segunda-feira, 31 de agosto de 2009

SEGUNDA-FEIRA

Se o mundo melhorar um dia, certamente será numa segunda-feira.
É tanta gente iniciando regimes, ingressando em academias, abrindo livros para estudar, respondendo cartas, pagando contas, repletos de tão boas intenções que as coisas só podem melhorar... caso não sejam esquecidas até a quarta-feira, ou adiadas para a próxima segunda (sem falta!).
No jornal leio sobre a gripe suína. Na revista sobre o massacre dos refugiados no Sudão. Na TV predominam os resultados dos times de futebol no final de semana. Fico até confusa sobre o quê escrever.
Sei escrever como a "menina má", pois às vezes penso como ela.
Tenho dores na alma que não convém dividir, pois um escorpiano zela bastante por seus assuntos mais pessoais e vocês não merecem ficar lendo sobre os males da minha alma.
De muita indignação minha cabeça também anda cheia, com os desmandos políticos e a violência desenfreada por todos os lados. Drogas e traficantes também despertam meu pior lado, não sei o que daria para vê-los varridos do planeta.
Fico pasma ao ler livros importantes, como os de Veríssimo e Tezza por exemplo, sabendo que ambos são ateus confessos. Como alguém pode viver sem acreditar em Deus? Onde encontram um sentido para esta vida então? Que motivos os fazem levantar cedo toda manhã, trabalhar, comer, dormir?
Para uma segunda-feira, creio que já encontrei preocupações bastante...
O que é um blog afinal?
Um diário virtual?
Uma coluna de opinião?
A busca de um encontro?
Reunião de iguais?
Ajuda mútua?
Um formador de opinião?
Ou um pouco de tudo isso?

domingo, 30 de agosto de 2009

ELES VOLTARAM!

Nasci numa Primavera. Mesmo assim, da primavera só gosto das flores e dos pássaros. O vento abafado, o pólen excessivo causando rinites, os dias quentes com noites frias, nada disso me atrai.
Minha estação preferida é o Outono, que se parece a um banho morno, tépido, sem exageros. Além disso repleto de frutas cítricas, as minhas preferidas.
É fato que hoje em dia as estações do ano andam muito misturadas. O tal do El Niño, ou a La Niña tem feito miséria no clima, ainda assim podemos encontrar algumas diferenças entre uma e outra.
Hoje é domingo. Pela primeira vez na semana não fui despertada pelo barulho das máquinas e a cantoria insuportável dos peões. Ao invés disso, tive a surpresa agradabilíssima de acordar com a passarinhada, como antigamente. A terra revolvida deve ter exposto mil atrativos e eles vieram em bandos, pelo menos enquanto o cimento não chega.
Ainda não tive coragem nem de ligar o aparelho de som para ouvir minhas músicas domingueiras, pois o trinado dos meus amiguinhos é ainda mais sedutor.
Parece mentira, mas uma coisa tão comum na cidade e na casa onde nasci, está se transformando em raridade nesta ilha, que já foi da magia e hoje se assemelha a mais uma selva de pedra.
Bom domingo a todos vocês, que fizeram a gentileza de passar por aqui e, se gostaram, certamente vão me ajudar a divulgar o novo endereço!

sábado, 29 de agosto de 2009

IDADE DA ALMA

Meus amigos espíritas, doutores em reencarnação, talvez pudessem explicar melhor o que sinto em relação à idade da minha alma e do meu corpo. Sinto como se minha vida mais marcante tivesse pertencido ao século XIX; nas roupas, nos costumes, nos valores, no romantismo, nas danças, nos saraus, nas cavalgadas, nos fogões à lenha. Enfim, parece que trago guardadas lembranças e sensações muito nítidas de um tempo em que , cronologicamente, não vivi. Gosto muito de olhar fotografias antigas, de parentes ou mesmo de desconhecidos. As do tempo dos meus avós e até da juventude da minha mãe eram fotos muito bonitas, com cabelos frisados, lábios marcados, colares de pérola, chapéus elegantes. Em compensação, vendo os álbuns de fotos antigas dos meus amigos no orkut (e os meus também) é uma desolação! Como era feia e desalinhada a juventude dos anos 60 e 70! Os rapazes com ternos justos, surrados, mal cortados, com gravatas espalhafatosas, em completo desalinho. Cabeludos, com cabelos maltratados e sem corte, tinham cara de bêbados na maioria das fotos. As moças usavam minissaias inacreditáveis, nem sempre favorecendo seus corpos. Os cabelos armados, com coques estranhos cheios de laquê, cigarros em quase todas as mãos, rostos colados nos bailes, enfim, sensações boas de serem vividas mas muito feias de serem apreciadas, algo assim como antiético e antiestético. Claro que existe o fator "moda" e que nos habituamos a ver certo tipo de roupa numa geração que não nos causa maior estranheza. Agora, aqueles calções curtos e justos dos jogadores de futebol, por exemplo, eram feios de doer. Enfim, minha alma se rejubila com fotos antigas e não consegue se identificar com estas mais recentes, de uma juventude que nem está tão distante assim. Por que ficamos tão mais simples, com roupas de má qualidade e adereços idem? Terá a ver com o poder aquisitivo das pessoas? Com a falta dos empregados? Com a praticidade da vida moderna? Ou com a rebeldia dos anos 60? Parece que atualmente estamos melhorando, já não vejo gente tão desmazelada nas fotos atuais. Mesmo as crianças fazem melhor figura com as modinhas criadas para eles. Dê uma olhada nas suas fotografias. Talvez me dê razão.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

SOLIDÃO POVOADA

                          A solidão talvez seja o "mal do século" XXI.
                          Sobre ela se teoriza muito, estabelecendo-se semelhanças e diferenças, graduando, adjetivando, metaforizando. 
                          No final das contas, solidão é estar sozinho mesmo. O resto é literatura.  Claro que um bom livro ameniza, neutraliza, assim como um bom filme, boa música, bom sono. É óbvio que existe gente tão chata e espaçosa que a gente prefere estar sozinho a dividir espaço com ela. Agora, dizer que solidão é apenas um estado de espírito... tenho lá minhas dúvidas.
                           Durante bastante tempo fiquei a semana toda sozinha. O marido trabalhava em outra cidade e os filhos estavam todos buscando longe daqui seu aprimoramento profissional.  Ficávamos eu e a Pitty. Às vezes nem me dava conta, quando via o sono chegava antes da consciência do estar sozinha. 
                           Agora, quando o chimarrão me esperta
va, percebia meu corpo físico no sofá e as lembranças eram inevitáveis. Como se escutasse a algazarra dos filhos correndo pela casa e rindo como só as crianças sabem rir. As conversas com o pai, os conselhos da avó, as cobranças da mãe para as notas acima de 9,0. Com pouco esforço chegava a sentir o cheiro do meu uniforme, dos livros, do arquivo, das salas de aula, da cozinha da Constança com aquela variedade de pratos feitos no capricho.
                         O olfato é um potente detonador da memória. Através dele, sinto o cheiro dos pianos do Conservatório, podendo identificar cada um deles. O suor das sapatilhas nas aulas de ballet, os uniformes suados nas aulas de educação física, os perfumes dos rapazes nos primeiros bailes, os desinfetantes usados na Maternidade e o cheirinho de bebê, inconfundível e inesquecível.
                         Sou capaz de lembrar do cheio do tule engomado do véu de noiva e do baú onde guardava as peças do meu enxoval. Uma melancolia boa e suave toma conta de mim, assim como uma saudade do que sabemos não ter mais retorno possível.
                       Agora a minha realidade mudou, sinto até saudade de ficar um pouco mais sozinha.
                       Mas sei que muita gente vive só sem se sentir sozinha, e outros vivem cercados de gente num solidão absoluta. 
                       É a vida!





OUVIR O SILÊNCIO

O título não é metafórico, só quem tem uma obra ao lado do seu quarto pode entender a que me refiro. Num lindo terreno baldio, repleto de pássaros, estão começando a construir um espigão de mais de dez andares. Às seis horas da manhã as máquinas iniciam seu ritual macabro de escavar, apitar, acimentar, com gritos e músicas desafinadas cantadas pelos peões. Vez por outra a serra elétrica entra com seu ruído ensurdecer e desagradabilíssimo, marcado por marteladas a torto e à direita. Se eu ainda estivesse trabalhando fora pouco sofreria, já que passava o dia inteiro nas escolas. A questão é que estou aposentada e ainda cuidando de uma netinha que tem sobressaltos durante o sono pela pior vizinhança do mundo. Cadê meus noturnos de Chopin? Como afinar as canções de ninar a Bruna? Pois bem, o razoável seria dormir cedo para aproveitar a calmaria, uma vez que as máquinas já devem estar se coçando para reiniciar a algazarra. No entanto, se dormir cedo, quando poderei usufruir deste som melodioso do silêncio? Pela primeira vez, hoje à tarde pensei que não deve ser tão ruim ser surdo...

domingo, 23 de agosto de 2009

SAUDADE

Quem diz que saudade é palavra mais bonita da Língua Portuguesa nunca sentiu saudades de verdade. Não consigo achar nada bonito num sentimento que machuca tanto. Talvez por ter casado tão cedo e logo deixado a casa paterna, depois a cidade natal, por ter vivido vida de cigana, sendo transferida de um lado para outro e sempre me despedindo, sempre dizendo adeus, por tudo isso não vejo poesia nenhuma na saudade. Filhos criados e chegou um tempo em que não havia um só ao meu lado, todos em São Paulo, se especializando, abrindo caminhos, experimentando. Deus do Céu, quanta saudade senti! O primeiro netinho crescendo, aprendendo a rir, falar, caminhar e eu cheia de aulas, compromissos... e saudades! Hoje dois filhos voltaram, moram pertinho, aparecem quase diariamente. Apenas o caçula permanece em terras distantes e só Deus sabe a falta que faz! Meu menino (eles sempre são) ficou por aqui duas semanas de férias e eu pude cuidar dele, fazer suas comidas e doces preferidos, deixar dormir até tarde, conversar, abraçar, encher meus olhos na sua figura bonita (que mãe não é coruja?) e agora, há poucos instantes, chegou a hora de novamente dizer adeus. São tantos sinais da sua presença pela casa que até uma revista esquecida dói. Saudade... só saudade... Nem falo da saudade que sentimos daqueles que já partiram para outra dimensão. Esta, então, é acrescida do peso da irreversibilidade. E qual a definição de saudade? Para mim, é sentir falta, desejar estar junto, sentir o coração apertado, os olhos molhados e tudo à volta sem graça e sem sentido. No caso do meu filho, com o passar dos dias melhora, porque sei que ele voltará e que irei vê-lo assim que for possível. Hoje está difícil.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

PÁRIAS DA SOCIEDADE

As exceções que me perdoem, mas a classe política tem se revelado um verdadeiro cancro social. Do município menos povoado ao Distrito Federal o que se vê é uma sujeira, uma roubalheira, uma locupletagem absurdas! Aqui em Floripa, que é também a Ilha da Magia, a terra de Sol e Mar e tantas outras coisas lindas, na Assembléia Legislativa existem funcionários que chegam a ganhar mais de dois mil reais (o salário de um professor formado com quarenta horas de aula semanais), além do salário, à guisa de insalubridade. O detalhe é o seguinte: os médicos, por exemplo, cujos salários chegam a vinte e sete mil reais, recebem o adicional de insalubridade (segundo o sindicato dos funcionários da Assembléia) pelo risco de contaminação com os pacientes. Deus do Céu, então TODOS os médicos do mundo precisariam receber este benefício! E olha que lá são só os engravatados que consultam, nada de SUS. As psicólogas também usufruem deste acréscimo para ouvir os graves problemas dos parlamentares. Os gráficos (!) recebem o aumento por causa do barulho das máquinas e da poeira do papel. Cristo! Então, qual a profissão que não precisa um adicional de insalubridade? O professor da favela? O policial que sobe os morros atrás dos traficantes? O médico do Pronto Socorro? O segurança do banco? Não! Quem precisa disso são apenas os salafrários da nação e seus asseclas! E nós, burros, somos quem os colocamos lá! Que nojo!

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

A BOA FILHA...

A boa filha à casa torna. Mais cedo ou mais tarde isso costuma acontecer. Quando encontra a casa em ordem e ainda com as mesmas fechaduras, melhor ainda! Sou difícil para mudanças. Falei isso quando estava indo embora e torno a falar agora, no regresso. A desculpa é sempre a mesma - as oportunidades do provedor. Meu blog antigo - que meu deu até um selo de prêmio como "blog legal da UOL" - andava se fechando aos comentários, então... Bem, devagar vou trazendo minha mudança, dando boas vindas aos novos leitores e trazendo comigo (espero!) todos que me acompanharam no outro blog este tempo todo. Minha casa ainda não está pronta, tenho uma amiga querida me ajudando, aos poucos vamos deixando tudo com a minha cara. Como vocês sabem, o que mais irão encontrar aqui serão palavras, pois é disso que entendo. Se gostarem de ler, então formaremos uma parceria muito interessante. Obrigada pela visita!