quinta-feira, 17 de julho de 2014

CADA MACACO NO SEU GALHO





Em tempos de novas -e perigosas - desavenças entre Israel e Palestina, envolvendo, inclusive seus aliados.
Quando o ditador sírio foi autorizado a governar por mais 7 anos, do jeito que o mundo sabe.
Este texto, que já tem 13 anos, volta a ficar atual.
Confiram.





Pela primeira vez, desde os meus 15 anos, quando comecei a escrever para a Gazeta, senti-me tolhida, travada, incapaz de expor minhas ideias sobre um fato da proporção do recente ataque terrorista aos Estados Unidos.
Estarei deprimida? Emburreci? Tornei-me alienada? Acho que não. Apenas a avalanche de informações que recebo pela TV a cabo e recolho nas ruas ou no trabalho com trezentos jovens alunos e muitos colegas, causou em minhas concepções um estrago semelhante ao desmoronamento das torres gêmeas do World Trade Center , em New York.
De quem foi a culpa? Quem foram as vítimas? Qual a razão para tamanha atrocidade? Quem terá sido o país louco a ponto de bulir com a “maior potência mundial”? O que causa mais medo: o fanatismo islâmico ou o patriotismo norte-americano?
Meu correio eletrônico está repleto das profecias de Nostradamus, assim como esteve cheio de versículos do Apocalipse na virada do milênio. Oportunistas? Míticos? Catastróficos? Ou apenas medrosos?
Neste raciocínio louco, de quem mal tinha se recuperado da paranoia televisiva do sequestro da família do Sílvio Santos, o sentimento que predomina é altamente paralisante. “Meu Deus! My God! Alá!” - lembro até Castro Alves, nas declamações da minha infância no IEOA – “Senhor Deus dos desgraçados/ dizei-me então Senhor Deus/ se é mentira ou se é verdade/ tanto horror perante os Céus!”
Globalização. A maior piada de todos os tempos. Como globalizar mundos, pessoas, credos, vidas tão diferentes? Se não conseguimos nos entender com a Argentina, vizinha e até tributária dos pampas gaúchos, como podemos pretender uma hegemonia com os fundamentalistas islâmicos, por exemplo? Se vivemos perseguindo e ridicularizando os “crentes” das novas religiões surgidas nos últimos tempos, imagine conviver com alguém treinado para morrer pela fé e pelos ideais de seus países. Impossível.
Os países desenvolvidos, que tripudiaram sobre suas riquezas naturais, hoje espicham um olho gordo para a nossa Amazônia. E nós, bobões, separamos o lixo, doutrinamos as crianças sobre a ecologia e a necessidade de preservação da natureza, enquanto ricos e fanáticos constroem bombas atômicas, de nêutrons, de prótons, ou seja lá do que for, desde que matem, devastem, desolem terras inteiras.
O mundo nunca conseguirá esta utopia de ser uma só terra, onde todos sejam irmãos. Nem numa pequena família se logra atingir, às vezes, tanta fraternidade assim, imagine entre o Oriente milenar e o Ocidente capitalista. Será sempre uma Torre de Babel, onde cada um falará uma língua e ninguém se entenderá. Literalmente. Mesmo porque, a única língua que os americanos falam é o inglês, já que não veem necessidade de se expressar em outra. E o Brasil segue pelo mesmo caminho, tropeça cada vez mais no português e adora vender seus “hot dogs”.
Tomara que esta guerra não se concretize, que Deus toque nos corações de todos os seus filhos, abrandando-os.
E que nos fique esta lição. Deixem o petróleo por lá, plantem cana por aqui, vivam com seus próprios recursos, porque, a meu ver, a fórmula mágica para o mundo viver em paz é ninguém se meter nas guerras dos outros, nem cobiçar os tesouros alheios. Viver onde nasceu, com o que sua terra dá e junto aos seus semelhantes.  
Que alguém grite – Deus, God ou Alá - , como nas brincadeiras infantis:
“ – Cada macaco no seu galho!”
E poderemos viver em paz.

setembro de 2001.






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