quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

VIAGEM A ALEGRETE - PARTE III

MINHA FAUNA PREFERIDA

             Não sou aficcionada por bichos (prefiro os livros), mas respeito e admiro os animais como integrantes da natureza.
             Já tive muitos animais domésticos, no momento é a Pitty quem desempenha este papel, envolvendo várias casas e toda a família. Por contingência da nossa viagem ela precisou ficar hospedada no pet shop que frequenta semanalmente. Ela fica bem lá, apenas emagrece um pouco, o que é ótimo para uma gulosa que nem ela.
              Aqui em Alegrete nossa comitiva está acompanhada pelo Brad, um pequinês branco do meu irmão, cuidado como filho mimoso pela minha cunhada. Brad se esparrama pela casa e todos dão voltas para não pisar nele. A empregada tentou pular por cima de seus pêlos loiros e foi carimbada na perna por seus dentinhos afiados.

            
            Diariamente sou despertada pelos galos do vizinho (isso que moramos a meia quadra da praça central) e o canto deles me traz filmes inteiros de recordações, além de ser infinitamente mais mavioso do que relógios ou máquinas da construção ao lado da minha casa em Floripa.
            Enquanto preparo o chimarrão e caminho pelo pátio, aspirando o ar fresco da manhã antes do sol incendiar tudo, sou acompanhada por orquestras de pássaros, regidas pelos bem-te-vis. Grilos, cigarras e abelhas transformam o jardim num parque de diversões, fazendo doce alarido.
           À noite, os cinamomos do segundo pátio se transformam em apart hotéis para bandos de andorinhas que chegam de todas as direções, cruzando o céu em formações impressionantes.
           Já disse e repito que o céu de Alegrete é o mais lindo e mais próximo que já vi. Talvez pela topografia da cidade, ou pela escassez de prédios altos, o céu, de um azul incomparável, paira sobre nossas cabeças numa proximidade perturbadora, ora com feitio de "céu de brigadeiro" (sem nuvens), ora com grandes algodões brancos bordados sobre o azul e - o mais lindo de todos - completamente salpicado de estrelas à noite. Consegui identificar todas as constelações que conheço e até um estrela cadente, que nunca mais tinha visto! O auge de sua beleza acontece quando a lua cheia se debruça sobre ele e fica a nos espiar. É lindo demais! E digo mais, mesmo as tormentas são aqui assustadoramente belas.
             Com o calor que tem feito (38º à sombra), numa noite dessas armou-se um temporal e ficamos momentaneamente sem energia elétrica. Sem ar condicionado ou ventilador, tivemos que sentar do lado de fora, no pátio interno da casa. Revi, então, um pequeno vagalume e pude apresentá-lo ao Lucas, que ficou fascinado com aquela minúscula luzinha piscante.
          Aproxima-se a data do retorno, os abraços e as risadas das amigas registrados na memória e na câmera digital, a saudade recolhida e novamente guardada no coração e a certeza de que só aqui me sinto inteira, completa, como parte de uma história interrompida ou a peça que faltava no quebra-cabeça da minha vida.

            
              Nestes últimos dias consegui vislumbrar a borboleta que faltava (até daqui elas sumiram). Não tão bela como eu esperva e bastante arisca, mas era uma borboleta. Como a foto que fiz não ficou boa, vou me despedir usando outra avezinha que há tempos não via tão de perto. Um picapau na praça dos patinhos.
             Adeus Alegrete!
             Até um dia!


Um comentário:

francari disse...

Vou "roubar" a foto do pica-pau e, se a gente se encontrar nas voltas que o mundo dá, roubo a camiseta que vc usou na foto (I love Alegrete).
Estou precisando voltar urgentemente lá; da última vez que fui (19-09-2009) fiquei só 24 horas e pude rever muito pouco.
Da próxima vez irei de carro, para visitar os bairos de minha infância: Praça Nova, Coxilha Sêca - onde a gente ia jogar futebol de mesa na casa do Pascoal Pesce, Canudos - do colégio Francisco Carlos e do campo de futebol do Juventude, time em que jogavam o goleiro Osvaldo e o zagueiro Fila, que entraram para a Viação Férrea e foram jogar no time ferroviário, o Brasil F. C.
Rever o Ibirapuitã, no passo depois da Santa Casa ou no Porto dos Aguateiros. Conhecer os bairros novos que surgiram depois que saí de lá, do outro lado da ponte rodoviária ou à direita dos trilhos que levam a Quaraí.
"Vou voltar, sei que ainda vou voltar..."