segunda-feira, 26 de agosto de 2013

ESCREVER PRA QUÊ?!

        Perdoem os leitores que já leram os livros que escrevi e estão à espera do último deste ano , que é o livro de contos.
          Esses não merecem ouvir minhas queixas e para eles só tenho elogios e reconhecimento.
         Tenho pensado seriamente em desistir. Em não escrever mais, ou guardar para mim apenas o que escrevo.
         A gente escreve para ser lido, o escritor vive de atingir o leitor através da sua sensibilidade.
         Mas vender livros é uma tarefa comercial, que deveria caber aos comerciantes de livros e não a quem os escreve.
         Com muita dificuldade, ando oferecendo meus livros, criando baratilhos com eles e, com isso, ofendendo o valor que lhes atribuo.
         Faço pacotes, etiqueto, vou até o Correio levar, tudo isso bem contente, pois sei que, pelo menos, aqueles livros serão lidos.
          Entretanto, é muito desgastante ficar insistindo, com quem se diz meu leitor, para que encomende os livros e os leia.
          Acho que vou vender produtos de beleza, lingerie ou vasilhas de plástico. A aceitação é muito maior!
         Meu primeiro livro de contos, muitos deles premiados em concursos, deve estar saindo da editora por esses dias. Acho que não vou oferecê-lo a ninguém.
         Um dia, quando me der na telha, saio distribuindo meus livros - que me custaram todas as economias e anos de trabalho e revisão - pelas escolas, bibliotecas, cadeias, pontos de ônibus, onde tenha alguém que goste de ler e realmente não tenha condição de comprar.
         Não vou mais ficar oferecendo, mendigando, chateando as pessoas para comprarem.
         Quem gosta mesmo de ler já encomendou o seu ou vai à Feira do Livro de POA em novembro.            
          Quem gosta só das besteiras que escrevo no Facebook, que continue a conversar comigo apenas por lá. E quem gostar de vir aqui, mesmo sem comentar nada, que venha! Será sempre bem vindo!
           Mas meus contos, ah esses vou pensar muito se virão a público... ainda não sei.




2 comentários:

Ana Luiza Carivali disse...

Minha cara amiga deve ser um tanto penoso chegar à esta conclusão,pois realmente envolve uma série de fatores que pelo que falas,é desgastante e oneroso.Será uma decisão muito severa,pois se com tu escreves teu livro"Escrevo porque respiro e Transpiro palavras.",naõ seria nada fácil encerrar esta carreira tão bela e premiada.

Na Ponta da Língua disse...

Deixar de publicar ou divulgar tua obra porque não há (supostamente) leitores? Não, não, não. Por favor, não faça isso. Há leitores, sim. Grande parte deles não têm grana para comprar livros e por isso parecem invisíveis... Sim, é oneroso o auto financiamento (as publicações são do teu próprio bolso, não?), mas pense: quantos autores ainda não tiveram a oportunidade de publicar seus escritos? Há alguns anos pesquiso a literatura produzida por autores alegretenses e, futuramente, gostaria muito de estudar tua obra. Ao ler teu desabafo, logo pensei: está nas minhas mãos, enquanto pesquisadora, incentivar a valorização de autores locais e divulgá-los, bem como criar estratégias que cultivem a memória literária da cidade. Maria, sabes que a labuta de um pesquisador é árdua e solitária, mas estamos aí para não deixar a literatura morrer! E a literatura alegretense ainda mais! Criei aquele grupo no face ("Alegrete Literário") para tentar aglutinar os escritores citadinos e mesmo assim a coisa é difícil... Fiz parte de um projeto na graduação que pesquisava justamente a literatura produzida em Alegrete (já publiquei alguns resultados) e sei que a cidade não valoriza o material artístico que tem. A propósito, conheces o poeta Rui Neves? Ele conseguiu publicar apenas um livro chamado "Sedimentos da Manhã", 1985. Tem um livro no prelo há anos, mas ainda não teve a oportunidade de pulicá-lo. E é um poeta de talento, mas praticamente anônimo para os alegretenses. Então, se ainda tens condições de manter tuas publicações, não desista. Se tens bom trânsito pelos jornais alegretenses, continue. És premiada, não há o que temer. Minha luta continua e sigo aqui tentando dar voz aos anônimos, ademais continuo pesquisando-os no meu mestrado e ainda pretendo fazer muito, muito mais pela literatura local. E já estás na minha listinha de autores a serem pesquisados, futuramente. Não desista! Abraço, Vanessa.