sábado, 13 de maio de 2017

SEM PALAVRAS

Texto da professora Marlene Peres Feijó, publicado no jornal Expresso Minuano, de Alegrete - RS
 
A menina da Mariz é Patrona da Feira do Livro

                                  Não participei da comissão que escolheu Maria Luiza Vargas Ramos para Patrona da Feira do Livro de Alegrete com essa escolha, além de encher-me de alegria, vem-me à mente à Maria Luiza sempre ligada no seu Alegrete, amando esta terra e fazendo de suas vivências em Alegrete o centro do seu mando linguística.
                                   Ao lembrá-la, vem-me a tona na minha vida a Menina da Mariz, a filha do seu Ramos, a menina da praça, caminho para escola; lembra-me também seu café matinal apressado para não chegar atrasada ao IEOA. Lembro-te no Orfeão Carlos Barone, tuas declamações, pois aos dez anos já declamavas Castro Alves (não me lembro se Vozes da África ou Navio Negreiro).
                                  Vem-me a mente teu trajeto pela Avenida Freitas Valle, tuas amizades, pois sempre andavas em grupos. No Osvaldo Aranha eras líder inconteste. Lembro dos teus matinês, das tuas reuniões dançantes e finalmente dos bailes no Cassino: os amores guardados no fundo do coração. Segredos da juventude. Tua memória é fantástica, o que estou relatando nesta coluna, não são lembranças totalmente reais, são advindas da leitura dos teus livros. Inclusive me impressionou a forma de como descreveste teus vestido brancos: o dos 15 anos, o do Debu e o do casamento.
                                  Fiz letras contigo no Ciesa. Lembro-me da tua dor e da tua família quando da morte do teu irmão. Lembro tuas sagradas idas às missas aos domingos. Das reuniões políticas em tua casa em que dois partidos diferentes coabitavam em harmonia. Maria Luiza tenho todos teus livros, a maioria foi tua bondade quem me deu. Acho-te maravilhosa como pessoa e como escritora agora a caminho rápido da consagração.
                                  A linguagem de Maria Luiza é simples, mas não vulgar, primando sempre pelo português culto. Justifica-se isto pela tua formação familiar, onde ler era parte do cotidiano. Por outro lado, és Doutora em Letras, embora tua formação neste sentido seja na área da Literatura Brasileira, quando tomou, para defesa de conclusão de curso, a obra de Nelson Rodrigues.
                                   A linguagem da Maria Luiza tem respingos de simbolismo, esparsas metáforas e algumas prosopopeias. Maria Luiza, na tua linguagem, revela-se introspectiva, mas ao mesmo tempo és inquietante, rápida, parece que estás a correr em busca de algo.
                                   Mas em ti não tem nada perdido, a não ser que queiras atingir o arco - iris para nos contar nos teus livros o ápice desta experiência.
                                    O teu íntimo é riquíssimo. Mas costuma trazê-lo fechado, mas às vezes esqueces sua porta aberta e de lá fogem nas asas da imaginação, sentimentos, amores, vida, esperança no mundo em colheita.
                                   Além do considerável número de obras já publicadas, Maria Luiza constituiu uma bela família, três filhos e quatro netos.
                                  Além de tudo, nunca deixaste de ser dona de casa, estudava, lecionava, cuidava e cuida com carinho imensurável sua mãe, a nossa querida dona Conceição do IEOA. Cuidou dos filhos, cuida dos netos e ainda sobra-lhe forças para fazer belos e fartos almoços aos domingos para reunir a família.
                                 A tua saudade pela tua casa na Mariz é tão forte que, cada vez que leio alguma coisa tua, porto-me na frente da tua casa numa tentativa de amenizar tua saudades.
                                 Nos veremos na Feira do Livro, alguns assuntos deveremos trocar, porque a última vez que nos falamos pessoalmente, foi quando viestes a convite da URCAMP, desenvolver para os acadêmicos uma palestra cujo foco era a obra de Nelson Rodrigues. Eu e meus alunos saímos de lá extasiados.
                               A tua forma de expressão, tua emoção na voz, teu jeito de olhar, tua palestra em si nos deixou uma grata lembrança.
                              Maria Luiza te espero. Há de ser uma grande Feira, pois, ela já nasce forte sob a proteção do teu nome.
                              Assim te espero, longe dos protocolos, levo comigo um copo de água do Ibirapuitã, um pedaço de luar desbravando em brilhos as águas do nosso rio e estrelas brilhantes fugidas da Via Láctea que virão até a Mariz trazer-te a proteção de Deus e iluminar tua amada casa e inesquecível rua.


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