domingo, 23 de outubro de 2011

INTIMIDADE


            Hoje em dia os casais já nascem íntimos, desprovidos de pudores e constrangimentos, mas não foi sempre assim.
          Quando me reporto ao "meu tempo" pareço jurássica, no entanto, nem faz tanto tempo assim que as moças tinham vergonha de se dizerem menstruadas ao namorado e disfarçavam o quanto podiam as famigeradas cólicas menstruais.
          Os homens demoravam muito a pedir licença para usar o banheiro na casa das namoradas e morriam de vergonha se algum ar lhes escapasse depois das refeições.
          Por conta disso, aquilo que os novos casais mais almejavam era atingir um grau de intimidade que os livrasse de todas aquelas vergonhas e situações complicadas. Sei de gente que nunca se separou ou recomeçou sua vida ao lado de novos amores por medo ou preguiça de passar novamente por todo esse processo de conhecimento.
          Agora eu lhes pergunto: o que é "intimidade"? Será apenas o direito de soltar puns, arrotar ou usar o banheiro de porta aberta diante do parceiro (a)? E então suportaríamos uma vida frustrante apenas para não deixar de desfrutar dessas escatologias?
          Para mim, intimidade é MUITO mais do que isso! Intimidade é parceria, é cumplicidade, é conhecimento profundo do outro, é troca de olhares, é apertar de mãos, é cafuné, é massagem no pé, é beijo de menta, de cerveja, de pimenta, de café, de tesão, é abraço demorado, é segredo na orelha, é risada gostosa ou sorriso disfarçado, é sempre dizer "nós", é pensar tudo em conjunto, é entender a vida junto, é contar com o outro sempre e morrer de saudades quando longe.
          Intimidade, portanto, é consequência do amor e não de necessidades fisiológicas ou falta de educação.
            Feliz dos casais que são íntimos, pois para esses o sexo será sempre vital e bom, uma vez que um sente falta da proximidade, do contato, da pele, do cheiro, do gosto, da real intimidade com o outro.
           Não será espremendo espinhas do namorado, ou falando obscenidades que os casais ficarão mais próximos, "sem frescura" como costumam dizer.
           A verdadeira intimidade é tarefa para iniciados.

Um comentário:

Ivana Maria disse...

Oi,minha querida.Penso que, como em tudo na vida, o que importa é encontrar-mos o equilibrio. Nem a precipitação de uma intimidade exagerada, nem um pudor que engesse o relacionamento e não possibilite conhecer bem a pessoa, antes de firmar um compromisso e se arrepender depois. Namorar é muito bom. Como aconselha Raimundo Fagner: "Hoje a noite namorar, sem ter medo da saudade e sem vontade de casar." bjs