quarta-feira, 2 de abril de 2014

O QUE É A VIDA AFINAL?!




                   Para que nascemos? Por que morremos? Em que devemos acreditar? Para onde iremos? O que faremos com essa bagagem toda que vamos acumulando pelo caminho?
                   Feliz de quem tem todas as respostas! Mais feliz ainda quem nem se preocupa com as perguntas. Vive como erva daninha, que ninguém planta, ninguém colhe e não faz falta no mundo.
                  Como suportar a dor de saber que todas aquelas pessoas e pessoinhas que mais amamos um dia vão morrer?
                  Como viver sempre com medo de ser atingido, ou, pior ainda, de ver um dos nossos queridos ser atingido por uma dessas doenças terríveis que aumentam a cada dia? Ou alvos da violência cruel que devasta a sociedade?
                 As glórias, as plenitudes, os sucessos são deliciosos, mas efêmeros, o sabor logo se esvai, sufocado pelas dúvidas oriundas da consciência.
                 Somos pequenos, frágeis, insignificantes, muitos!
                 Basta pegar uma lista telefônica de um estado apenas, de um país só e ver quantos somos espalhados por aí, cada um se achando o centro do universo e com a ilusão de que fará uma falta imensa no mundo quando partir.
                 Não dá pra viver encarando a finitude, a decrepitude, o passar do tempo. Mas ele passará mesmo que não se pense nele, ainda que o espelho e os amigos mintam, apesar de existirem compensações.
                Por que não seguramos nas mãos aquela risada gostosa da infância, aqueles olhares melosos da adolescência, a impetuosidade desbravadora da juventude?
                E os bens materiais? Lindos, reluzentes, confortáveis, no entanto, pedaços de lata, de madeira, de aço, de tecido, de couro, coisas que não podem nos representar, nem traduzir nada do que sentimos de verdade. São apenas maquilagens para o ocaso da vida, quando finalmente podemos obter benesses compráveis, em troca da nossa virgindade existencial.
                A vida pode estar escondida nas palavras, nos guarda-roupas arrumados ou bagunçados, na despensa cheia ou desfalcada, nos cadernos espalhados, nas contas honradas ou penduradas aqui e ali, nos consultórios, no talão de cheques, nas redes sociais, no telefone, no anestésico da televisão, nos sorrisos, nos abraços, na saudade, no cansaço, na insônia, na viagem, no deslumbramento, na decepção, numa carta, numa fotografia, numa música, numa comida, num filme, numa notícia, num elogio, numa demissão, num embate, num contrato, num erro, num acerto, numa decisão.
                Depois de tudo isso, o que resta?
                A vida, portanto, não é o princípio, nem o fim, mas o meio.



2 comentários:

Jeanne Geyer disse...

maravilhosos questionamentos. bjs

Jeanne Geyer disse...
Este comentário foi removido pelo autor.