A maior parte da minha vida passei sozinha.
Em casa, tinha um quarto grande, cor-de-rosa, cheio de
bonecas e de livros, onde eu dormia sozinha.
Casei muito cedo, mesmo assim, muitas vezes me senti
sozinha, mesmo estando acompanhada.
Chamei para mim toda a responsabilidade com a criação e
educação dos filhos e não foi simples, nem fácil administrar três adolescentes
sozinha.
Viajei muito sozinha, dias e noites, todas as semanas,
fazendo Doutorado em outro estado.
Nas férias, quase sempre seguia sozinha com a minha trupe
para a casa paterna, muitas horas de ônibus tendo que encantar três meninos
para se comportarem e suportarem a chatice.
Poucas vezes tive auxílio, ou companhia nas compras de
supermercado. E as sacolas pesando cada vez mais...
Sozinha vou à missa, aos bancos, aos médicos e a todos os
lugares onde preciso resolver problemas.
Não se trata de opção, de escolhas e, sim, dos (des)
caminhos da vida.
Estar acompanhada não significa, necessariamente, não estar
só. Poucas são as pessoas que fazem com que nos sintamos juntas, mais fortes,
com menos responsabilidades. A maioria só faz barulho.
Não gosto de viajar de avião sozinha. Sou filha de aviador,
mas não me sinto confortável tão longe do chão. Pegar táxi em cidades
estranhas, com pouco conhecimento do trajeto, igualmente me desassossega.
Receber prêmios, ou homenagens desacompanhada dá uma sensação de orfandade
absoluta. Mas seguidamente faço tudo isso.
Geralmente enfrento todas as maratonas da vida sozinha. Não é bom, mas é assim que é. Minha missão é cuidar e não ser cuidada. Por todos.
Devia estar escrito no meu mapa astral quando nasci – esta
vai viver e morrer como nasceu – sozinha.
Daqui a pouco parto para outra Feira do Livro, desta vez na
minha cidade natal, longe daqui. Outra vez carregando livros e malas.
Ainda bem que o coração vai cheio de amores, de sorrisos, de encantamento, de
beijos e abraços, de votos para que tudo corra bem. E lá encontrarei os maiores amigos, de uma vida toda.
É o que importa.
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