sexta-feira, 2 de agosto de 2013

MAIS UMA DESPEDIDA



          Quando as pessoas são mais moças que nós, vamos sempre tratá-las como jovens. Quando essa pessoa foi companheira de brincadeiras do nosso irmão caçula, não há como não achá-la mais jovem ainda.
          Ontem perdemos o Laco, que se chamava Fernando e era filho da dona Lívia e do Dr. Cassiano. Ela, uma modista renomada, ele dentista e político. Gente tradicional do nosso Alegrete. Moravam na encantada primeira quadra da rua Mariz e Barros, onde cada casa tinha várias crianças de idades semelhantes e só na casa dos Motta tinha oito! Quase todo ano a Mara aparecia lá em casa, toda solene, para participar o nascimento de mais um irmãozinho. A mesa deles era uma festa e mesmo com tanta criança em casa a “sesta” do chefe era sagrada, ninguém piava. Como não piavam em nenhuma outra casa da rua depois do almoço. Era um silêncio pesado e ai da criança que ousasse gritar ou arrastar alguma coisa!
          Laco era franzino, magrinho, tinha orelhas teimosas e uma grande vivacidade no olhar. Muito amigo do meu irmão Dadinho, viviam juntos, brincando, assim como eu e a Mara, o Tibério e o Afonso. Como amiga da família, ajudava a Mara a cuidar dos irmãos, ensinar os deveres, embalar no colo, enfim, participei bastante da infância deles e eles da minha.
           Acho que a vida deveria seguir em linha reta até o fim e que sempre os mais velhos deveriam morrer primeiro. Seria mais natural e mais aceitável. Mas as doenças, os acidentes, os crimes não obedecem esta regra e assim vamos perdendo gente novinha, produtiva, com tanta coisa para viver, ensinar e aprender.
           Primeiro foi a Márcia, agora o Laco e assim a “ninhada” do Dr. Cassiano vai ficando desfalcada. O que consola é saber que ele e a dona Lívia devem estar por lá esperando por esses que tão cedo partiram daqui.
         Quem sabe ele encontra o Dadinho e eles colocam o papo em dia?!
          Mas que dá pena, isso dá...


3 comentários:

Marli Borges disse...

Ah, que da pena isso dá. A morte é uma coisa muito estúpida, a gente não aceita, mas TEM que aceitar. É um conflito e u desespero que enfrentamos desde o dia em que nascemos. Bjs

Elisabete Stolarski disse...

Infelizmente é ordem natural das coisas... é triste mas estamos nesta vida emprestados... um dia todos iremos embora...

Marcelo Carneiro disse...

Se um dia eu morrer, juro que será totalmente contra a minha vontade!