quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Um mês depois, elas ainda recebem nossas homenagens.


PAUSA PARA FESTEJAR

“A praça, o coreto, o quiosque,
as primeiras leituras, os primeiros
versos
e aquelas paixões sem fim...
todo um mundo submerso,
com suas vozes, seus passos, seus silêncios
- ai que saudade de mim!”
 Mário Quintana

Parem os canhões, detenham os mísseis, civilizem-se por favor! Façam uma trégua nesta guerra insana, como de resto todas as guerras o são, porque minha cidade está de aniversário e merece todas as homenagens de seus filhos, afinal, não é todo mundo que tem a sorte de ter nascido em Alegrete!
Há 180 anos fundava-se a cidade de Oswaldo Aranha, de Mário Quintana e de todos nós. Pouco mais de 50 anos depois surgiu a Gazeta, tão alegretense que parece indivisível da matriz, falar de uma é falar da outra e a festa é dupla, já que ambas nasceram em outubro, portanto primaveris.
Os filhos distantes, porque saudosos, são ainda mais apaixonados e eu me enterneço a cada vez que recordo minha terra, com seus ipês floridos na praça, o Ibirapuitã serpenteando ali pertinho, o calçadão repleto de rostos conhecidos, sorrisos francos, acenos. Para escrever sobre o seu aniversário coloco a alma no teclado, acendo um brilho orgulhoso no olhar e fico revisitando a memória.
Em Alegrete vivi minha infância e juventude, sendo que até hoje não consigo ficar mais de dois meses sem viajar para morrer de frio ou de calor na minha cidadezinha.
Através da Gazeta converso com meu povo e até posso me orgulhar de possuir um modesto, mas refinado grupo de fiéis leitores.
Para mim, a Gazeta é a Fênix Farroupilha, pois renasceu das cinzas – literalmente – quando foi queimada e renasceu diversas outras vezes de crises sérias, sem soçobrar. Luxuosa ou esfarrapada, entretanto sem se entregar, com o brio do gaúcho a impulsioná-la há 129 anos.
Meu pai não era alegretense de nascimento, porém recebeu o título de Cidadão Alegretense da Câmara de Vereadores e isto o honrava muito, pois amava Alegrete e a ela se dedicava de corpo e alma.
Meu marido sonha em se aposentar e mudar para Alegrete, de tanto que se apaixonou por esta terra.
Gaúchos de todos os recantos adotaram o Canto Alegretense como hino do Rio Grande do Sul e escutamos pessoas de todas as partes do país recitando os versos do Bagre. Para mim, que dei aulas ao Neto Fagundes quando normalista do Oswaldo Aranha, a música toca ainda mais fundo.
A cidade mais gaúcha do Rio Grande, capaz de reunir 10 mil cavalarianos no desfile de 20 de setembro, é também detentora de prêmios de ballet clássico, de jornalismo e de literatura, altos conceitos em seus cursos universitários, políticos influentes, poetas, escritores, músicos, artistas e competentes médicos, enfim, gente que sabe o que faz.
Por tudo isso e pelo brilho amoroso que vejo em meus olhos quando falo na minha, na nossa cidade, quero enviar daqui um abraço imenso, cheio de orgulho e dos melhores votos de prosperidade, a estes dois marcos da vida dos alegretenses de tantas gerações – ALEGRETE E GAZETA – parabéns!

 PS.: Não sei de quem é a foto,  não tenho certeza,  mas deve ser da Marília.






2 comentários:

Ivana Maria disse...

Parabéns a cidade e a você que de tão encantada por ela nos encanta ao te ver descrevê-la. Um abraço grande. Acho que gostará de ler o meu post "FILHOS INGRATOS", nele tem um pouquinho da cidade que vivi, também.

Carmem Rubim disse...

Que lindo Maria Luiza!!!!
Parabéns ao Alegrete pelo aniversário e orgulho dos seus filhos!!!
Nossas raizes sempre falam mais alto!
Adorei. Vou aparecer mais vezes.
Beijos