quinta-feira, 29 de setembro de 2011

O PIOR BEIJO

            Continuando na linha amorosa, pero no mucho, do texto anterior, reporto-me agora ao símbolo primordial do envolvimento amoroso - o beijo.
         Devo esclarecer que esta reflexão se destina ao público maior de trinta anos, uma vez que os mais jovens já experimentaram um novo tipo de beijo, vulgarizado, vazio, um mero esfregar de bocas e sucção de línguas, numa performance mais para fora do que para dentro, visto que norteada pelo exibicionismo e não pelos hormônios.
         O primeiro beijo, para os meus contemporâneos e  seus antecessores, constituía uma experiência inesquecível, tal a carga emocional que o acompanhava. Mesmo que não passasse de um simples roçar de lábios. E, via de regra, acontecia apenas entre o casal, devidamente protegido dos olhares curiosos.
          Os atores e atrizes mais velhos, hábeis no beijo técnico, pareciam beijar mal, porque não devoravam a boca do parceiro. No entanto, a carga emocional que acompanhava seu tímido beijo nos fazia suspirar com eles.
         Hoje , juro que sinto até vergonha quando aqueles jovens começam a se beijar na telinha, às vezes num horário onde as crianças ainda estão na sala. E não sinto emoção alguma com aquela esfregação,  além do constrangimento.
         Feitas as colocações necessárias, voltemos ao título: qual foi seu pior beijo até agora?
         Vou contar o milagre, mas deixarei protegido o santo, é claro!
         Meu pior beijo aconteceu há muito tempo, com um namoradinho que nem chegou a emplacar bem, mas que gostava muito de mim, ao ponto de ficar extremamente nervoso quando surgiu a oportunidade de me beijar. O pobrezinho ficou tão emocionado que sua boca endureceu e gelou e eu tive a nítida impressão de estar beijando uma lagartixa. Inesquecível!
         Beijei muito menos do que gostaria de ter beijado, mas consegui aprender a diferença entre um beijo e outro e concluí que falamos muito num beijo, dizemos coisas que nossa voz não pronuncia, abrimos portas, deciframos códigos, inclusive para nós mesmos.
         E um bom beijo faz toda a diferença, é ou não é?!

          

3 comentários:

Dora Lúcia M dorneles disse...

Maria Luiza,adorei!!! Nosso primeiro beijo,com certeza foi tímido,sem audácia nenhuma,como dizes,protegido de olhares indiscretos,mas inesquecível,emocionante!!! Hoje os jovens saem pra balada pra beijar muito,q pena...beijos sem sabor e sem emoção!!!
bjos

Ivana Maria disse...

Oi, amiga, logo te mando um comentário para a orelha do seu livro. Tô te devendo. Mas agora deixa eu te falar do meu beijo, não o pior, tampouco o melhor, porém o inesquecível, o "primeiro beijo". Pois, bem... depois de ensaiar bastante com a laranja, conforme os conselhos das amigas, me atrevi a permitir acontecer o beijo, durante uma dança lenta, no clube do interior que eu morava, aquele sabor insoso de língua pareceu terrível para mim. rsrsrs Vai ver que eu já estava apaixonada pela laranja. rsrsrs beijão pra você. Que continuemos beijando muito, não é mesmo?

Anônimo disse...

Muito bom o texto. Sinto pena por ter mudado tanto os valores.
Beijos.