sexta-feira, 4 de maio de 2012

PROPAGANDA ENGANOSA


Dia desses, sempre com mais tempo do que coisas para fazer, andei passeando por alguns perfis dessas vitrines da net, onde as pessoas andam em busca de seus pares. Não pude deixar de balançar a cabeça, com um sorrisinho incrédulo no canto da boca. Então aquela pessoa "tão especial", tão maravilhosa, precisa se oferecer, assim como num balcão de açougue, ressaltando (e mentindo) suas qualidades para tentar içar alguém, que mente igual e esconde da mesma forma os defeitos que o (a) fizeram quedar-se sozinho (a) pela vida?!
Achei mais deprimente por se tratar de pessoas com cabelos brancos (ou pintados), tentando seu melhor sorriso, fazendo pose, tudo isso para conquistar quem? Um desconhecido, uma desconhecida, cheios de defeitos mal disfarçados, com uma história de vida totalmente diferente, parentes problemáticos sob o tapete, vícios inconfessados, cultura e valores questionáveis e ainda sem a proteção da juventude, da beleza física, dos hormônios. Achei triste...
Sei que os casamentos "virtuais" estão na moda, até mesmo porque as pessoas passam mais tempo na frente do computador do que nos salões de baile e eu sou a pessoa menos indicada para contestá-los, uma vez que conheci meu segundo marido numa sala de bate papo da internet. Agora, que é difícil conviver com quem não conhecemos no dia-a-dia, com quem não é nada dos nossos filhos, com quem desconhece nossas tradições e os valores de nossa família, ah disso não resta dúvida. Por isso, penso que esse modismo não vai ter vida longa e as separações serão ainda mais freqüentes do que nos casamentos tradicionais.
Todos nós fazemos uma "propaganda enganosa", seja para os outros, seja para nós mesmos. Douramos nossa pílula à vontade e caímos do cavalo quando alguém nos aponta um defeito que até já nem nos lembrávamos de ter.
Assim, "carinhoso, compreensivo, autêntico" são alguns dos atributos mais comuns nas tais vitrines. Carinhoso quando e com quem? Compreensivo? Será? Autêntico? Valha-me Deus!
Se esses pretendentes a par de alguém jurassem, pelo menos, que olhariam para sempre suas amadas, que não deixariam de prestar-lhes atenção, de ouvi-las, de acarinhá-las, de estar próximos de verdade (e não apenas geograficamente) já seria uma qualidade ímpar, que dispensaria as demais. Aliás, quanto mais leio essas coisas, mais me conscientizo de que homens e mulheres nunca chegarão a se entender e conhecer completamente. Pois, para as mulheres, como para o Pequeno Príncipe, o essencial é invisível aos olhos e só se vê bem com o coração.

Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

o que tenho visto em casais que já tem um passado e filhos, etc, é um relacionamento de namoros sem grandes envolvimentos familiares. e concordo com isto. o casamento convencional, viver junto e construir um lar sólido é necessário pelos filhos. mas filhos crescidos, não tem nada a ver tentar juntar famílias (e problemas) entre duas pessoas que como bem colocaste não sabem do passado e das vivências das outras.
esta nova forma de relacionar tem dado certo pelas pessoas que conheço e são felizes. mas não é na internet que a gente vai achar, pode ser até no supermercado, as coisas devem acontecer naturalmente e sem artifícios como os que citaste. isto aí é um embuste e pensei até que não existia mais.
bom assunto para uma pauta, gostei, beijos