segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

ROMANTISMO É BREGA?

     Escolhi, aleatoriamente, um CD para ouvir no carro enquanto dirigia e acabei colocando um da Jovem Guarda que não ouvia há muito tempo. Matei a saudade da voz do Jerry Adriani, do Wanderley Cardoso, do Ronnie Von, da Martinha, da Wanderléa, da Rosimere e por aí afora. O que me chamou mais atenção, todavia, foi a letra das músicas. Como eu podia chorar de emoção e saudade na adolescência ouvindo “aquilo”? E chorava...
     “Querida, quero lhe dizer que toda a minha vida entreguei a você...”
     “A mesma praça, o mesmo banco, as mesmas flores, o mesmo jardim...”
     “Se há ciúme é porque existe amor...”
     “Era um garoto que como eu amava os Beatles e o Rolling Stones...”

     É... as letras são pobres, a música também, mas com que emoção a gente ouvia, cantava junto e dançava esse repertório!
     Depois da Jovem Guarda veio a MPB (maravilhosa!), num outro patamar e está aí até hoje. Vinícius, Chico Buarque, Tom Jobim, João Gilberto, Toquinho, Francis Hime e tantos outros embalaram nossa juventude e embalamos nossos filhos com eles.
     Hoje, pouco se fala de amor.
    Com exceção dos sertanejos, o amor ficou fora das canções e, quiçá, dos corações da juventude.
     Sinto-me jurássica dizendo isso, mas como declarar amor a alguém com esses batidões eletrônicos? Como rolar um sentimento nas baladas? Acho que a música ajudou bastante esse sistema de “ficar”. Só dá pra ficar mesmo, porque nem conversar eles conseguem.
     Sei que cada geração tem sua música, seus costumes, seus gostos e é normal que seja assim.
     Pareço meu pai falando, mas, agora, ir a uma festa pra se rebolar apenas com música eletrônica ou numa coreografia amoral, será que vale a pena a produção? Será que ainda existe uma expectativa? Será?
     Hoje, mais do que nunca, as músicas da Jovem Guarda são rotuladas de bregas. Aliás, pouca gente as conhece, ainda que, vez por outra, sejam regravadas com outros arranjos e caiam no gosto popular, como aconteceu com “Gatinha Manhosa”, por exemplo.
     O problema maior nem é a breguice das músicas, mas a tendência em considerar brega o maior sentimento do ser humano – o Amor.
     “Meu bem, já não precisa falar comigo dengosa assim...”
     “Eu te amo, eu te amo, eu te amo!”




Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

brega é rotular músicas, pessoas e sentimentos. brega é não reconhecer a simplicidade e a ingenuidade das letras além das músicas suaves e gostosas de ouvir. brega é dizer que samambaia ficou fora de moda (parece que agora é moda de novo) e poodles também. brega é não entender que as pessoas são diferentes e, portanto se expressam de formas diferentes e têm o gosto diferente. ODEIO rótulos, odeio as pessoas que fazem um discurso para não usar uma "frase feita" ou um "lugar comum" ou uma "frase de efeito”. assisti Love store e por anos as pessoas de todas as classes culturais repetiram à exaustão: "amar é nunca ter que pedir perdão".
O amor é atemporal e não pode ser sentido e externado friamente, medindo as palavras com um discurso intelectualizado... só falta agora dizer eu te amo ser brega...
flores e cartões apaixonados sempre estarão na moda...
beijos
ah! não gosto de sertanejos, mas respeito quem goste, até porque são músicas que não agridem pela vulgaridade e em geral falam de amor.