistério, aposentei-me e, no momento, sou vovó-babá da Bruninha.
                Tudo tem um sabor diferente, encantador e não há o que se compare ao desabrochar de uma criança.   Cansa, prende, mas é altamente compensador.
                  Agora, de repente, passo os olhos numa entrevista com  Donaldo Schüler, que foi meu orientador no Doutorado em Literatura Brasileira e leio avidamente todas as referências de livros que já li e estudei, outros que usei em pesquisas, mais alguns que ainda preciso ler e me dá uma saudade imensa daquela aluna e professora de Literatura que fui durante tantos anos.
                 É como se eu tivesse cristalizado um outro mundo e uma outra Maria Luiza, numa linguagem para iniciados, com temas específicos da área e um foco de interesse inesgotável. E assim, sem mais nem menos, tivesse sido aberta a cortina que separava este mundo e eu ficasse diante dele num estranhamento absurdo, me achando burra, ridícula, desperdiçada.
                Bobagem, então os grandes estudiosos não limpam sua casa, fazem sua comida, cuidam de seus netos? A não ser no quesito tempo, em que essas tarefas podem lhe emburrecer ou atrapalhar?
                Já tinha sentido algo parecido num concerto, durante o solo de piano.
                É que bailarina eu sei que nunca mais poderei ser, por uma questão da natureza humana. Pianista só depende de estudo. Literata também.
                 Não se pode ser tudo ao mesmo tempo. Há tempo de semear, de cuidar, de colher. No momento, sou expert em troca de fraldas, sei todas as músicas do Cocoricó de cor, conheço todos os desenhos animados da moda e sou frequentadora assídua das pracinhas ensolaradas. Não é melhor nem pior do que dar aulas, apenas diferente.
                Passou.
                Hoje minhas crônicas são saboreadas por mais gente, ao invés daquela linguagem hermética dos que estudam demais.
                Melhor assim.

domingo, 13 de setembro de 2009

CUNHADAS

          Diz o ditado que "cunhado não é parente". Bem, consanguinidade não tem mesmo. Agora, influência tem bastante.
           Numa manhã de domingo finalmente sem chuva, passeando com minha cachorrinha, ia lembrando de uma família que conheci e que me fez repensar esta história de cunhados. Aliás, cunhadas, pois era uma família de cinco filhos homens.
           Os pais muito pobres, quase sem escolaridade, criaram aqueles meninos com o maior sacrifício, em filas para bolsas de estudo, com um único par de sapatos, sem brinquedos comprados, mas bonitos, saudáveis, amigos.
            A gurizada dividia o mesmo quarto, até a mesma cama quando menores e o mesmo feijão com arroz. Deviam ter sonhos parecidos, pois quase não se misturavam com ninguém, uma vez que já eram um time de futebol de salão completo (são cinco né?).
            Imagino o que era para esses meninos nunca ter um adulto para consultar na lição de casa, nem para responder suas perguntas sobre as discilplinas aprendidas na escola.
           Mesmo assim, os cinco conseguiram seus diplomas na faculdade, uns mais rápido, outros precisando de mais tempo, trabalhando para pagar os estudos, pois não tinham base suficiente para ingressar numa Universidade Pública.
          Depois do esforço inicial e dos valores morais, éticos e religiosos passados pelos pais (isso não lhes faltou!), a vida se encarregou de encaminhar cada um deles para um lado. O destino, a sorte, o esforço, a competência, seja lá o que for fez com que cada um deles seguisse para um rumo diferente, uns ganhando muito, outros menos, outros pouco e outros desempregados.
           Aí é que entram as cunhadas. Pois eles já estavam casados, com filhos e os pais velhos e adoentados, em virtude da vida difícil, cheia de sacrifícios que tiveram.
           Imaginem uma família onde as cinco cunhadas são amigas, se dão bem e os primos não sofrem de ciumeiras ou competições estéreis. Ao contrário, são parceiros e se orgulham uns dos outros, apesar das enormes diferenças na criação de cada clã. Assim era naquela família agora mais numerosa ainda. Pois os irmãos melhores de vida ajudavam os que passavam dificuldades com a total concordância de suas esposas.
          Parece uma coisa banal, mas não é. Parece que é o mais justo, normal, esperado diante de irmãos que cresceram juntos e passaram unidos por tanta coisa, mas não é o que se vê por aí.
         Quando lembro da luta desses pais, hoje falecidos, imagino o que deve sentir um pai e uma mãe ao ver que seus meninos criados da mesma forma vivem agora em mundos tão diferentes, uns com tanto, outros sem nada. Deve ser doído.
        Se as cunhadas não fossem tão magnânimas, tudo seria muito pior.
        Claro que existem casos de irmãos onde um trabalha, se esforça e o outro não quer nada com nada e não merece ajuda mesmo.
        Minha reflexão é sobre as famílias onde o esforço é comum, a sorte é que brinca diferentemente com cada personagem.
        O sonho de todos os pais é ver seus filhos sempre unidos, sempre amigos, sempre com chances de conseguir atingir seus objetivos na vida.
        Agora, para que isso aconteça, os cunhados tem que ser um pouco parentes também!

sábado, 12 de setembro de 2009

VEROSSIMILHANÇA

Um final de novela, filme ou livro não precisa ser verdadeiro, pode ser surpreendente, mas verossímil, possível de acontecer.
Voltando às novelas, Caminho das Índias terminou ontem, como todos os finais de novela num final atropelado, cheio de fantasias pouco prováveis, deixando muita gente descontente. O enredo se arrasta, cria barriga, desvia e, de repente, tudo se resolve numa única noite. Como é difícil saber terminar! Até um discurso, tem orador que fica dando voltas intermináveis e não consegue colocar um ponto final em seu pronunciamento, imagine então numa novela de seis meses!
Glória Peres demonstrou, no seu gran finale, sua profunda decepção com as leis, os crimes e os castigos brasileiros. Ficou claro que sua estupefação diante da tragédia acontecida com sua filha e a luta que travou para punir os culpados deixou cicatrizes bem profundas em sua escritura. Se no Brasil só preto e pobre vai para a cadeia, por que na novela haveria de ser diferente?
A punição de Raul Cadore ( que se fingiu de morto para tentar ser feliz) foi muito maior do que a dos bandidos Mike, Ivone, Zeca e seus abomináveis pais.
Aliás, a parte "brasileira" da novela era a que menos me atraía. Quando aparecia o Pão de Açúcar eu já sabia que a novela perderia a graça.
Eu queria conhecer um pouco mais sobre os costumes indianos e consegui. Por isso, a parte que mais me tocou no final foi a interpretação de Maya, no enterro de Raj e ao entregar Nihaj para Copal. Há quanto tempo eu não chorava num final de novela e desta vez as lágrimas correram soltas, mesmo sem querer.
Quando vêem as viúvas, os órfãos, os costumes indianos em geral, os brasileiros respiram aliviados por não viverem sob aqueles costumes, como se aqui a violência, a bandidagem, os abusos contra menores não existissem. Bonito é desrespeitar os velhos!
A próxima novela não terá costumes antigos ou estrangeiros. Será brasileiríssima! Cheia de luxos, divórcios, traições, corpos de fora, prazeres terrenos e extremamente ocidentais.
Difícil da gente se acostumar logo após um Opash Ananda, um Raj, uma Maya, todos os baldis, mamadis e dadis que nos encantaram nos últimos meses.
Depois a gente se acostuma. Até porque não veremos nada além do que vemos todos os dias nas colunas sociais e revistas brasileiras.
Agora, eu sei que vou sentir muita falta dos indianos. Ah vou!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

TRIBOS

O intuito maior da globalização parece ser o de uniformizar, ou pelo menos padronizar melhor a humanidade. Ledo engano!
Quanto mais sabemos do resto do mundo , mais nos damos conta do quanto somos únicos e diferentes uns dos outros, inclusive dentro da própria família.
Com a TV por assinatura , por exemplo, comprovamos "in loco" a disparidade de experiências, concepções e formas de encarar a vida de cada lugar do planeta.
Nem é preciso viajar tanto, temos vizinhos que lavam cada saquinho de leite vazio e outros que pensam que papel higiênico usado é reciclável.
Mulheres que não saem da frente do espelho, ao passo que outras esquecem de si mesmas tentando ajudar os outros, ou se julgam felizes apenas por serem "normais".
Homens românticos, homens másculos, homens mulherengos, homens charmosos, homens truculentos... e por aí afora.
Tem gente movida a paixão, a flores, a tesão, a dinheiro, a elogio.
Tem bandido que não teve escolha e bandido que teve todas as oportunidades.
Pessoas trabalhadeiras, honestas, simples, morrendo por conta de tornados (que nem existiam por aqui) e outras incendiando ônibus em represália à transferência de bandidos.
Felicidade existe? Ou são momentos felizes... e fugazes na maioria das vezes?
Se, no final das contas, o amor, o frio na barriga, o coração disparado se transforma em amizade, qual a diferença do esposo (a) para os demais amigos? Poder-se-ia casar com qualquer amigo então?
Pessoas cometem loucuras por conta dos vícios, por que será que não há absolvição para os crimes causados por um desfalecimento, uma onda de amor daquelas tipo tsunami mesmo?
Será que flerte ainda existe? Mesmo que tenha outro nome, mas aquele olhar profundo, fixo, colado aos olhos do outro por minutos intermináveis...
Será que o coração ainda dispara quando se dança pela primeira vez com uma paquera ? Nem sei se ainda dançam junto, de rosto colado, mãos úmidas.
Como nos deixamos encapsular nas miudezas da vida e esquecemos de sentir essas sensações?
Que me importa saber como os nova iorquinos, os gregos, os turcos, os russos vivem?
Não posso deixar de prestar atenção em como EU vivo, porque minha vida dificilmente será assistida ou estudada pelo mundo afora e eu não posso desperdiçar meu tempo por aqui apenas aplaudindo os outros , ou conhecendo animais exóticos , ou costumes diferentes.
Não sou egoísta, nem me considero uma ilha, apenas peço licença para me recolher um pouco dentro de mim mesma e me ouvir.
É muito importante!

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

PÁTRIA MINHA

Sempre tive muito orgulho de ser brasileira! Aliás, alegretense, gaúcha e brasileira - exatamente nesta ordem.
Quando pequena, marchava como soldado nas Paradas da Mocidade. O desfile passava em frente à minha casa e a família, da sacada, se deliciava com meu garbo infantil.
Aprendi com meu pai a reverenciar minha terra e a levá-la sempre muito a sério.
Mais tarde, tive uma passagem muito rápida como baliza, pois o seu Ramos entendeu que minhas pernas já não eram tão infantis para serem mostradas na praça.
Como não era muito alta, nem muito baixa e suficientemente exibida para desfilar no meio do pelotão, as declamações e solos no Orfeão me valiam sempre um lugar de destaque, separando os pelotões.
Mais tarde levei bandeiras e taças, sempre inchada de orgulho!
Meu uniforme ficava impecável na véspera, os sapatos brilhando e o coração verdadeiramente emocionado , com toda a pompa e circunstância que os desfiles estudantis causavam. Gente aglomerada nas ruas desde cedo, acotovelando-se para não perder nada, assim como hoje fazem para o desfile dos gaúchos e para o Carnaval. Passávamos a manhã toda concentrados numa rua distante, porque o Instituto de Educação Oswaldo Aranha era sempre quem fechava o desfile, mais tarde complementado pelos cursos superiores da Fundação Educacional de Alegrete. Os concursos de bandas Marciais eram empolgantes o o Hino Nacional cantado diariamente nas escolas e na praça, junto ao fogo simbólico.
Os cadernos traziam a letra dos principais hinos pátrios nas contracapas e tínhamos aulas de Moral e Cívica e Organização Social e Política Brasileira.
O que houve com o patriotismo em nossos dias?
Por que só se fala mal do Brasil e dos brasileiros?
Por que só se torce contra?
Por que os professores só fazem reclamar salários e denegrir a imagem do país, quando sempre ganharam pouco e, mesmo assim, nos ensinavam a ter orgulho de nossa brasilidade?
Meus filhos nunca desfilaram num 7 de setembro! Para meu pesar. Já são de uma geração onde desfile bonito é de carros alegóricos e mulheres seminuas.
Tenho medo que meus netos tenham que pensar para responder em que país, estado e cidade nasceram. Tudo é tão "moderno" que, após três anos de colégio, Lucas não sabe nem fazer o sinal da cruz.
Quando se viaja para fora do Brasil nosso amor à pátria cresce, pois constatamos que aquelas maravilhas arquitetônicas são cheias de problemas também, com preconceitos, corrupção, injustiças sociais, desorganização e ainda um mau humor que raramente se vê por aqui.
7 de setembro - Dia da nossa Independência! Parabéns Brasil! Obrigada D. Pedro I!

domingo, 6 de setembro de 2009

BOM DIA!

Porque hoje é domingo, os operários da construção vizinha estão descansando e os passarinhos vieram me acordar, quero dar um BOM DIA! a todos que: - adoram o domingo, porque não precisam sair para trabalhar e podem gerenciar seus horários a seu bel prazer; - detestam os domingos, porque são obrigados a ficar confinados com a família e preferem a companhia lúdica dos colegas de trabalho; - acham que domingo é sinônimo de esporte e futebol (mesmo que seja só pela TV) e tomam uma overdose de bolas até acabar o dia; - detestam a TV dos domingos e aquela quantidade infernal de jogos; - são atletas domingueiros e voltam cheios de dores, de cãimbras, de distensões e de bolhas nos pés; - a quem mora perto da praia, onde não faz frio e vai literalmente lavar a alma na água do mar; - a quem começou o dia rezando; - a quem ficou mateando na paz dos domingos, o pensamento longe (matear = tomar chimarrão); - a quem dormiu "de mal", quase caindo da cama e acordou "de conchinha". E vice-versa; - a quem adorou o resultado do jogo Brasil x Argentina ontem; - a quem sempre torce pelo Brasil, em tudo; - a quem sempre torce contra, em tudo, só para poder criticar; - a quem vai almoçar fora, gastar mais do que deveria e ainda ficar reclamando da comida e do atendimento; - a quem vai preparar um almoço em casa e a comida vai deixar muito a desejar; - a quem vai transformar o almoço num banquete e receber muitos elogios; - a quem vai comer só porcarias diante da TV; - ao filho que mora perto e está sempre por aqui; - ao filho que mora longe, mas está sempre perto; - ao filho que mora perto e está sempre longe; - a quem passou a noite no MSN e hoje está cheio de arrependimento; - a quem nem pensa em levantar e fica só virando de lado na cama; - a quem já leu os jornais e gostou mais dos Classificados; - a quem acha que domingo é dia de lembrar da família e dos amigos; - a quem adora telefonar aos domingos; - a quem detesta telefonar aos domingos; - a quem se olhou no espelho e gostou do que viu; - a quem se olhou e detestou o que viu, pensando em como consertar o estrago do tempo e da falta de cuidados; - a quem bebeu e fumou demais e hoje tem a boca amarga, o fígado revolto e a promessa do "nunca mais"... pelo menos até o próximo sábado; - a quem beijou demais ontem e se arrepende; - a quem beijou de menos ontem e se arrepende também; - a quem pensa constantemente na vida e no sentido dela e hoje tem tempo de sobra para isso; - a quem nunca pensa na vida e não vai ser hoje que vai pensar; - a quem gostou do que leu e acha que consegui mapear a maioria das características domingueiras e por isso vai recomendar o blog a um amigo; - a quem não gostou de nada, não se achou em nenhum ítem e, por isso, vai noticiar o blog para todos os seus desafetos; Para todos vocês enfim, queridos leitores, um BOM DIA e BOM DOMINGO muito especiais!

sábado, 5 de setembro de 2009

RECADO AOS FUMANTES

                               Dedico este texto a todos que ainda não conseguiram deixar de fumar - a um em especial!    

                              Já escrevi uma crônica - "A Vida sem fumaça"- que elucida bem a realidade de um ex-fumante. Se alguém tiver interesse, posso republicar aqui.

                                  Como para quase tudo na vida, as frases feitas e desgastadas de pouco adiantam. Todo fumante sabe que cigarro faz mal à saúde. Quase todo o fumante tem vontade de largar o cigarro. A implicância dos não fumantes só consegue irritar ainda mais o fumante, que se sente desafiado. Quem nunca fumou não consegue avaliar, nem opinar sobre a dificuldade de abandonar o vício. É difícil enxergar naquele rolinho de papel branco as dezenas de doenças que ele provoca. As espirais de fumaça são lúdicas e, sem elas, metade do prazer desapareceria. É estarrecedor o número de doenças advindas do tabagismo! Cinquenta! Sendo doze tipos de câncer!
                                 Fumantes passivos sofrem ainda mais os efeitos do cigarro, porque aspiram a fumaça sem filtro. Crianças inocentes já crescem com as vias respiratórias comprometidas nas casas de fumantes.
                           As mulheres sofrem ainda mais que os homens, por conta das peculiaridades do seu organismo e do uso de hormônios.
                              A maioria das pessoas só para de fumar quando dá entrada em um hospital e não morre.
Como ex-fumante e sem dourar a pílula, vou deixar claro meu ponto de vista.
                           Só consegue parar de fumar quem estiver disposto a sofrer um pouco e a enfrentar este sofrimento, de olho num bem maior. E ponto.
                             Como costumo dizer, o resto é literatura.
                            A vantagem , talvez a única imediata, é que a cada dia de sofrimento advém uma melhoria na qualidade de vida, seja no viço da pele, na volta do olfato, na qualidade do sono, no apuro do paladar e, principalmente, na satisfação pessoal de saber que, pelo menos por aquele dia, a gente conseguiu!
                            Os elogios, o perfume da roupa e dos cabelos, a liberdade de não precisar frequentar os guetos dos fumantes ou congelar nas sacadas por conta do vício, isso tudo é um acréscimo prazeroso.
                             E é bom saber que o primeiro dia é o mais difícil e, mesmo imperceptivelmente, a cada dia a dependência enfraquece, até ser vencida.
                           Portanto meu amigo, nada de ficar se protegendo com frases vazias como "todo mundo vai morrer" ou "quem não fuma morre também".
                       Não podemos evitar todas as doenças, mas não precisamos comprá-las em maços no boteco da esquina!
                             CORAGEM!!!


sexta-feira, 4 de setembro de 2009

OS "ZECAS" DA VIDA"

Antes de mais nada, deixa eu me desculpar com vocês, pois ainda estou apanhando neste blog novo e não consigo ajeitar o texto bonitinho, com os parágrafos corretos como gosto.
Há quase trinta anos, quando meu filho caçula foi batizado, no curso de pais e padrinhos da Igreja Católica o padre falou uma coisa que, na época, me pareceu forçada, mas hoje percebo o quanto de verdade havia ali.
Ele falou que o pilar que sustentava a sociedade era a família e que, se a família se deteriorasse, toda a sociedade desmoronaria.
Os divórcios e casamentos subsequentes foram sendo facilitados, os filhos muitas vezes virando "bucha de canhão" na guerra dos pais, as adolescentes despejando crianças no mundo à torto e à direita, os miseráveis fazendo filhos (e os criando) até debaixo de viadutos, pais, tios e padrastos abusando de crianças, enfim, uma família "rodriguiana", porque podre em suas bases, corroendo como a pior das ferrugens os pilares da ponte que continha a sociedade.
Não daria para listar aqui os tipos de pais, de mães e de filhos que já tenho catalogados. Daqueles das favelas já conhecemos bem os vícios, a irresponsabilidade, a violência, a ausência. E os bem sucedidos economicamente? Serão todos responsáveis, cidadãos, educadores? Quem já não viu um paizão, com carrão, incentivando o "filhinho" a ser marginal?
Mais uma vez Glória Peres colocou o dedo na ferida. E como a novela está no final, quero falar dela logo, pelo menos dos modelos que mais me indignaram.
Trabalhei trinta anos com jovens, de todas as classes sociais. É claro que tive pais de alunos primorosos, também em todas as classes sociais. Agora, quando ao pai bobalhão, irresponsável e truculento, é dado dinheiro e poder, aí a coisa degringola de vez!
São pais (pai e mãe, mas principalmente os homens) que admiram todas as malcriações e irreverências de seus rebentos, desde a mais tenra idade. Mandam revidar qualquer ofensa, ou bater no amiguinho do jardim da infância, como se a vida fosse um saco de pancadas.
Quando crescem, viram um "Zeca" desses da novela. Superprotegidos, comprados com presentes, incentivados no desrespeito aos mais velhos e a todos que ganharem menos que ele, como os professores, por exemplo.
Dia desses, vi no orkut um jovem xingando dos piores nomes uma senhora, só porque ela era mãe de um ex-namorado da namorada dele. Como um jovem faz uma coisa dessas? Que valores deixou de receber na família? Como se atreve a ofender alguém tão mais velha, que ele nem conhece, assim gratuitamente? Serão esses os futuros governantes do país, ou de qualquer posição na sociedade? Será que eles pensam que a juventude é eterna? Ninguém lhes contou que, com a idade, a gente cresce em sabedoria e maturidade?
Tenho certeza absoluta de que meus filhos JAMAIS ofenderiam uma pessoa mais velha, muito menos gratuitamente.
Sei que eles abominam todas as atitudes do Zeca da novela e de quem a ele se assemelha.
Ainda bem.
Nossos diálogos intermináveis não foram em vão.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

NOVELAS INDIANAS PARA BRASILEIRAS

Quem me acompanha há mais tempo, no jornal ou no blog antigo, sabe que não abro mão de assistir à novela das 21h da Rede Globo. Isso há muitos anos. É minha porção feminina e romântica que reclama, ainda que as novelas de hoje sejam bem pouco românticas e quase nada femininas. Acostumei e acabo sempre acompanhando, até mesmo pelo horário, logo após o jantar, quando é cedo para ler e dormir. Gosto muito das novelas de Glória Peres, quase tanto quanto gostava das de Janete Clair. A dose de realismo que ela acrescenta à ficção sempre é útil e ajuda a puxar a orelha dos que se fingem alheios à realidade de tantas pessoas, com os mais variados tipos de problemas e/ou limitações. Claro que, junto a isso, há muita beleza, muita fantasia, muita jóia falsa (neste caso da Índia então!). O problema é que até para se assistir a uma novela é preciso discernimento, uma razoável bagagem cultural e um bom aproveitamento escolar também. Pois há telespectadores que, mesmo com alguns diplomas, nem sequer sabem onde fica a Índia. Por exemplo, vou contar um caso recente de uma mulher que vive menosprezando o marido e a vida que ele lhe pode dar, dizendo-se injustiçada por não poder ir para a Índia e viver só dançando, coberta de jóias. Isso que o coitado trabalha bem mais do que o Raj e ela não faz nada, absolutamente. Usando as personagens da novela como comparação, pode-se dizer que a pobre moça (nem tão moça) tem o caráter da Súria e da Ivone juntas, sem a beleza delas. Sua aparência, seu desleixo é de uma dáliti, além do odor pesado de muitos cigarros e pouca higienização. Seu comportamento só se assemelharia talvez ao da Deise (e seus mantras), volta e meia beirando o ridículo. Em resumo, a infeliz se imagina uma Maya na novela, mas qual! Por isso, até para assistir a uma novela é preciso um estofo de conhecimento, de caráter e de pés no chão, para que não sejam criadas fantasias infantis que nos façam incomodar mais ainda as pessoas à nossa volta. Creio que essa imaginação, hoje em dia, só poderia existir numa menina de sete, oito anos, pois a partir dos dez, doze elas já sabem discernir muito bem a realidade da fantasia. Nem todas, mas as “normais”. Ah, lembrando que minha personagem está bem acima do peso, paro para questionar: - será que na Índia ninguém é gordo? Isso se deve ao “chai”? Ou à ausência dos refrigerantes e fast foods? Ou ainda porque, mesmo na casa das mulheres de casta, quem cozinha para a família é sempre a dona da casa? É, a novela está acabando, Glória Peres, mais uma vez, foi um sucesso! Manoel Carlos já está gravando a próxima. Quem será que esta pobre mulher vai querer ser desta vez?...

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

IPÊS FLORESCIDOS

Por mais atribulada que esteja a minha vida, eu me recuso a ignorar a natureza! É ela quem me faz refletir sobre as coisas realmente importantes da nossa caminhada neste mundo.
Tentando aceitar o que não pode ser mudado e me conformar com o desatino e a maldade de certas pessoas que o destino insiste em colocar bem perto de nós, eis que ergo os olhos e me deparo com os ipês amarelos florescendo! Sinal de que o tempo vai esquentar, que não haverá mais geada e que as ruas de Curitiba ficarão ainda mais lindas, pois são recheadas desta árvore.
Aqui na minha rua também existem dois pezinhos, nem tão copados, jovens ainda, mas que já alegram a paisagem por onde temos que passar.
No meio da quadra há um terreno abandonado, à venda (certamente para construírem outro espigão), com o mato crescendo desordenado em torno das ruínas da casinha e a mais linda azaléia que já encontrei! Sem nenhum cuidado, ela floresce compacta, redonda, soberana, no meio do desalento de uma história triste, onde o homem sacrificava ao máximo a mulher, com suas exigências e sua loucura e, ao morrer, a rua toda respirou aliviada pelo destino daquela pobrezinha; agora ela poderia ver suas novelas, conversar com as vizinhas, mostrar suas flores, sem os gritos impertinentes do brutamontes. Pois bem pouco tempo depois, uma simples gripe (nem era essa de agora) levou-a ao hospital, transformou-se em pneumonia e a matou. Dizem que ele veio buscá-la... não sei... só sei que a azaléia que a orgulhava tanto resiste até ao descaso dos filhos, que nem aparecem no lugar onde sua mãe morava.
É, a Primavera se anuncia da forma mais bonita e peculiar - ofertando suas mais belas flores ao olhar de quem sabe admirá-las, sem cobrar nada por isso.
Repare nos ipês! Estão ficando lindos!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

QUERO SER VOVÓ!

Graças ao bom Deus, já tenho um casal de netinhos lindos!
Só que ainda não consegui ser "vovó" deles. Sou mais mãe-vó, vó-babá, super nanny, coisas do gênero.
Para o mais velho (de seis anos), além do carinho extremo, exerço o papel de educadora. Vivo corrigindo, ensinando, preparando para a vida, mostrando o lado melhor e mais certo de fazer as coisas.
Para a pequenina (de quinze meses) sou uma mistura de mãe e avó, pois cuido dela dez horas por dia, todos os dias, desde que acabou a licença-maternidade de sua mãe.
Reflexiva como sou, fico conjeturando porque o papel dos avós anda assim meio misturado com o dos pais. A resposta não é difícil de encontrar : pai e mãe trabalhando o dia todo para conseguirem ter um padrão razoável de vida. Claro que existem as escolinhas, as creches onde as crianças passam os dias inteiros, junto a outras crianças em igual situação. Brincar com outras crianças é saudável e necessário, só que não deveria ser a rotina maior do dia. Bom mesmo era ficar na sua casa, com a sua mãe ou com uma boa empregada. Dormir na sua cama, brincar com seu cachorrinho, lanchar o que gosta na hora que tem vontade, enfim, coisas que eram comuns a todas as crianças e que hoje pertencem a um passado difícil de ser reeditado.
Aos avós cabia, no máximo, supervisionar as empregadas para que tratassem bem das crianças e não comessem o lanche delas. Tricotar, brincar um pouco durante as visitas, cozinhar suas preferências, bater palmas nas festinhas do colégio, carregar a carteira cheia de fotos dos netinhos para mostrar aos amigos.
Claro que todas as casas tinham um pátio ensolarado, quintal com árvores frutíferas, jardim cheio de flores e borboletas (raridade hoje em dia).
Nos dias atuais, as crianças precisariam ficar o dia inteiro trancadas num apartamento cheio de grades, assistindo programas nem sempre educativos na televisão, jogando vídeogame ou no computador, com acesso irrestrito a tudo o que quisesse ver. Nesse caso, a escola o dia inteiro ainda se torna uma melhor opção.
Os primeiros mestres - DE TUDO - são os pais. Dos valores mais simples, como a honestidade e a justiça, aos preceitos religiosos, cabe aos pais apresentá-los aos filhos, moldando seu caráter e garantindo uma vida com muito mais sentido.
Infelizmente, não é isso que se vê hoje. Os pais parecem muito mais envolvidos com o capitalismo, com os bens, com o prazer imediato do que com a formação moral dos filhos.
Para não se incomodarem, enchem as crianças de brinquedos descartáveis, de lanches artificiais, refrigerantes, salgadinhos e chocolates, sem se darem ao trabalho de ensiná-los a comer comidas saudáveis e seguirem uma rotina de sono, alimentação e lazer.
Os filhos são os donos da casa e da rotina dos pais, exigindo (aos gritos às vezes) a satisfação de todas as suas vontades.
Realmente, educar dá trabalho!
Por isso, só os casais realmente preparados e dispostos a cumprir esta verdadeira missão de pais é que deveriam ter filhos.
Caso contrário, os avós não poderão exercer seu verdadeiro papel, tentando suprir carências e lacunas de uma função que não é mais sua, ou não deveria ser.