terça-feira, 29 de novembro de 2016

NATAL ESPERANÇA



                         Não caberia a mim, uma sexagenária, falar em esperança. Esperança é coisa de jovens, de quem tem um futuro pela frente, de quem tem milhares de sonhos para realizar e vontade de mudar o mundo, a vida, as pessoas.
                        O que vejo, no entanto, são jovens desesperançosos, derrotados, descrentes das instituições, dos valores morais, da honestidade, da justiça. Jovens que não tem, nem procuram uma Fé, que optam por viver a vida como se cada dia fosse o último, defendendo-se dos agressores como podem, medrosos, inseguros, perdidos. Frutos de famílias cada vez mais desajustadas, mais egoístas, mais presas às redes sociais do que à rede familiar, insatisfeitas, iludidas, caminhando a esmo para uma rotina que não lhe preenche, num trabalho mecânico, sem grandes realizações. Muitos, inclusive, à procura de qualquer trabalho, mesmo que seja fazendo o que nem gosta, desde que lhe garanta pelo menos o dinheiro para colocar créditos no celular.
                       Nos hospitais, famílias em sofrimento constante, enfrentando doenças, lutando contra a morte, suportando dores, ouvindo diagnósticos assustadores e previsões arrasadoras dos médicos. Um mundo à parte, feito de tristeza, medo, insônia e muitas orações.
                      Tragédias ceifando vidas saudáveis, produtivas, jovens; enquanto outros matam para roubar um celular, para comprar drogas, para se vingar, porque a vida não vale nada para eles.
                      Nossos representantes roubando o povo, enchendo os cofres de joias, garagens lotadas de carrões, lanchas, coberturas, sítios, dinheiro na Suíça, enquanto o povo trabalha como escravo para pagar os impostos escorchantes e a fome interminável do leão do Imposto de Renda.
                     Não será o Papai Noel que nos trará alento neste Natal, embora devamos, com todas as forças, resgatar toda magia do bom velhinho para nossas pobres crianças, tão descrentes de todas as fantasias. Que ele distribua balas, brinquedos, encanto, magia e o sonho de um natal como deveria ser, como já foi, como está cada vez mais distante...
                     E para todos nós – ESPERANÇA!
                     Que as famílias se amem, se entendam, que os que foram pra longe voltem pra perto, que os doentes sarem, que os maus se tornem bons, que a honestidade e a fraternidade prevaleçam, que os povos desistam das guerras, que o homem não mate o homem por motivo algum, que as mulheres se deem ao respeito e sejam respeitadas, que as crianças sejam protegidas e educadas, que os idosos sejam cuidados com carinho e que o Pai de todos apenas se encarregue de não deixar as tragédias acontecerem.
                    Só assim teremos um Natal de verdade. Um Natal nascimento. Um Natal transformação. Um Natal esperança.


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