quinta-feira, 8 de setembro de 2011

ETERNIDADE


Não sei se gostaria de me eternizar... tenho medo de cansar, de ficar com vontade de sumir e não poder.
De qualquer maneira, já plantei muitas coisas (que quase nunca vingaram), já escrevi dois livros, participei de vários e também tive três filhos. Segundo a sabedoria popular, já tenho meio caminho andado para a eternidade.
Ontem, preparando mais um dos meus famosos almoços domingueiros, pus-me a pensar (novidade!). Já fiz tantas coisas na vida, mas os maiores elogios são sempre para a minha comida.
Minha avó cozinhava divinamente (aprendi com ela) e, até hoje, é quase sempre de seus quitutes que lembramos primeiro. E ela sabia fazer tantas coisas!
Já não danço ballet (obviamente), toco piano lá de vez em quando, só canto na Igreja (nunca mais dei canja nos bares), nem danço mais, aposentei-me das aulas, enfim, tirando escrever, a única coisa das minhas especialidades que continuo fazendo é cozinhar.
Meu filho mais novo queria que eu escrevesse um livro de receitas, ao invés de crônicas.
Será que, depois de estudar tanto, de me aprimorar em tantas coisas, serei lembrada apenas como boa cozinheira?
E como será que eu queria ser lembrada?
Sabe, aquelas frases famosas:" Minha mãe isso... Minha avó aquilo..."
E você? Vai querer se eternizar como? Quando falarem de você, do que será que vão lembrar primeiro?
Pense.

Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

és feliz e não sabes,rsrs
a quituteira da família é a nora. os inteligentes e bem sucedidos são a Cynthia e o Clóvis por motivos óbvios.
acho que serei lembrada como a doentinha da família, desligada, no mundo da lua, atrapalhada...
pouco importa, pois que a perspectiva dos outros jamais vai alcaçar todo o nosso ser com nossas complexidades e riquezas intimas...
Beijos

ah! cozinhar bem é para poucos, uma arte divina!