segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

ADEUS GLOBO!



Meu pai comprou a primeira TV na Copa do Mundo de 1970. Ele sempre foi contra modernidades. Deve ter sido dos últimos a comprar o primeiro fogão a gás e nem chegou a experimentar o computador e o forno de micro-ondas. Era um homem inteligente, culto, aviador, mas nem um pouco inclinado à tecnologia doméstica.
Antes de termos nosso próprio aparelho, eu e minha mãe assistimos às novelas “Direito de nascer” e “Nino, o italianinho” na TV da vizinha. Jantávamos e corríamos para lá, maravilhadas. Nem lembro se era Tupi, ou Globo, mas era o único canal que pegava um pouquinho, sem cor e com bastantes chuviscos, que um Bombril na ponta da antena amenizava. Tempos depois tivemos uma repetidora na cidade vizinha, o que melhorou um pouco a qualidade do “semblante e do sotaque”.
Já donos do nosso próprio aparelho, meu pai nunca mais perdeu o Jornal Nacional e uma novela de época. Cid Moreira e Sérgio Chapelin eram nossos companheiros de todos os jantares. Eles traziam o Brasil e um pouco do mundo para nossa casa e confiávamos piamente em tudo o que eles anunciavam. Se passava na Globo, a gente podia acreditar.
Criei meus filhos com o “Sítio do Pica-pau amarelo”, com as manhãs da “Xuxa” e as noites com Chico Anísio, Jô Soares, Agildo Ribeiro e vários programas leves e divertidos para a as famílias poderem assistir juntas antes de dormir.
De uns tempos para cá, imagino que após a morte de Roberto Marinho, a Globo começou a mudar e a eleger como público alvo a contravenção, o analfabetismo, a indecência. E as novelas degringolaram, os filmes se tornaram poços de sangue e violência, os programas de auditório ofensivos para as famílias e o jornalismo tendencioso ao extremo, sem a isenção saudável e necessária aos bons profissionais da notícia.
Eis que hoje assistimos os âncoras dos telejornais da Globo com cara de deboche (William Bonner), os apresentadores às gargalhadas no palco (Tadeu Schmidt) diante de notícias ofensivas a uma grande parcela da população, quando não fazendo discursos políticos no ar (Fausto Silva e Fernanda Lima), num desrespeito absoluto com o telespectador que pensa diferente, valendo-se da câmera e do microfone para tripudiar sobre milhões de brasileiros ávidos por mudança, por desenvolvimento, por honestidade, por patriotismo.
Dizem que a Globo sonega impostos e deve muito aos cofres públicos. E que sua revolta com o novo Governo é porque ele diz que vai cobrar. O fato é que os governos anteriores saquearam o povo, roubaram bilhões, se locupletaram de todo jeito e nunca foram ameaçados ou ironizados por essa emissora que, lamentavelmente, perdeu toda credibilidade com o povo que a consagrou, optando por uma parcela da população que antigamente a menosprezava e hoje deita e rola nos seus programas tipo C ou D.
Assim, quarenta e nove anos depois de começar a assistir a Globo, hoje me vejo obrigada, compelida a trocar de canal, porque, para mim, televisão é notícia e entretenimento e a Globo hoje não me traz a notícia isenta que eu espero e seus programas só conseguem me revoltar pela imoralidade e pela violência.
Lamento por alguns atores talentosos que deixarei de ver, por alguns jornalistas como Sandra Annenberg e Heraldo Pereira, no entanto, não posso mais dormir indignada, revoltada, enojada com um jornalismo torpe e tendencioso, que vai contra 57 milhões de brasileiros que apostaram na Esperança.
Aguentei até ontem, até aquele quadro do Fantástico que ridiculariza nossa Fé e nossa torcida por um Brasil muito melhor. Não dá mais! Abandono a Globo e continuo torcendo pelo meu país, pela volta de tudo o que fomos perdendo de valores, muito por influência da Globo  nos lares menos estruturados.
A Globo passa e o Brasil fica!


Um comentário:

Eloah disse...

Bem isso minha amiga.Tua crônica fala a realidade de uma mídia desacreditada.Tambėm lamento, mas o Brasil está acima de tudo.Parabėns!