quinta-feira, 18 de março de 2010

VELHOS CASAIS

               Sempre me enterneci diante de casais unidos por muitos e muitos anos.
               Talvez por ter exemplo em casa de um casal que viveu junto por mais de cinquenta anos, andando de mãos dadas na rua e se beijando na boca (fora as demais intimidades).
                Meu pai casou com minha mãe quando tinha quarenta anos. Era solteiro e já experimentara quase tudo na vida. Ela jovem, virgem e  única filha mulher de um casal ultraconservador. Ele disse a ela que não podia lhe prometer comemorarem Bodas de Ouro, por conta da sua idade, mas as de Prata ele garantia. Então foram tão felizes, apesar dos açoites da vida, que ele durou até os noventa e dois anos e festejou com ela suas Bodas de Ouro. Eles eram um verdadeiro CASAL.
                  Quem sabe esta seja a razão, ou uma das razões para eu achar tão lindo um casal já de cabelos brancos, pele enrugada, passos vacilantes, de mãos dadas pelas ruas, ou nas salas de espera dos consultórios médicos. Eles souberam enfrentar juntos os revezes, superar as dificuldades, aceitar as diferenças, respeitar os espaços, medir as palavras, estimular um ao outro, elogiar, desenvolver a auto-estima do companheiro(a), fazer carinho, não economizar sorrisos, dividir, somar, multiplicar, compreender e AMAR.
                   É muito bom conversar sobre os mesmos filhos, brincar com os mesmos netos, rir dos mesmos parentes, comemorar as mesmas datas, dividir as mesmas lembranças. Não tem preço! E são coisas cada vez mais raras neste mundo de uniões provisórias, onde a palavra separação está sempre implícita nas discussões mais tolas e os filhos se sentem numa verdadeira areia movediça, prestes a afundar por qualquer irrelevância, qualquer TPM, qualquer dissabor no trabalho.
                   A vontade de ser constantemente feliz (ainda que nem saibam direito o que é felicidade) transforma os cônjuges em verdadeiros poços de egoísmo, não hesitando em sacrificar pessoas inocentes por conta de seus caprichos momentâneos, ou sua dificuldade em buscar soluções conjuntas, dialogadas, sensatas.
                   É claro que existem casos em que a separação é a  única saída, antes que a família toda pague pelos atos tresloucados ou pela falta de caráter de um dos lados. Só que esses casos não são tão comuns (ainda bem) e o que se vê, na maioria das vezes, são precipitações, imaturidade, inconsequência. E os filhos é que sofrem e pagam a conta. Sempre.
                    Não tenho muita moral para dar conselhos porque casei com dezoito anos e trinta anos mais tarde resolvi conhecer um pouco da vida e pedi o divórcio. Não farei aqui uma mea culpa, todavia posso adiantar que eu e meu ex-marido, pelo menos, somos muito amigos e convivemos com nossos filhos e netos na maior tranquilidade.
                     Há dez anos casei novamente. Não sei se chegaremos a completar alguma Boda, mas gostaria de andar de mãos dadas pelas praças, um amparando o outro, pelo resto da vida. Como gostamos muito de viagens, música, teatro e cinema, mesmo sem dividir um passado mais distante, espero que possamos conversar bastante, ainda que usando aparelho auditivo, ou óculos de lentes bem grossas.
                     Para os mais novos, fica um depoimento e um desejo de que não joguem fora um casamento de verdade por coisas pequenas, prazeres fugazes, emoções passageiras. Há muita coisa interessante pra celebrar numa longa vida juntos.
                     Podem apostar.


4 comentários:

Paulo Sergio disse...

Chegaremos lá com as graças de Deus. Por ser amado, a cada dia te amo mais e desta forma intensifíco a vontade de estarmos juntos, segurarmos as mãos, trocarmos confidências, dar gargalhadas de uma simples bobagem, de vivermos as mesmas emoções.

Jeanne disse...

Ih! Depois deste comentário acho que nada mais acrescenta,rsrsrs...
Compartilho teus sentimentos de forma idêntica. Mesmo sem ter conseguido esta façanha, acho fantástico e admiro os casais que envelhecem juntos, com respeito e dignidade.
Ah! Estou te seguindo sim, lá no finalzinho da lista pq fui das primeiras,rsrsrs
Como te classifico como raiz, pouco mudaste dos nossos tempos de normal (a não ser ficar mais fortalecida), como sou folha ou flores, mudei, mas tens razão, no final é tudo uma soma de experiências.
Beijos

Anônimo disse...

resumiste bem o que é amor verdadeiro,é o simples prazer de estar um com o outro, não precisando de mais nada.

Anônimo disse...

Então posso entender que destruir uma família, inclusive envolvendo uma criança no meio foi fulgaz...passageiro...é realmente, lá do céu ELE deve estar lendo o teu texto!
Essa "mea culpa" vais ter que carregar para TODO o sempre...porque a vida não são apens belas palavras e textos bem escritos. A vida é feita de atitudes...