sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

UMA CIDADE, MUITAS TRIBOS.

               Floripa virou o point do verão. Mais especificamente a praia de Jurerê Internacional, que sempre foi a minha praia preferida.
               Leio no jornal que nos feriados de final de ano havia por lá uma enormidade de herdeiros milionários, políticos importantes, o jet set inteiro. Até o filho do presidente da França aportou por aqui, bem como atores e jornalistas globais, modelos famosas, vencedores em todos os esportes e categorias.
                Parece que as festas eram regadas a banhos de champanhe de sete mil reais a garrafa. A espuminha devia ser de ouro, imagino!
               A marca dos carros nem sei repetir, mas nenhuma era minha conhecida, então devem ser carésimos.
               Lembro quando começaram a construir por lá as primeiras mansões. A gente se deleitava vendo, como coisa de outro mundo. Agora está cheia dessas casas cinematográficas e o lugar "público", aquele reservado aos simples mortais, cada vez mais espremido.
                Costumávamos dizer que lá era a praia dos gaúchos ricos e das mulheres feias, porque em sua maioria eram "senhoras" de meia idade e muito dinheiro, enquanto nas demais praias desfilavam os corpos esculturais das surfetes. A gente até brincava que, quando fosse ficando mais "baranga" ia ter que começar a frequentar Jurerê Internacional para recuperar a autoestima.
                Naquelas areias me aconteceu um fato inesquecível, quando meu filho do meio descobriu minha primeira celulite e a anunciou para toda a praia: - Mãe, tem um furo na tua bunda! E eu tomando sol deitada de bruços, "me achando"...
               Pois bem, hoje minha Jurerê Internacional está mais internacional do que nunca, a gente nem a reconhece nas notícias que lê.
               Curioso é que muita gente daqui mesmo, manezinho da ilha, sequer conhece esta praia tão famosa, cantada em prosa e verso mundo afora.
               Enquanto os ricos promovem festas memoráveis a vida segue, os florianopolitanos se preocupam com as contas pra pagar, o material escolar dos filhos, o calor insuportável e nem imaginam o que está acontecendo a apenas trinta quilômetros daqui.
               São tribos bem distintas habitando a mesma aldeia.



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