sexta-feira, 29 de agosto de 2014

OMISSÃO TAMBÉM É CRIME





Não pretendia escrever nesses dias de Bienal, curtindo ao máximo minha estreia nesta Feira literária internacional, que é a maior do gênero na América Latina.

As últimas publicações a respeito do fim trágico do menino Bernardo, um gauchinho de apenas 11 anos exterminado pela madrasta com a conivência do próprio pai, me tiraram o sono e me trouxeram de volta ao teclado, já no meio da viagem. Pelo menino já não há nada que se possa fazer, mas outros bernardos e bernardas com certeza temos a obrigação de prevenir e proteger.

Nem vou me referir à morte, já praticamente esclarecida, mas à vida dessa criança, que já havia perdido a mãe de forma trágica e vivia à mercê de um pai banana e de uma mulher inescrupulosa e má.

Ouvindo a gravação de um vídeo, de um entre tantos embates que a criança sofreu, diante de quem tinha a obrigação de protegê-lo, não se pode deixar de pensar na falha total do pai, permitindo que seu filho fosse ofendido, menosprezado e ameaçado por alguém que entrou na sua vida bem depois dele e que entrou sabendo que ele tinha um filho e que deveria amá-lo e protegê-lo para sempre, de tudo e de todos.

Então um pai ouve um filho gritar “Socorro!” e vai filmar e tentar dialogar?! Me poupe! Quem tem filhos, tem netos, tem coração não consegue ficar indiferente à tortura psicológica que essa criança vinha sofrendo, pois nem o pior dos bandidos, filho da mulher mais rameira, admite que alguém fale mal da sua mãe diante dele! E o coitadinho ouvia isso o tempo todo e tentava, chorando, defender a memória daquela que lhe deu a vida. Natural, humano, esperável.

A pessoa que se une a alguém que já tem filhos deve ter uma capacidade de amor maior ainda, pois sabe que terá mais alguém para cativar e amar, lembrando sempre que aquela criança é filho ou filha do seu companheiro ou companheira e não vendo naquele inocente apenas o ciúme e a rivalidade de uma relação anterior.

Como aquele pai conseguia ainda dialogar com a bandida que ameaçava seu filho de morte e, com ela, ia dopar o menino à força para que ele se acalmasse? Quando a pobre criança só precisava de amor, de colo, de conversa, de que o ouvissem e o confortassem por ter que viver numa casa que não sentia como sua e numa família que o excluía.

Feliz da filhinha desse casal que se livrou deles e ainda vai ser criada por gente normal, capaz de compreender, tolerar e amar.

Por que só os filhos de pais juntos têm o direto de serem geniosos ou mal educados?

E os filhos de pais separados que, durante a concepção deles, juraram amor eterno não têm direito de se revoltar, de protestar, de reclamar?

Que pais são esses?

Que pai é esse? Porque, ao que parece, as mãos são bem mais protetoras dos seus rebentos.

As crianças precisam ser ouvidas, ser respeitadas, ainda mais uma criança que já sabe se manifestar e sofre com a falta daquela que devia amá-lo mais, ao invés de tirar a própria vida por ciúmes e amor a quem não merecia, deixando o filho à mercê da tirana, de uma mulher má e da omissão do total do homem que não sabe se impor para defender o filho.

Companheiros a gente encontra e vai encontrando no decorrer da vida, filhos são para sempre!

Tomara que esse caso triste sirva de alerta para tantas famílias que agregam filhos de outros relacionamentos, para que multipliquem o amor e a compreensão, para que procurem formar uma grande família, sem excluir ou privilegiar ninguém e que os pais prestem muita atenção ao comportamento e às queixas dos filhos, pois eles sabem sentir e as crianças são bem mais sinceras e autênticas que os adultos. Mais indefesas também, por isso, cabe aos pais protegê-las de tudo e de todos.

Amor nunca é demais!!!





Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

outro video deu uma virada no caso. vi ontem. agora é quase certo que o casal assassinou tb a mãe do menino. é um caso macabro que devemos denunciar, mas agradecer por serem casos isolados de pessoas podres. que tenham a punição merecida pela lei.