segunda-feira, 9 de novembro de 2015

ANIVERSÁRIO



                         Hoje, dia 9 de novembro, é o dia do meu aniversário.
                         Nasci há 63 anos, lá no Alegrete, no quarto e na cama da minha avó. Tive uma infância muito feliz, com liberdade, segurança e espaço para brincar e viver. Durante toda a minha meninice, meu aniversário foi muito festejado, com festas cheias de amigos, muita alegria e emoção. Eu esperava ansiosa pelo dia e celebrava desde o café da manhã.
                        Quando o traficante argentino matou meu irmão caçula, de apenas dezessete anos, eu tive a certeza de que nada seria como antes, que nunca mais teríamos uma felicidade completa e eu estava certa. Meu aniversário nunca mais foi o mesmo e, se pudesse, eu teria fugido dele por anos a fio.
                         A chegada dos netos resgatou um pouquinho do sentido da celebração, embora eu jamais tenha feito festa alguma, limitando-me, no máximo, a sair para comer em algum restaurante com a família.
                       Gosto de receber e ler com calma as mensagens dos amigos nas redes sociais.
Suporto telefonemas neste dia, mesmo sem ter nenhum apreço pelo telefone.
                       Prefiro dar a receber presentes, mas valorizo as lembranças e o carinho das pessoas que me presenteiam.
                       O dia do meu aniversário é sempre um dia de profundas reflexões. Costumo fazer um balanço da vida, rezar pelos próximos anos, agradecer as dádivas e, sobretudo, rememorar os aniversários felizes da infância, com a presença de toda a minha pequena família de origem, quando tudo significava mais para mim.
                      Minha mãe diz que eu gosto de me isolar. Penso que deve ser um defeito dos escritores, pois a solidão é sempre mais criativa. Às vezes, no meio do dia, já fico torcendo que vire logo a folhinha para o dia 10, a fim de que eu deixe de ser o foco das atenções e possa curtir meu laborioso anonimato.
                     Casmurrices à parte, não tem como deixar de agradecer a Deus por mais um ano de vida com saúde (descontando os achaques da idade); pelas conquistas literárias; pelo sorriso dos netos; pelos abraços dos filhos e noras; pelo amor do Paulo; pela companhia ímpar e carinhosa da minha mãe e, sobretudo, pelos amigos maravilhosos – mais presentes no mundo virtual que no real e pelos parentes que vivem longe e que se fazem tão presentes através das redes sociais.
                      Quero deixar a cada um que se lembrou de mim neste dia um abraço muito apertado e o meu mais profundo agradecimento. Sem dúvida, vocês tornaram este dia muito mais significativo e muito mais feliz.
                     Muito obrigada!




Um comentário:

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Maria Luiza
Seja abençoada e feliz!
Feliz aniversário e vida nova daqui pra frente!
Bjm festivo