segunda-feira, 30 de novembro de 2009

FALTA DE BERÇO

               Sei que as exceções existem, mas não me baseio nelas para fazer esta reflexão. Até porque, se formos fundamentar alguma coisa com base nos casos raros, dificilmente chegaremos a algum lugar.
                Muitas vezes ouvi a expressão "falta de berço", quase sempre com a conotação de que a pessoa referida pertencia a uma classe social inferior. A relação deve ser com o fato de que crianças muito pobres nem berço para dormir possuem.
                 Prefiro estender o sentido a uma educação de forma mais ampla, listando como "sem berço" as pessoas que não tiveram uma família que lhes transmitisse valores essenciais à convivência humana. Gente que deixa os filhos irem crescendo como erva daninha, pra todos os lados, satisfazendo seus desejos e evitando o estresse natural da educação.
                 Assim como os bons ensinamentos e exemplos, os maus também vão sendo transmitidos "de pai pra filho", perenizando atitudes predatórias na sociedade.
                  A pessoa pode se formar (universidade não encurta a orelha de ninguém), pode enriquecer (nem tudo o dinheiro compra), todavia, um dia, aquela falta de valores e educação negados na infância e na adolescência vai aflorar e o fulano não vai saber lidar com cargos e salários muito além da sua própria dimensão - e vai meter os pés pelas mãos! Ou o dinheiro na cueca, nas meias, nos panetones, enfim, vai mostrar publicamente seu lado podre, exatamente onde faltou a autoridade e a estrutura familiar.
                  Não encontro mais adjetivos que expressem fidedignamente minha náusea em relação aos políticos brasileiros. São atos inomináveis, que tripudiam sobre o povo, sobre o voto, sobre a democracia.
                  Gente desclassificada que sai de cena e logo retorna, aclamada pelo próprio povo que  saqueou.
                   Não tenho mais tesão para escrever sobre a política e os políticos. Creio que estou perdendo até a capacidade de me indignar. Só sinto nojo! Nojo de ser obrigada a votar (sem eleição talvez fosse até pior), de sustentar esta corja, de ver o trabalhador sofrendo, penando enquanto a camarilha embolsa seu dinheiro suado e faz uma festa orgiástica nos impostos sobre tudo.
                   É um verdadeiro carnaval de contratações, de licitações, de passagens, de auxílio para isto e aquilo, de bolsa isto e aquilo, de viagens pra todo canto do mundo, de vereadores pipocando em progressão geométrica, de salários subindo sem parar apenas para os políticos, de aposentadorias mirabolantes, com mandatos eternos, enfim, um crime constante contra o povo brasileiro, que até hoje não aprendeu a votar, vota sempre errado e nem se lembra em quem votou.
                   Meu pai contava que, na sua juventude, os vereadores não recebiam salário, tinham suas profissões e, por serem homens públicos altruístas e impolutos, reuniam-se semanalmente para deliberar sobre as necessidades do município.
                    Se ainda fosse assim, DUVIDO  que algum desses políticos iria querer se manter no cargo. Pulariam fora na mesma hora, procurando uma outra têta para mamar.
                    Que nojo!

sábado, 28 de novembro de 2009

SUGADORES DE ENERGIA

                Ouvi este termo em um programa de TV e achei PERFEITO para descrever certas pessoas.
                 Gente que nos deixa literalmente derrubados com a sua presença. Nos sentimos sem forças, sugados, moles, assim como ficamos antes de uma gripe.
                  Sem falar nas plantas - coitadas! - que literalmente murcham, às vezes até secam e morrem. Tive a comprovação que o tal "olho de seca pimenteira" existe mesmo! Tinha floreiras de pimentas lindas na sacada (vejam a foto) e, de uns tempos para cá, não ha cristão que dê jeito nelas, é uma praga atrás da outra!
                  Por outro lado, existem pessoas de luz, generosas, verdadeiras, que sempre iluminam tudo por onde passam, colorindo a vida, levantando o astral dos amigos, distribuindo força, carinho e sorrisos por onde passam. E o melhor é que estas pessoas recebem de volta o que oferecem e são sistematicamente mais felizes.
                  O inverso é verdadeiro e as sugadoras de energia ordinariamente são muito infelizes, atraindo tudo de ruim que existe no universo, adoecendo a si mesmas e a todos que as rodeiam, num círculo vicioso macabro.
                   Existe gente de todo tipo e muitos sugadores tentam reverter suas características, procurando ajuda.
                   A grande maioria, infelizmente, parece que se compraz em semear o mal, cuidando com desvelo de suas plantinhas demoníacas para infernizar a vida dos outros.
                   Enfim, dessas pessoas penso que o mais viável é correr, ficar longe, cair fora!
                   Enquanto temos energia para isso.

                   








quinta-feira, 26 de novembro de 2009

CINQUENTINHA

               Vou cobrar direitos autorais.
               Não é a primeira vez que invento um termo e "misteriosamente" ele aparece na mídia tempos depois.
               Numa crônica antiga cunhei o termo "oscarito", numa alusão ao Oscar, para ser dado ao filme Central do Brasil, já que ele não levara o prêmio da Academia. Publiquei no jornal e tudo. Tempos depois, li que pretendem mudar o prêmio "kikito" do Festival de Cinema de Gramado (termo que não significa mesmo nada) para "oscarito". Coincidência...
               Bem, há sete anos escrevi uma crônica intitulada "Adoráveis Cinquentinhas",(em oposição ao pesado termo "quarentonas"),que foi premiada em concurso e publicada em livro. Há dois anos criei meu primeiro blog com este nome que, inclusive, mantive no endereço do "Simplesmente Maria".
                Pois bem, Aguinaldo Silva (parece que é ele) assina a próxima minissérie da Globo, intitulada "Cinquentinha".
                E agora? Quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha? Imaginem se alguém vai admitir que uma escritorazinha desconhecida tenha criado o termo primeiro!
                Mas criei. E o seu Aguinaldo, se não me copiou, teve a mesma idéia, bem depois.
                 

FILHO NÃO É ESPARADRAPO

              Quase sempre o que começa mal termina pior.
              Num relacionamento, quando as desavenças são frequentes, quando não existe respeito e o amor já está morto e enterrado, a coisa mais errada é fazer um filho para ver se conserta o inconsertável.
               Filhos são bênçãos para "lares", para "casais" e não para dois inimigos coabitando num mesmo espaço.
               Num primeiro momento, pode parecer que aquele chorinho novo vai conseguir o milagre do entendimento, da compreensão, da harmonia. Mas só no primeiro momento, logo as noites mal dormidas pesam, as despesas, o trabalho, tudo faz renascer os problemas ainda com maior vigor.
                Conheço um pai sensacional, daqueles que eu só via nos filmes americanos água com açúcar. Um pai que esqueceu de si mesmo para se dedicar inteiramente àquele serzinho frágil, que morria de amores por ele também. Quando este pai trabalhava demais, a mãe sequer dava banho no bebê, pois tudo era o pai que fazia. Tresnoitado por causa do trabalho, ele não cedia ao cansaço e emendava num jogo de futebol, mesmo sem ter pregado o olho a noite inteira. Pai presente, pai amoroso, pai responsável, pai pra toda obra, o deus do filho.
                Até que um dia, a mãe, que já usara todos os artifícios para machucar e agredir o companheiro, resolve tomar dele o pequeno tesouro, indiferente às lágrimas do menino, à sua palidez, à sua tristeza, comprando com presentes a perda do maior afeto do mundo -  seu pai.
                Uma mãe irresponsável, relapsa, negligente, totalmente incapaz de cuidar bem de uma criança, em detrimento de um pai só amor e companheirismo.
                Numa época em que se celebra casamentos entre pessoas do mesmo sexo, em que casais gays ou lésbicas adotam filhos, ainda existe este ranço de que as crianças devem ficar com as mães??? Por quê? Onde está a prova de que as mães são sempre mais capazes do que os pais?
                 Neste caso que conheço, por exemplo, a mãe praticamente ignora os princípios mais básicos da educação infantil, tampouco se esforça para formar hábitos ou preparar para a vida. Além do que, o filho não quer ficar com ela, prefere sempre o pai.
                 Então, de repente, aquele bebezinho vira bucha de canhão, usado covardemente para atingir quem cansou de aguentar, de ouvir, de sofrer.
                 E a índole mansa, doce do garotinho se enche de revolta, de precoce amargura, de insegurança, atrasando seus estudos, entristecendo seu olhar, apagando seu sorriso.
                 Depois, na adolescência, quando a revolta costuma gerar comportamentos difíceis e perigosos, geralmente estas mães correm atrás dos pais abandonados e difamados para ver se eles consertam o estrago, quase sempre sem sucesso.
                 Maternidade responsável já!
                 E que os pequenos, vítimas inocentes de lares desfeitos, tenham o direito de conviver com seus pais num clima de respeito, de civilidade, de maturidade.
                 É disso que nossas crianças precisam!


              

terça-feira, 24 de novembro de 2009

OLHANDO PARA O CÉU

                Finalmente as pessoas recomeçam a olhar para o céu!
                Gente que há muito tempo só via os buracos na calçada ou o bico de seu próprio sapato, de repente, anda consultando as nuvens antes de sair de casa.
                Quase não existe mais chuva hoje em dia, só tormenta. Os ventos não baixam de sessenta km por hora e frequentemente passam de cem. Os raios destróem tudo, matam pessoas, liquidam com os eletro domésticos. E a chuva é sempre enxurrada, alagando cidades em poucas horas, derrubando barreiras nas estradas, ilhando animais e pessoas, um caos.
                Por isso, ao ver nuvens carregadas no horizonte, todo mundo começa a ficar assustado, pois sabe que não existe mais chuva de verão, daquelas passageiras só pra refrescar um pouco.
                Continuo achando que o alerta máximo para a manutenção do planeta soou tarde demais. Ou foi ouvido tardiamente.
                Não faz muito tempo que os ecologistas eram referidos como "ecochatos"  quando alertavam, condenavam, tentavam embargar obras que feriam o ecossistema.
                 E agora?
                 Como vamos explicar às crianças que destruímos a casa delas?
                 E que continuamos destruindo, cometendo toda sorte de crime ambiental em nome de um conforto momentâneo?
                  O jeito então é olhar bem para o Céu e tentar se proteger quando a natureza se rebelar.
                  Nós merecemos. Até hoje o plástico polui tudo e nem uma alternativa para as fraldas descartáveis é pesquisada.
                  Duro é saber que as novas e novíssimas gerações é que vão pagar a conta de nossos desmandos.
                 Que mau exemplo e que herança torpe lhes deixamos!



sábado, 21 de novembro de 2009

PRÉ – CONCEITO

             Um conceito anterior ao real conhecimento do caso, da pessoa ou da situação. Aqueles casos em que já vamos “preparados” para (contra) atacar, julgando antecipadamente que seremos atingidos; ou ainda rotulando pessoas, generalizando, sem chances de análise mais acurada.
             Penso, por exemplo, que o preconceito racial existe sim no Brasil e é muito mal disfarçado. Existe em relação aos orientais, mas é facilmente detectado em relação aos negros. Ainda que sejamos todos miscigenados, com cabelos crespos, lábios grossos e bunda grande, fazemos o esforço constante do branqueamento, inclusive casando com arianos para clarear a prole. No Sul e Sudeste do país, para onde vieram os imigrantes italianos, alemães e do leste europeu, com cabelos lisos e dourados, pele alva e olhos claros, esse preconceito é ainda mais arraigado.
            Conheço famílias de origem italiana, no oeste de Santa Catarina, que até pouco tempo proibiam os filhos de brincar “com esses brasileiros”.
            Quem não ouviu (à boca pequena) adjetivos pejorativos relacionados à personagem Helena da novela “Viver a vida”?
            E será que a comoção pela tetraplegia seria tão intensa caso a vítima tivesse sido Helena ao invés da bela loura Luciana?
           O pré-conceito em relação à posição social também é muito forte. Ninguém perdoa o fato do Presidente do Brasil ter sido retirante da seca e metalúrgico e da Primeira Dama ter desempenhado a função de babá na juventude. Até porque aqui as babás não têm o charme das baby-sitters americanas, aqui são empregadas domésticas mesmo.
           Quanto à homofobia, execrável como qualquer preconceito, penso que nesse caso o pecado é menor, uma vez que a homossexualidade também pode ser uma opção, ao contrário de se nascer negro ou pobre. Sabemos que a mudança de classe social é uma exceção por aqui e que ninguém (ou bem poucos) enriquece trabalhando.
           Percebe-se, portanto, um discurso pronto e demagógico do brasileiro, propagando-se livre de preconceitos, etc. Só se for no Norte e no Nordeste, porque, por aqui, é só da boca pra fora.
           No fundo, há um ranço colonialista latente na nossa formação.
           Acha que não?

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

O TEMPO VOA MESMO!

               Todo mundo acha que o tempo anda correndo bem mais célere. E não adianta dizer que isso só acontece com as pessoas mais velhas, pois mesmo os adolescentes se queixam de que não sobra tempo para nada e que o ano acaba bem antes do previsto. O fim-de-semana então...!
                Cultivo um hábito antigo de, no início do ano, listar minhas prioridades para aquele ano que inicia e afixá-las na parte interna do meu guarda-roupa. À medida que cumpro algum dos itens previstos, vou riscando. Acho que nunca consegui fazer tudo aquilo a que me propusera, mas neste ano bati meu recorde, pois não atingi nem 20% das minhas metas. Assim é demais! E olha que nem listei coisas mirabolantes, até por conhecer minha nova rotina, mas simplesmente não fiz quase nada do que pretendia. É muito frustrante! Atribuo parte da culpa a essa correria insana dos dias, semanas e meses, que literalmente voam de uns tempos para cá.
                Agora, susto mesmo levei quando me dei conta de que não demora devo recomeçar a decoração de Natal na minha casa. Gente, eu desmontei e guardei os enfeites e a árvore da Natal ainda ontem! Não é possível que já tenha se passado um ano daquele dia, não pode ser!
                E os presentes que tive que trocar, aquela chateação toda não foi dia desses?!
Sinceramente, desta vez fiquei estarrecida.
                Assim vamos morrer logo! Sem tempo de nos preparamos para esta passagem tão definitiva. Você tem rezado? Parece que foi ontem a Páscoa, ressurreição e tudo mais e já estamos comemorando mais um aniversário do Gurizinho lá de Belém.
               Tudo muda, vertiginosamente. Não sei bem para que lado, se para o bem ou para o mal, mas muda. E rápido! Só o Papai Noel continua com a mesma roupa de frio em terras tropicais. Curioso...
                Dizem as feministas seminuas nas passeatas e os pseudo-estudantes lá da Federal de Brasília que "estamos no século XXI"! Como se a única revolução do novo século fosse derrubar valores, tripudiar sobre o decoro, o respeito às instituições, as regras da vida em sociedade. Grande progresso!
                De um lado, feministas e congêneres gritam contra o "preconceito" (será que elas sabem bem o que isso significa?) e afirmam que cada um pode se vestir (ou se despir) do jeito que quiser, quando quiser, assim, liberdade geral, sem responsabilidade alguma.
                De outro, gordos bonachões (loiros de preferência) continuam fazendo "Ho-ho-ho" (que para nós não significa absolutamente NADA) nos shoppings e no comércio em geral, tirando fotos com crianças assustadas, morrendo de calor dentro daquela roupa com peles, sem que se mude uma vírgula desta tradição "importada". Será que para o nosso Natal o tal "século XXI" ainda não chegou?
               Deus do Céu, quanta besteira se diz, se ouve e ainda se repete neste nosso mundinho!



             

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

PERSONAL TRAINER DE VIDA

               Dia desses, caminhava atrás de um jovem musculoso vestindo bermuda e camiseta, onde se lia nas costas - Personal trainer.
               Invejei, é claro, a pessoa que seria retirada da cama por aquele deus grego e, de quebra, ainda iria conseguir um corpo enxuto para o verão. Inveja boa, da branca.
               Depois, com esta minha mania de ficar procurando outros lados nas coisas, pensei na inutilidade de se ter um físico privilegiado, um corpo saudável e, muitas vezes, uma mente doente ou limitada, daquelas que nem sabem porque e para que andamos pelo mundo.
               E fiquei imaginando como seria bom se existissem personal trainers de alma, de vida, daqueles que acordariam os doentes de manhã já lhes ensinando a sorrir para o mundo, a agradecer a Deus por mais um dia e pelo alimento, a praticar logo uma boa ação, a valorizar o que realmente tem valor e abandonar as mesquinharias, a cuidar melhor de si e dos outros, enfim, uma pessoa que conseguisse despertar nos "clientes" valores essenciais, hábitos saudáveis, otimismo, fé, esperança, determinação. Conheço meia dúzia de fregueses que aproveitariam muito um profissional desses... Para alguns eu até pagaria, de bom grado!
                Claro que o exercício físico também provoca descargas de substâncias benéficas ao humor, além de preparar o corpo para as batalhas diárias. Só que seu efeito passa e o deprimido volta a se enclausurar.
                 Além disso, as mentes pouco equilibradas tendem aos excessos e muitos viram "ratos de academia", numa repetição infindável de apoios, agachamentos, pesos, etc. E chegam a passar mal quando ficam vinte e quatro horas longe de uma esteira.
                 Nunca entendi porque em lugares paradisíacos, resorts fantásticos, praias deslumbrantes a poucos passos, os hotéis possuíam academias de ginástica. Então alguém trabalha o ano todo, gasta todas as suas economias num pacote turístico e vai "malhar"?!
                Tem louco pra tudo...




segunda-feira, 16 de novembro de 2009

EM BUSCA DO PRAZER

               Hoje eu me encontrava em um daqueles dias em que nada parecia ser do jeito que eu queria. Ou nem sabia direito o que queria talvez.
               O fato é que me perguntava onde e no quê poderia sentir prazer já que, pouco a pouco, vou abdicando de tudo o que eu gosto porque faz mal ou engorda. Quase não sobra nada e o que sobra muitas vezes não está ao meu alcance.
             Quando parecia que o o dia ia findar com este gosto amargo da frustração e do desencanto, o blog "Elas estão lendo" publica a resenha que preparei de um livro polêmico e premiado que li há pouco tempo.
               Então descobri que talvez um dos únicos prazeres que tenho e que não engorda, nem faz mal é escrever e ler. 
              Passem lá! O link está aí ao lado, é só clicar.
              Além do meu livro, encontrarão a indicação de vários outros para lerem ou darem de presente.
              É isso. Tem gente que pode comer chocolate, tomar vinho, deliciar-se com massas e queijos. Eu vou abdicando de tudo porque meus gens são rechonchudos e a minha idade boa para fazer a gente virar de rosa em girassol.

sábado, 14 de novembro de 2009

QUANTIFICANDO A DOR

              Todos nós certamente já ouvimos, alguma vez na vida, que Fulano ou Beltrano é que tem razões de sobra para sofrer e que nossos probleminhas são grãos de areia num deserto de dores que crepitam no mundo.


               Bom para nós, pior para os beltranos e sicranos.


               Só que não é bem assim. O que dói em um pode doer menos em outro e aquilo que parece nada pode estraçalhar um outro coração.


               É claro que existem dores incontestáveis e passíveis de medida, principalmente as dores físicas.


              Outras, dependem do grau de sensibilidade de cada um e do apoio que recebe, ou não.


              Voltando às novelas globais (faz tempo que não citava uma!), quem sofre mais – Luciana ou Helena?


               Você perdoaria a Helena se fosse a mãe da Luciana?


               E se fosse uma das melhores amigas da Teresa (mãe da Luciana) que estivesse no carro, no lugar da Helena, será que ela a acusaria também?


               Quanto da raiva e da mágoa de Teresa se deve ao fato da outra ser a mulher do seu ex?


                Você aprecia aqueles depoimentos da vida real ao final da novela?


                Ou pensa que eles estabelecem um link desagradável com a vida de todos nós, impedindo que nos refugiemos na fantasia da novela como algo distanciado da realidade?


               Você acha injusta a mãe do Miguel (o médico) quando acusa Renata (a noiva bêbada) de atrapalhar a carreira dele?


               Ou você pensa que médico é um missionário e que ele tem o dever de cuidar dos pacientes e dos desequilíbrios da noiva, mesmo em detrimento de seu estado emocional e de suas metas profissionais?


              Você ia querer viver de qualquer maneira, mesmo tetraplégico, não podendo sequer coçar o rosto ou sentir a mão de alguém em seu corpo?


              Jura que ao ver aqueles farrapos humanos, encharcados de álcool e crack esmolando nos viadutos, com todos os membros e sentidos em perfeito funcionamento, nunca pensou em quanta gente boa, inteligente e bonita pena nos hospitais, com deficiências e limitações graves?


              É, hoje estou reflexiva e questionadora. Quiçá você me desse alguma resposta, alguma idéia diferente.


             Ah, por que será que a NASA anda procurando água na lua, vida em outros planetas? Será que a Terra não tem mesmo mais solução?


             Bem, isso fica para um próximo texto.


            Hoje, vamos mesmo refletir sobre o tamanho da dor de cada um.


            Bom sábado!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

PRESENTE DE GREGO

              Acabei ganhando lindas rosas do maridão. E ele jura que ainda não tinha lido o texto do blog quando as encomendou!
              Foi o ponto alto do meu aniversário, além dos cumprimentos de tantos amigos, reais e virtuais, do jantar com os filhos e netos e tudo o mais.
             Como de praxe, tive um baque logo cedo, pois minha mãe amanheceu completamente surda. Aos 90 anos tudo é urgente, sério e preocupante. De forma que passei o dia todo nos médicos, exames e coisas assim. Afastadas causas mais graves, uma otite parece ser a responsável, mas a surdez permanece. Para uma pessoa falante, conversadeira, que discursa o dia todo principalmente sobre política (como boa Vargas) e futebol, o silêncio é aterrador.
              Minha avó viveu 96 anos, com muita saúde. Com 91 uma isquemia prendeu-a a uma cadeira de rodas, de onde ela continuava dirigindo a casa e cuidando de si mesma e dos outros, com a vaidade que sempre lhe foi peculiar.
              Meu pai esteve conosco por 92 anos, também cheio de saúde e lucidez. Com 85 anos perdeu a visão, num glaucoma seguido de muita barbeiragem do seu oftalmologista. Piloto, leitor voraz, detestava conversas fúteis ou muito som ao redor, preferia mergulhar nos seus livros e jornais. E ficou cego.
              Não quero pensar que a surdez repentina de minha mãe possa fazer parte do meu karma. Acho que não suportaria. Nesse caso, penso que jamais voltaria a tocar piano, que ela adora ouvir.
              Sempre digo que tenho uma relação difícil com o meu aniversário. Em 1999, por exemplo, dez dias depois da morte do meu pai, marcaram meu divórcio (de um casamento de 30 anos) para o dia 9 de novembro. Inenarrável.
              Portanto, queridos leitores, ainda não deu para comemorar.
              Sinto muito.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

FLORES

             É, hoje é o dia do meu aniversário.
             Como caiu numa segunda-feira neste ano, resolvi escrever no comecinho do dia 9 para não ser absorvida pela rotina estafante das segundas.

            Adoro flores! Para mim, é um dos melhores presentes que alguém pode ofertar ou receber.

           Houve um tempo em que me faltavam vasos. Isso que não havia as facilidades de hoje, como compras on-line e tele-entrega.

          Imagino que a beleza e o frescor da juventude e do início da idade madura ensejem a oferenda de flores, porque muita coisa pode ser dita e prometida através delas.

        Já mais tarde, quando nosso frescor diminui, o peso aumenta e as promessas de momentos mágicos rareiam... quase ninguém se lembra de nos enviar flores.
         Esta é mais uma contradição da vida, pois, quando jovens e belas, normalmente preferimos jóias, perfumes, roupas e sapatos.

        Na maturidade encontramos o verdadeiro sentido de um bouquet de flores e sua linguagem linda, perfumada, significativa.

       Imagino que hoje vou receber lindos presentes, gratificantes telefonemas, e-mails, beijos e abraços, mas flores...duvido!

       Vou até postar uma foto de um dos lindos arranjos que recebi, não faz muito tempo, de uma turma de alunos do curso de Pedagogia. Alunos sempre preferem nos presentear com flores! Pena que estou aposentada.

       É, queridos leitores, acho que depois dos 50 a gente só recebe flores no cemitério mesmo.



       Brincadeirinha.



       Tin-tin!
       



sábado, 7 de novembro de 2009

FIDELIDADE CANINA

              Desta ninguém duvida, eu acredito. Mesmo assim, vive sendo comprovada e menosprezada também.
               Penso que os psicólogos e psiquiatras deveriam receitar um cãozinho juntamente com as pílulas da alegria. Só que precisariam alertar que os cães precisam de cuidados e não apenas quando o dono não estiver deprimido e resolva cuidar dele ou levá-lo para passear. É uma responsabilidade quase tão grande quanto a de cuidar de uma criança, só que dão muito menos trabalho.
               Até comprarmos a Pitty, eu só havia tido "cachorros de pátio", SRD (sem raça definida) e que só precisavam de comida, água, vacinas e uma criança para correr com eles. Procuravam um lugar para dormir, protegidos do vento e da chuva e tomavam banho de mangueira até no inverno.
               Depois vieram os apartamentos, onde, inclusive, eram proibidos os cachorros. E ficamos só com as fotografias dos cães que precisamos doar.
               Então se manifestou a solidão nos apartamentos, onde muitos solteiros convictos cansavam de ouvir a própria voz, muitos pais (o meu caso) viviam a "síndrome do ninho vazio", quando os filhos voavam com asas próprias em direção aos seus destinos e os condomínios começaram a relaxar as regras, a adaptá-las, a criar novas visando atender a estes moradores carentes.
               E os prédios se encheram de cães! 
               Clínicas veterinárias se transformaram em pet shops e as calçadas emporcalhadas com dejetos caninos... até que surgiu nova consciência e o hábito (bem mais higiênico) do dono juntar o cocô de seu amiguinho e colocá-lo num lugar mais adequado.
               Exageros à parte, hoje há cachorros com um "vidão" e outros maltratados, abandonados, irresponsavelmente colocados no mundo. Bem, se as pessoas colocam filhos no mundo totalmente sem condições de criá-los, o que esperar de um viralatas?
               O cão sempre sabe quem é seu dono, mesmo numa família numerosa. Brinca com todos, festeja todos, mas não perde de vista aquele que conhece como o responsável por ele. Ainda que o dono não seja a pessoa mais carinhosa e mais gentil.
               Minha Pitty nunca gostou muito de crianças, adora o carinho dos adultos, mas vai saindo pela tangente quando vê mãos pequeninas e gritinhos em sua direção.
              Por fidelidade a mim ela não morde o Lucas (que a enlouquece) ou a Bruna, que chega a tirar a comida de sua boca. Mas sente ciúmes deles e fica muito feliz quando eles vão embora, aí sim relaxa, se estende no tapete, ronca dormindo, completametne aliviada por estar só comigo .
               Eu sempre fui adepta da rotina, principalmente das crianças. Acho que alimentação, banho, passeios devem seguir um horário pré- estabelecido para não virar bagunça. Pois a Pitty faz questão de seguir a rotina dela e da casa, a ponto de me anteceder nas tarefas diárias, como usar o computador, tomar banho, etc. Ela já vai antes e me espera no lugar.
               Cuido dela como de tudo o que está sob minha responsabilidade na vida. Não a tenho para suprir carências afetivas, tampouco vivo com ela no colo (ela nem gosta) ou tratando-a como criança.
               Pitty é cachorro e sabe disso. Cuidada e bem quista como um cachorrinho que se elegeu. Respeitada em suas necessidades. E muito educada.
               Além disso, ah! ela não questiona minhas atitudes e, para ela, estou sempre com a razão.
               Precisa mais?!


              

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

INSTINTO MATERNO.

              Sempre defendi a idéia de que o tão falado "instinto materno" era mais uma criação da sociedade na maneira como educa suas meninas. Separando brinquedos, repetindo chavões, enfim, deixando logo bem claro o que é de menino e de menina.
               Pois a Bruna está me fazendo mudar de idéia. Não tive filhas, só meninos e na minha família de origem eu nasci entre dois homens. Não pude comprovar muito minha teoria, por conseguinte.
               Meu filho (pai dela) é um esportista nato e, mesmo se aprimorando nas chucas, rabos de cavalo, tic-tacs, etc, volta e meia joga futebol com ela, faz brincadeiras brutas e até de carrinho brinca com sua menininha. E ela gosta. É determinada, voluntariosa, fala alto com uma pronúncia clara e um vocabulário extenso demais para seus dezoito meses.
               No entanto, quando se aproxima de suas bonecas, é um carinho sem fim. Nana cada uma, coloca a chupeta, dá mamadeira, embala, beija, faz carinho e coloca o dedo nos lábios pedindo silêncio quando estão dormindo.
               Claro que ela repete o que fazemos com ela. Mas como é que o Lucas nunca repetiu?
                 Acho que homens e mulheres são mais diferentes do que dizem ser e que é uma pena tentarem se igualar, pois as diferenças é que fazem todo o encanto.         

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

QUEM SOU EU AFINAL?

              Não adianta, entra ano e sai ano e, a qualquer tempinho de paz que eu tenha, nos dias que antecedem meu aniversário, lá vem este ridículo exame de consciência, pesando e medindo tudo o que sou e faço e cada vez me conhecendo menos, ou, pelo menos, tendo mais dúvidas.
              Às vezes me pego questionando se eu não fui uma daquelas garotas CDF chatésima, caretésima, preocupada em agradar os adultos e em não transgredir. Já pensei até em perguntar aos meus amigos da vida toda se eu não era assim.
             Nunca experimentei nenhuma droga (só cigarro), nunca acampei com uma turma de amigos, nunca dormi na casa das colegas nem levei algum colega (homem) para dormir na minha casa. Casei virgem!
            Claro que cometi vários “deslizes”, mas tudo coisa pequena, que a mim (e à minha família) pareciam monstruosas. Tipo namorar escondido, pegar a mão no cinema, matar uma aulinha, nada que comprometesse minha educação espartana.
            Hoje sinto mais saudade das coisas erradas que fiz; engraçado...
           Sei que estou me transformando numa Madre Tereza porque a vida me colocou no eixo central de toda a minha família e parece que só eu consigo fazer a roda girar e as coisas acontecerem. Não me queixo, acho até que é um papel gratificante, pois significa que sou útil e capaz. Às vezes me sinto cansada, mas uma noite de sono conserta tudo. Só lamento a falta de tempo para o piano e a literatura.
           Curioso é que quase aniversariando dei para lembrar momentos felizes de anos atrás, um chopinho ao pôr-do-sol embalado pelas espirais de fumaça do meu cigarrinho de saudosa memória, as noites de muita dança, excessos de todo o tipo, sono atrasado, pilhas de livros para estudar e eu tão viva, tão cansada, tão ativa, tão errada, tão frenética, rindo alto, chorando bastante, sentindo mais raiva, mais ciúme, mais tesão.
           Este texto não é conclusivo. Faz parte das minhas reflexões pré-natalícias.
           Preciso comer minha linhaça, meu feijão branco moído, meu pão de amaranto, bebendo um chá verde ou branco, legumes orgânicos, frutas da estação, tudo para ter uma velhice saudável. Ai, ai, ai...
          Será que não pega bem uma mulher da minha idade sentar num barzinho à beira da praia e tomar um chope gelado, relembrando os bons tempos, ao invés da louvada água de côco?
          Que velha pretendo ser? Acho que esta é a questão central.