segunda-feira, 22 de setembro de 2014

MELANCOLIA



              Deve ser um pouco por conta do clima, afinal, a mudança de estação sempre causa algum desconforto, ficamos inseguros quanto à roupa a usar (e quase sempre erramos), os ventos primaveris são de enlouquecer um cristão, todo mundo anda descabelado, com cara de louco e a beleza das flores nem pode ser apreciada convenientemente.
               Explicada a questão meteorológica, mais difícil será descrever essa onda melancólica que me inunda em plena segunda-feira. E o que é uma segunda-feira para um aposentado? Apenas mais um dia de cuidar dos outros e tentar cumprir algumas metas sempre adiadas.
               Estive há pouco parada na janela, olhando as pessoas passarem ligeiro, provavelmente atrasadas, saltos repicando o chão da calçada, cabelos molhados, apressadas. Lembrei, mais uma vez, de mim; atrasada para a escola, cheia de livros, cheirando a banho e um gosto de pasta de dentes na boca. Ou, mais tarde, brigando com os sinais fechados a fim de chegar à escola para a primeira aula.
                  Ás vezes, como hoje, sinto-me desperdiçada, sabendo que teria muito ainda o que ensinar, o que fazer pelos outros e por mim mesma. Assisto entrevistas de pessoas ligadas ao governo mais velhas do que eu e empreendendo, cheias de planos, necessárias. Vejo atrizes na TV, trabalhando com quase 90 anos e me envergonho de utilizar apenas um terço dos neurônios.
               Claro que posso tocar piano, até concluir meu curso inacabado. Posso também fazer aulas de dança, já que dançar sempre foi uma das minhas grandes paixões. Posso escrever meu romance, apesar de que escrever é ainda a única coisa que  continuo a fazer com frequência. Só que tudo isso, talvez por servir apenas para mim, me parece tão pouco! Minha cabeça foi treinada para servir aos outros, à comunidade, à sociedade, à humanidade e não apenas a mim mesma.
                       Por outro lado, assisto a tanta coisa errada, tantos desmandos, tanta violência, tantas atrocidades, que me fazem estranhar o ser humano, como um desigual
              Sinto que preciso traçar novas diretrizes se não quiser deixar esta melancolia crescer e se transformar em depressão.
                       Deve ser o clima.
                Já pensei e repensei na vida, senti saudades, li, escrevi, executei os serviços domésticos de praxe, visitei os perfis dos amigos na redes sociais e continuo com essa tristeza sem causa específica, isso que está o maior sol lá fora. A vontade é de arrumar uma mala e partir para outros países, conhecer coisas novas, esquecer as picuinhas domésticas, afogar o passado, estraçalhar as mágoas, curtir a vida!
                       Estou cinzenta hoje, sorumbática, reflexiva... por que será?!





4 comentários:

Jeanne Geyer disse...

vai passar :) bjs

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Maria
Todos temos dias cinzas em qualquer Estação mas hoje passo para trazer-lhe um ramalhete de flores bem coloridas que alegrem a sua alma e faça vc sorrir ainda que em espírito...
Bjm florido

Ana Luiza Carivali disse...

É tem certos dias que bate uma melancolia que não se acha graça em nada ou vontade de fazer.As vezes dá uma piti de sair sem rumo para qualquer lugar ,espairecer sair da mesmice...ainda bem que logo passa... mas que dá vontade ah isto dá.

Maria Luiza Vargas Ramos disse...

Pior é que eu nem posso sair para espairecer, ou fazer o que me der na telha. Tenho compromisso de hora marcada com os netos, de segunda a sexta, sem folga...