terça-feira, 5 de março de 2013

SUPER MOMMY



Freud denunciou e a realidade sacramentou que, com algumas exceções, as filhas mulheres são mais chegadas nos pais e os filhos homens nas mães.
Com o passar do tempo, todavia, principalmente depois que conhecem a maternidade, as filhas tendem a se reaproximar das mães, até porque já não há uma disputa tão explícita pelo amor do pai.
Sei que é muita psicologia para esta hora, mas já chegarei ao ponto que interessa: minha mãe.
Ela tem 93 anos e é a mãe mais lúcida que conheço. Pode-se conversar qualquer assunto com ela, se for de política então... ela dá aula! Não é à toa que pertence ao clã dos Vargas. Transferiu seu título para cá, porque se recusa a ficar sem votar. E assiste aos horários políticos no rádio e na TV para votar certo!
Seu neto caçula, de uns tempos para cá, começou a fazer viagens internacionais, a trabalho ou de férias, e ela o acompanha pelo telefone, esteja ele onde estiver. Ele dá corda, manda logo o número do telefone do hotel, ou da casa de família onde está hospedado e ela me pede uma "cola" em inglês e manda ver! Vocês precisavam vê-la "ensaiando" a ligação, caprichando no sotaque e querendo sempre explicar mais coisas do que o aconselhável. O fato é que SEMPRE se faz entender e consegue falar com o netinho.
Tempos atrás ligou para o Canadá, apresentou-se à anfitriã como avó do Kadu e pediu para chamá-lo. Ele ficou pasmo, pois chegara lá no dia anterior, mas foi o jeito de sabermos detalhes de sua acolhida.
Então fico pensando. Eu sei o suficiente de inglês para me comunicar, escrevo os textos para ela e a ensaio, mas na hora de ligar fico mais tímida, prefiro que ele me ligue a cobrar. Ela não, me dá trabalho fazê-la desmanchar o "biquinho" de quem estudou muito mais francês do que inglês no colégio, mas no resto ela se vira lindamente.
Esta é minha mãe. Como perdi tempo brigando com ela na adolescência! Somos diferentes, puxei mais ao meu pai e à minha avó, mas e daí? A admiração que sinto por ela é ilimitada e fico orgulhosa ao vê-la sempre arrumada, perfumada, de terço na mão, esperando alguém para conversar ou, pelo menos, beijocar um pouco, pois é uma beijoqueira de marca maior. Precisa mais? Então vai, ela é uma pequenina bonita, clarinha, de cabelos aloirados e grandes olhos negros, com um sorriso eternamente estampado no rosto.

Não é à toa que sua casa é o refúgio dos netos e bisnetos, que vivem ao seu redor e ao alcance de seus abraços “de caranguejo”, com garrinhas amorosas e aderentes, que custam a soltar a presa.





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