terça-feira, 19 de junho de 2012

COLHER MEDIDA


 

Acho que já nasci oito ou oitenta. Com mais de cinquenta anos, ainda tenho dificuldade no meio termo. Sou muito intensa e já estava na hora de me acomodar no adequado, no conveniente, no aconselhável. Qual o quê! Amo demais, detesto demais, como demais, bebo demais (ou nada), felizmente larguei o cigarro, senão ainda fumaria demais e por ainda afora.
                 Quando vou para a cozinha faço banquetes. Ou tomo sopa Vono de caneca.
                 Afasto-me da internet, ou fico horas a fio enchendo a caixa de correspondência dos meus amigos com tudo o que vejo e gosto. Quero me emendar. Assisti ao filme "A Rainha" e deduzi que jamais seria rainha, ou inglesa. Minha passionalidade é mais espanhola, ou judia, sei lá. Inglesa não.
                Ontem, na missa, fiquei observando uma menina de seus 10 anos que passou o sermão inteiro fazendo cafuné na mãe dela. Chegava a enervar a gente. Como o brasileiro gosta de contato físico, de viver se agarrando, se beijando, passando a mão!
               Na França, mesmo avisada pela guia, toquei no braço de uma mulher para pedir uma informação e ela deu um salto, assustada e furiosa, como se eu a tivesse ferido. Os europeus cumprimentam-se polidamente, encostam suavemente as mãos ou roçam de leve a face, à guiza de beijo. Já os brasileiros não têm medida, é um tal de amassar, beijar, andar de braços dados, como se tivessem crescido junto com aquela pessoa que acabaram de conhecer.
              Um dia vou conseguir ser mais comedida. Em tudo. Quero exteriorizar menos meus sentimentos, comer um pedacinho da barra do chocolate, tomar um cálice daquele vinho delicioso, ir embora dos lugares na hora adequada, mesmo adorando tudo. Vou assistir a tantos filmes europeus que hei de aprender um pouquinho. Ah, escrever menos também é "mais adequado" a um blog.
Por isso... até a próxima!



Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

adequado é o que te faz feliz :)