quarta-feira, 21 de novembro de 2012

AMOR BASTA?



Vivem alardeando sobre o tal do amor, como se ele, por si só, seja capaz de segurar as rédeas da vida e garantir a felicidade dos homens.
Amar é gostar? Sentir paixão? Apreciar ficar junto? Ter afinidade? Cultuar valores parecidos? Olhar na mesma direção? É um pouco de cada, ou é só o quê?
Amor de pais pelos filhos é quase inquestionável. Amor de irmãos é circunstancial, entremeado de ciúmes, recalques, mas sempre amor. E amor de casal? Homens e mulheres, ou os novos casais, pessoas que optam por conviver e dividir a vida, como será?
Dois seres que se encontram, se apaixonam, resolvem viver juntos, certamente não nasceram ali, naquele momento. Trazem na bagagem tudo o que lhes foi passado pela família, pelas escolas que freqüentaram, pelas pessoas com as quais conviveram. E não é uma bagagem leve. Depois da idade adulta, pouca coisa consegue ser acrescentada à personalidade do ser humano. E, passados os primeiros arroubos, isso tende a aflorar, cada vez com maior intensidade.
Que amor é esse que nos faz viver do avesso, sempre afiando as garras, sempre na defensiva, sempre com a arma engatilhada na garganta? O amor deveria nos tornar melhores, tinha que nos colocar pra cima, nos impulsionar para o sucesso e para a felicidade. Quem consegue ser feliz arrastando um saco de pedras nas costas, repleto de frustrações, ofensas, críticas, xingamentos, desprezo, animosidade?
O amor é compassivo, é um porto seguro, um oásis que nos oferece repouso, segurança e nos torna melhores. Uma mão estendida, um afago, um abraço reconfortante, é disso que se compõe o verdadeiro amor. Conversas, diálogos em tom baixo, troca de opiniões sem ofensas, nem agressões, assim é que os assuntos devem ser tratados entre pessoas que se amam.
Por isso, por tudo isso é tão importante conhecer bem o ser amado ANTES de optar por uma vida a dois, por ter filhos que não devem pagar o preço dos erros dos pais, analisando bem toda a conjuntura onde a pessoa amada foi criada, no quê ela acredita, o quê importa para ela e, sobretudo, como ela trata “os outros”, porque, um dia, ela tratará você da mesma maneira.
Ah, se todos atentassem para essa moldura que compõe o amor, muitas dores seriam evitadas! Ninguém muda no dia em que se apaixona e, quando muda, as mudanças não duram para sempre. Lembre disso caro candidato ao amor!
Agora, sempre dá pra remendar, consertar um pouquinho aqui, outro acolá e, às vezes, acaba dando certo. Desde que os problemas não sejam de caráter; nesse caso, o jeito é cair fora depressinha.
Mas, se errou, se não analisou todos os lados da questão em tempo hábil, mesmo assim ainda dá pra correr atrás do prejuízo, desde que a pessoa amada se conscientize de que algumas coisas que traz em sua bagagem não têm mais utilidade e só servem para lhe fazer um peso extra na vida.
Eu sempre torço pelo amor!
E que ele seja construtivo, leve e sincero.



Um comentário:

Clenoir Carvalho disse...

Amei !
Como sempre, com línguajar simples e direto, e com exemplos reais, a minha conterranea,amiga e ex-colega faz uma abordagem bonita e completa, simplificando um tema tão complexo...olhando assim, o amor poderia ser bem mais "presente" e assim prolongar as relações entre os casais de hoje...