quarta-feira, 28 de agosto de 2013

- NÃO CHORA!




              Não sou psicóloga, mas tenho sensibilidade e uma capacidade imensa de me colocar no lugar das pessoas, o que às vezes me causa muito sofrimento.

             Sei que existem pessoas que choram demais, com muita facilidade, por tudo. E outras que choram de menos, porque sufocam suas dores e até adoecem por não manifestá-las.          
             Acredito que isso seja inerente a essas pessoas, pois minha neta Bruna se debulha em lágrimas a hora que quiser, com ou sem motivo, como as melhores atrizes. No minuto seguinte já está sorrindo, às vezes ainda com os olhos molhados.

             Sempre me indignei com os pais que batiam nas crianças e ainda gritavam: - Engole o choro! Achava e acho isso de uma crueldade animalesca. E presenciei essa cena dantesca inúmeras vezes.

               Nem sempre as lágrimas indicam o maior sofrimento, no entanto, aliviam a alma quando conseguem brotar dos olhos. E as pessoas deveriam poder chorar à vontade, quanto quisessem ou precisassem.

              Infelizmente, não é sempre assim.

              Nos velórios e enterros, sempre há alguém para querer “ensinar” aos pobres enlutados como devem reagir, ou o quanto podem sentir.

              Como uma mãe, um pai que perde um filho não vai chorar?! Se está sentindo a maior dor do mundo, como não se desesperar?!

             E então chega “o professor” e manda o coitado, ou a coitada engolir o choro, porque senão estará prejudicando a partida do que jaz no caixão.

             Perdoem-me, eu respeito de verdade todas as religiões, sei que os adeptos do espiritismo são os que encaram a morte com mais tranquilidade, entretanto, não há como não sofrer diante de um filho morto!

             Acho que deve ser ainda mais triste  o espírito ir deixando a vida terrena diante da quase indiferença dos que ficaram.

            Quando não se pode evitar o sofrimento das pessoas, imagino que o mínimo que podemos fazer por elas é deixá-las extravasar, manifestar sua dor.

            E chorar quanto queira.




Um comentário:

Gilda Souto disse...

Acredito que dor é alguma coisa que se tem que gastar. Li uma vez que a lágrima é a dor que inundou o coração e a alma, portanto se não fluir, afoga!
É isto aí, escreveu o que é.