sexta-feira, 8 de maio de 2015

MINHA MÃE




                      Dona Conceição Vargas Ramos, minha mãe.
                      Ela nem parece que está prestes a completar 96 anos, tal sua lucidez, sua vontade de viver, cercada pela descendência, comendo bem e bastante e bebericando sua Amarula antes do almoço nos finais de semana.
                     Quase sem rugas, nem varizes, nem celulites nas pernas brancas e lisinhas, sempre bem hidratadas, dona Conceição consome um pote de 400 ml de creme hidratante em menos de duas semanas. Faça frio ou faça calor, seu banho diário e o creme no corpo todo são sagrados. Nem todas as mulheres mais jovens fazem isso.
                     O sorriso é a sua marca registrada e não o economiza para cada um que se aproxima dela, com os lábios finos sempre pintados de batom vermelho, segundo ela para realçá-los mais.
                     Beijoqueira, ai de quem ouse chegar ou sair sem enchê-la de beijos!
                     Minha mãe quer saber de tudo o que acontece no mundo, no país e, principalmente, na família. Interessa-se até pelas provas dos bisnetos, perguntando o que caiu na prova, que nota tiraram e dando conselhos de professora. Não se consegue esconder nada dela, que sofre com as dificuldades de cada filho, cada neto, com as rusgas matrimoniais, com o excesso de trabalho, com o descuido com a saúde. Mas sofre mais ainda se não a deixam a par de tudo.
                    Dona Conceição gosta de ver a mesa cheia na hora do almoço, inclusive com duas cadeiras de bebê e aquela saudável balbúrdia que se chama família. Fica deprimida se os netos não aparecem e vai murchando até que eles chegam com a criançada incendiando tudo, como ela gosta.
                     Minha mãe me ensinou a estudar, a gostar de ler, a declamar, a me esforçar para vencer obstáculos, a ficar de boca fechada nas horas mais confusas e a acreditar no poder da oração.
                    Sua doçura no trato com as pessoas abranda um pouco minha sisudez e, ao contrário de mim, ela detesta ficar sozinha.
                    Não pensa em morte, nem em doenças, ela só quer saber de vida!
                    Sua casa é o ponto de encontro da família e é lá que filhos, netos e bisnetos se encontram, ao seu redor, colocando-a a par de tudo, discutindo todos os assuntos, ouvindo sua opinião e recebendo cafuné.
                    Não seria preciso um dia especial para mimá-la, pois ela é o centro da família todos os dias.
                    Como esse Dia das Mães já existe, então, que seja motivo para dona Conceição se fartar dos beijos que tanto gosta!
                    Parabéns Mãezinha!
                    Obrigada, Senhor, pela mãe que me deste!




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