Não sou psicóloga,
mas tenho sensibilidade e uma capacidade imensa de me colocar no lugar das
pessoas, o que às vezes me causa muito sofrimento.
Sei que existem pessoas que choram demais, com muita facilidade,
por tudo. E outras que choram de menos, porque sufocam suas dores e até adoecem
por não manifestá-las.
Acredito que isso seja inerente a essas pessoas, pois minha
neta Bruna se debulha em lágrimas a hora que quiser, com ou sem motivo, como as
melhores atrizes. No minuto seguinte já está sorrindo, às vezes ainda com os
olhos molhados.
Sempre me indignei com os pais que batiam nas crianças e
ainda gritavam: - Engole o choro! Achava e acho isso de uma crueldade
animalesca. E presenciei essa cena dantesca inúmeras vezes.
Nem sempre as lágrimas indicam o maior sofrimento, no
entanto, aliviam a alma quando conseguem brotar dos olhos. E as pessoas
deveriam poder chorar à vontade, quanto quisessem ou precisassem.
Infelizmente, não é sempre assim.
Nos velórios e enterros, sempre há alguém para querer “ensinar”
aos pobres enlutados como devem reagir, ou o quanto podem sentir.
Como uma mãe, um pai que perde um filho não vai chorar?! Se
está sentindo a maior dor do mundo, como não se desesperar?!
E então chega “o professor” e manda o coitado, ou a coitada
engolir o choro, porque senão estará prejudicando a partida do que jaz no
caixão.
Perdoem-me, eu respeito de verdade todas as religiões, sei
que os adeptos do espiritismo são os que encaram a morte com mais tranquilidade,
entretanto, não há como não sofrer diante de um filho morto!
Acho que deve ser ainda mais triste o espírito ir deixando a vida
terrena diante da quase indiferença dos que ficaram.
Quando não se pode evitar o sofrimento das pessoas, imagino
que o mínimo que podemos fazer por elas é deixá-las extravasar, manifestar sua dor.
E chorar quanto queira.
Um comentário:
Acredito que dor é alguma coisa que se tem que gastar. Li uma vez que a lágrima é a dor que inundou o coração e a alma, portanto se não fluir, afoga!
É isto aí, escreveu o que é.
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