domingo, 28 de abril de 2013

A VIDA DENTRO DA MÁQUINA




     Adoro escrever! À lápis, com canetas variadas, na máquina de escrever e, agora, no teclado do computador.
     Os momentos mais intensos e saborosos da minha vida transcorrem durante o transe da escritura e os textos que produzo guardam a essência do que sinto e penso, mesmo quando crio personagens e enredos ficcionais.
     Ainda que passe várias horas diante do computador, não confio totalmente nesta máquina, como desconfio, aliás,  de todas as máquinas, porque elas têm vontade própria e, quando resolvem encrencar, não nos avisam previamente. Perdi muitos textos que não soube reescrever à altura, simplesmente por uma queda de energia ou por apertar a tecla errada.        
     Apaguei, sem querer, arquivos importantes e várias fotos preciosas sumiram como que por encanto. Hoje em dia já me entendo melhor com o sistema, possuo algumas proteções e até um HD externo para ir salvando o que não deve sumir. Mesmo assim, o risco é sempre iminente.
     Há vários dias venho trabalhando no meu livro de contos, escrevendo os que faltam, revisando os já escritos, aprontando para enviar à editora. Ontem coloquei o ponto final. E, na mesma hora, o computador “morreu”, recusando-se a ressuscitar. Num sábado de manhã, quando a assistência técnica só funciona até o meio-dia e quando eu tinha desistido de ir para a praia num final de semana ensolarado e quente, provavelmente o último antes da chuva e do frio, só para colocar em dia todas as atividades literárias em que estou envolvida.
     Fiquei assustada com a minha reação. Eu não tinha salvado nada dos últimos contos, tampouco enviado ao editor. Tinha prazos e fichas de concursos, envio de textos para várias antologias e pretendia cumprir tudo isso nesse glorioso final de semana. De repente, eu me vi refém de uma máquina birrenta e temperamental, totalmente indiferente à minha angústia, surda aos meus apelos, sem a menor piedade das minhas mãos úmidas e meus olhos assustados. Essa é a grande diferença entre o homem e a máquina!
     Tenho um filho-anjo que desistiu de um passeio com a família para levar o monstrengo insensível até o técnico (que se recusou a vir em casa) e lá, depois de eu ter ligado quase que de minuto em minuto, descobriram que a fonte tinha queimado e que nada se perdera. Ufa!
     “Casa arrombada, tranca de ferro” e passei boa parte do dia copiando tudo para o HD externo. Enviei logo o livro para a editora, mesmo sem revisão, evitando assim outro susto.
     O que me deixou preocupada foi a vulnerabilidade de um processo criativo que costuma ser trabalhoso e envolvente, difícil de ser refeito.
     Não gostei nada de me sentir refém de uma máquina fria e insensível! Acho que vou voltar a escrever à lápis nos meus preciosos cadernos. Eles não se apagam sozinhos!


4 comentários:

Francisco Carlos D'Andrea (francari) disse...

Maria Luiza:
Alguém como você, que cria textos e não pode perdê-los, deveria usar não um computador de loja, mas um encomendado a uma empresa que os monte de acordo com as especificações do comprador, com uma fonte super dimensionada, placa-mãe com "componentes militares", processador Intel (de preferência, por ser mais dificil de apresentar problemas), 2 discos rígidos iguais, montados num "array" que faça a duplicação dos dados, e ter um disco externo, com capacidade suficiente para fazer um "backup" periódico dos dados, com o que vc ficaria com os dados "triplicados" e seguros. O investimento será alto, certamente, mas creio que compensaria. Abraço

Tulipa Vermelha disse...

o comentário sumiu, vou tentar de novo, deixa tudo no gmail. se um dia acabar o gmail eles avisam antes e vc passa pra outro lugar seguro. tenho uma pasta lá. bjs

Maria Luiza Vargas Ramos disse...

Não sei bem como fazer isso. Criei uma conta lá, mas não sei como guardar. Podes me ensinar? Bjs.

Maria Luiza Vargas Ramos disse...

Querido Francisco, vou anotar tua sugestão. Não sei se mereço tanto, mas para mim o valor é inestimável e eu fiquei apavorada!