quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Já estou com saudades...

Ai meu Deus, eu não tenho jeito mesmo! Pode alguém se afeiçoar a um "blog"??? Só eu... Amigos mais entendidos de internet me convenceram a trocar para um blog com mais recursos, etc. Eu mesma achava falta de um contador de visitas, embora nem saiba para que serve. Não seria mais instigante escrever sem saber para quem? Sem saber se não seria apenas um eco de mim mesma? E a maravilha de saber que tantas pessoas acessaram meu mesmo perfil só para me deixar um rastro da sua passagem. E os comentários! Como meus amigos (na verdade, até agora só amigas) escrevem bem! E o papel de carta tão bonitinho? O outro não tem. E as cinquentinhas no endereço? No outro não pude colocar. Dá vontade de ficar por aqui mesmo... Mas daí meus leitores (já são 53 declarados!)vão me matar! Com razão. Então eu vou...snif, snif...mas de vez em quando eu volto, só pra ver se não ficou ninguém perdido por aqui. Vou falar bem baixinho o endereço da outra casa para o dono dessa não ouvir. http://vargasramos.zip.net/ A gente se vê por lá. Bye!

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Colher-medida.

Acho que já nasci 8 ou 80. Com mais de cinqüenta anos, ainda tenho dificuldade no meio termo. Sou muito intensa e já estava na hora de me acomodar no adequado, no conveniente, no aconselhável. Qual o quê! Amo demais, detesto demais, como demais, bebo demais (ou nada), felizmente larguei o cigarro, senão ainda fumaria demais e por ainda afora. Quando vou para a cozinha faço banquetes. Ou tomo sopa Vono de caneca. Afasto-me da internet, ou fico horas a fio enchendo a caixa de correspondência dos meus amigos com tudo o que vejo e gosto. Quero me emendar. Assisti o filme "A Rainha" e deduzi que jamais seria rainha, ou inglesa. Minha passionalidade é mais espanhola, ou judia, sei lá.Inglesa não. Ontem, na missa, fiquei observando uma menina de seus 10 anos que passou o sermão inteiro fazendo cafuné na mãe dela. Chegava a enervar a gente. Como o brasileiro gosta de contato físico, de viver se agarrando, se beijando, passando a mão! Na França, mesmo avisada pela guia, toquei no braço de uma mulher para pedir uma informação e ela deu um salto, assustada e furiosa, como se eu a tivesse ferido. Os europeus cumprimentam-se polidamente, encostam suavemente as mãos ou roçam de leve a face, à guiza de beijo. Já os brasileiros não têm medida, é um tal de amassar, beijar, andar de braços dados, como se tivessem crescido junto com aquela pessoa que acabaram de conhecer. Um dia vou conseguir ser mais comedida. Em tudo. Quero exteriorizar menos meus sentimentos, comer um pedacinho da barra do chocolate, tomar um cálice daquele vinho delicioso, ir embora dos lugares na hora adequada, mesmo adorando tudo. Vou assistir a tantos filmes europeus que hei de aprender um pouquinho. Ah, escrever menos também é "mais adequado" a um blog. PS.: Não tenho como saber quantos leitores estou tendo ou para quem escrevo. Este blog não possui contador. A não ser que você clique em visualizar o perfil todas as vezes que passar por aqui. Ou que deixe um comentário, o que será melhor ainda.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Camaleoa

Quando temos mais tempo , nossa relação conosco mesmo também se altera. A passagem pelo espelho é mais demorada ( e quase sempre frustrante), a conversa com os vizinhos no corredor do prédio, no balcão da padaria, tudo é feito com mais vagar. No supermercado escolhemos, comparamos, reparamos na validade e até no rótulo dos ingredientes de produtos que comprávamos só pelo desenho às vezes, de tanta pressa. Na diminuição da correria cresce a análise de tudo e de todos, principalmente de nós mesmos. Quando somos bonitos,cheios de vida, de brilho, vivemos apressados, atrasados, sem tempo para nada. Agora, que nem gostamos tanto assim de nos prestar atenção, temos todo o tempo do mundo para acompanhar a trajetória de cada ruguinha, cada fio de cabelo branco e outras coisas de estética duvidosa que vão surgindo em lugares antes tão bonitos. Reparei, por exemplo, que tenho livre trânsito nas mais diversas rodas. Minha colega mais velha da hidroginástica tem 80 anos. E me faz confidências. Ex-alunas e companheiras de viagem de 17, 18 anos conversam livremente comigo, sem restrições. Cruzes, quando eu tinha a idade delas, alguém com 20 anos a mais já era considerada jurássica; a gente respeitava, mas conversar jamais. Converso bem com homens, quem sabe por ser de uma família onde eles são maioria absoluta. Só não gosto de futebol. Converso com ricos, conheço até o nome de algumas "finuras" necessárias ao seu convívio e não me sinto amedrontada ou diminuída diante de seus luxos. Tenho alguns bons amigos sem problema de dinheiro, poucos na verdade. Converso muito bem com pobres, com prestadores de serviço e até com mendigos. Adapto meu linguajar a cada tribo, sem dificuldade. Por isso me considero camaleoa. Porque sei ficar velha, jovem, quase criança, rica, pobre, operária, madame, enfim, só espero nunca esquecer quem na realidade EU SOU. Ou serei um pouco disso tudo? Se não finjo, nem minto, apenas me adapto, será que não possuo em mim um pouco de todas essas pessoas em quem me transformo quando necessário?

Vive la France!

Nesta noite sinto-me como uma criança que ganhou um brinquedo novo, há muito desejado. Antes de dormir, tive que passar por aqui e ver se alguém tinha encontrado minhas maltraçadas linhas. Dezesseis pessoas leram! Que responsabilidade! Não posso me dar ao luxo de deixar só aquele ensaiozinho... Na minha nova rotina de aposentada há situações impensáveis, como a de fechar as cortinas no meio da tarde, recostar na poltrona e assitir um filme. Pois é, hoje fiz isso. Viajei novamente para a Europa , para o Palácio de Versalhes assistindo "Maria Antonieta". Terminada a sessão, abri as cortinas e me deparei com o sol e o vai e vem das pessoas apressadas, no meio do expediente de trabalho. Parecia que eu era a única terrestre de papo pra o ar naquele horário. Corri para a enciclopédia, a fim de refrescar a memória sobre a Revolução Francesa e a Queda da Bastilha. O filme foi bem ligth, não mostrou a barbárie, só o glamour da corte. Melhor assim. Que festas! Que roupas! Que dolce far niente! Terá Maria Antonieta dito mesmo a tal frase, quando comunicada que o povo não tinha pão? "- Que comam bolo (ou brioches)"! Como pude comprovar na França, os franceses não vivem sem pão. E que pães! Em todas as refeições não pode faltar o pão e o vinho. Ah, e os cachorros. Como bem mostra o filme, os cãezinhos se misturam aos donos em todos os lugares, inclusive à mesa. E ai de quem ousar reclamar num restaurante. Será convidado a se retirar e o cão permanece. Sempre disse que não queria morrer sem conhecer Paris. Agora digo que não posso morrer sem voltar a Paris, por mais tempo. Acho que o que eu não quero mesmo é morrer.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Primeira vez.

Sempre tem uma primeira vez. Para tudo. E esta primeira vez nem sempre, ou quase nunca é do jeito que a gente sonha. Como este blog, por exemplo. De repente, quase sem tempo, acabei por criá-lo e estou escrevendo sofregamente o que deveria ser pensado, rascunhado, refletido. Não será sempre assim. Prometo. Sei que tenho coisas bem mais importantes para escrever e refletir com meus possíveis leitores. Hoje não. Hoje vou ficar só olhando para essa criatura, criada a partir de um impulso e que, já pressinto, será muito importante na minha vida, ocasionando, quem sabe, a aposentadoria precoce do meu inseparável Diário. Queria muito saber quem será meu primeiro leitor. Parece que não será fácil descobrir, mas também não há de ser impossível. Feito. A primeira vez já foi.