sexta-feira, 11 de março de 2011

GREGOS E TROIANOS

           O escritor precisa tomar partido? Precisa deixar clara sua posição? Deve levar sempre o leitor em conta? Ou não?
         Escrevemos para sermos lidos, isso é ponto pacífico. Agora, se formos imaginar cada um dos leitores que conhecemos, iremos tentar adequar nosso texto às tendências de cada um e o resultado será, no mínimo, um balaio de gatos despersonalizado.
         Digo isso porque já vivi esta situação inúmeras vezes. O mesmo texto que agrada sobremaneira algumas pessoas irrita ou decepciona outras, não tem jeito.
          Ultimamente, dois textos me garantiram alguns dias de fama, de elogios, de reconhecimento. Um deles ganhou destaque no mural de um hospital da cidade (O Poder do Caranguejo) e o outro quase me lançou candidata à Presidente ( Organograma da Maracutaia).
          Em contrapartida, ao tentar fugir do lugar comum que lança as mulheres como vítimas, mártires, santas no dia dedicado a elas, não fui bem compreendida e até vista como preconceituosa. Faz parte.
         O que as pessoas devem entender é que, mesmo sob disfarces literários, o escritor tem suas convicções, suas opiniões, sua maneira de ver as coisas. E que isso permeia sua obra, ainda que não de forma linear, mas como pontos em alto relevo que se sobressaem.
         É claro que temos altos e baixos, que nem sempre acertamos a mão e que alguns textos saem melhor do que os outros. Agora, quando geram discussão, ou até mesmo polêmica, é porque têm valor, uma vez que a pior reação possível é sempre a da indiferença.
         Escrevo publicamente há mais de quarenta anos. penso que já adquiri suporte para não me perder nos elogios, nem me deprimir com as críticas.
         Por isso, continuo escrevendo para os gregos e também para os troianos. 

Um comentário:

Ivana Maria disse...

Tenho adorado tudo o que tenho lido aqui, vai ver é porque eu sou metade grega e metade troiana. rsrsrs Não deveríamos todos ser assim, flexíveis, abertos, buscando compreender a opnião alheia, aceitando o outro como ele é? Me esforço para isso. Concordo com você, quando se trata de expor a nossa opnião, ao leitor cabe o direito de acatá-la ou discordar dela, mo todo o respeito ao meu direito de também opinar. Um grande abraço. Espero ainda aprender muito com você. bjs