domingo, 13 de setembro de 2009

CUNHADAS

          Diz o ditado que "cunhado não é parente". Bem, consanguinidade não tem mesmo. Agora, influência tem bastante.
           Numa manhã de domingo finalmente sem chuva, passeando com minha cachorrinha, ia lembrando de uma família que conheci e que me fez repensar esta história de cunhados. Aliás, cunhadas, pois era uma família de cinco filhos homens.
           Os pais muito pobres, quase sem escolaridade, criaram aqueles meninos com o maior sacrifício, em filas para bolsas de estudo, com um único par de sapatos, sem brinquedos comprados, mas bonitos, saudáveis, amigos.
            A gurizada dividia o mesmo quarto, até a mesma cama quando menores e o mesmo feijão com arroz. Deviam ter sonhos parecidos, pois quase não se misturavam com ninguém, uma vez que já eram um time de futebol de salão completo (são cinco né?).
            Imagino o que era para esses meninos nunca ter um adulto para consultar na lição de casa, nem para responder suas perguntas sobre as discilplinas aprendidas na escola.
           Mesmo assim, os cinco conseguiram seus diplomas na faculdade, uns mais rápido, outros precisando de mais tempo, trabalhando para pagar os estudos, pois não tinham base suficiente para ingressar numa Universidade Pública.
          Depois do esforço inicial e dos valores morais, éticos e religiosos passados pelos pais (isso não lhes faltou!), a vida se encarregou de encaminhar cada um deles para um lado. O destino, a sorte, o esforço, a competência, seja lá o que for fez com que cada um deles seguisse para um rumo diferente, uns ganhando muito, outros menos, outros pouco e outros desempregados.
           Aí é que entram as cunhadas. Pois eles já estavam casados, com filhos e os pais velhos e adoentados, em virtude da vida difícil, cheia de sacrifícios que tiveram.
           Imaginem uma família onde as cinco cunhadas são amigas, se dão bem e os primos não sofrem de ciumeiras ou competições estéreis. Ao contrário, são parceiros e se orgulham uns dos outros, apesar das enormes diferenças na criação de cada clã. Assim era naquela família agora mais numerosa ainda. Pois os irmãos melhores de vida ajudavam os que passavam dificuldades com a total concordância de suas esposas.
          Parece uma coisa banal, mas não é. Parece que é o mais justo, normal, esperado diante de irmãos que cresceram juntos e passaram unidos por tanta coisa, mas não é o que se vê por aí.
         Quando lembro da luta desses pais, hoje falecidos, imagino o que deve sentir um pai e uma mãe ao ver que seus meninos criados da mesma forma vivem agora em mundos tão diferentes, uns com tanto, outros sem nada. Deve ser doído.
        Se as cunhadas não fossem tão magnânimas, tudo seria muito pior.
        Claro que existem casos de irmãos onde um trabalha, se esforça e o outro não quer nada com nada e não merece ajuda mesmo.
        Minha reflexão é sobre as famílias onde o esforço é comum, a sorte é que brinca diferentemente com cada personagem.
        O sonho de todos os pais é ver seus filhos sempre unidos, sempre amigos, sempre com chances de conseguir atingir seus objetivos na vida.
        Agora, para que isso aconteça, os cunhados tem que ser um pouco parentes também!

2 comentários:

Rose disse...

Maria Luísa muito reflexivo este teu texto, pensei na hora nos cunhados egoístas lá de casa.

Jeanne disse...

Esta família está de parabéns pela lição de solidariedade...
beijos