quinta-feira, 18 de maio de 2017

SEM TEMPO



De repente, este texto ficou tão atual...


 
 Sabe, leitor, eu ando preocupada... Porque me vejo , cada vez mais, empurrada pelo relógio para tantos compromissos, que não me sobra quase tempo para fazer o que gosto.

Estou sem tempo para, por exemplo:
-          mastigar a vida;
-          entender a morte;
-          curar as doenças;
-          arrumar as gavetas;
-          olhar-me no espelho;
-          saborear os sucessos;
-          engolir os fracassos;
-          enfrentar os dissabores;
-          tocar piano;
-          ler e reler os livros;
-          responder os e-mails;
-          entender a correria;
-          ficar feliz;
-          entristecer;
-          chorar mansamente;
-          sorrir devagar;
-          ajudar ao próximo;
-          afastar o próximo;
-          sentir saudades;
-          saborear os encontros;
-          lamentar os desencontros;
-          ler todo o jornal;
-          conversar com os filhos;
-          curtir o neto;
-          fazer cafuné;
-          ganhar carinhos;
-          esperar a comida esfriar;
-          esquentar a comida;
-          folhear os álbuns;
-          vasculhar os cantos dos armários;
-          consertar as roupas;
-          experimentar roupa nova;
-          conversar com os amigos;
-          telefonar aos amigos;
-          ajeitar a casa;
-          fazer mudas das plantas;
-          ouvir o canário cantar;
-          rezar por tanta gente;
-          acender as velas;
-          fazer maquilagem;
-          retirar bem a maquilagem;
-          conversar com os vizinhos;
-          brincar com o cachorro;
-          seguir a receita do prato caprichado;
-          viajar ao sul e ao norte;
-          rever todas as pessoas queridas;
-          participar dos eventos;
-          dar comida aos peixinhos;
-          matear solita, cismando;
-          escolher, com calma, os produtos no supermercado;
-          namorar o marido;
-          VIVER!

Por isso, quero fazer um apelo ao Lula. Por favor, Presidente, deixe-me aposentar! Há uma “vida” me esperando e não por muito tempo. Tenho 50 anos (idade linda!!!, redondinha ...literalmente), trabalho desde jovenzinha e não sou culpada  pela fome no mundo, já que meu salário é tão pouquinho. Só queria um pouco mais de tempo para fazer essas coisinhas que, juntas, dão sentido à vida da gente.
Deixa, vai!

Florianópolis, agosto de 2003.



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