segunda-feira, 4 de julho de 2016

MÁSCARAS



                             Quem não as usou algum dia?
                             Para se proteger, para disfarçar, para evitar perguntas, para conviver.
                             Algumas pessoas primam por serem transparentes, por dizerem sempre tudo o que pensam, para perguntarem qualquer coisa a qualquer um, para similar intimidade, para desopilarem o fígado, para parecerem sinceras e autênticas. Ainda que, muitas vezes, invadam a privacidade alheia e machuquem as outras pessoas.
                            Outras há que se fecham em conchas, não permitem a menor invasão, dissimulam os sentimentos, mudam de assunto e sofrem terrivelmente por sufocarem tantas dores  e mágoas.
                            O meio termo só se abre com os amigos mais íntimos e mais confiáveis, extravasa escrevendo, pintando, compondo, tocando um instrumento, em qualquer forma de arte, bebendo, comendo, ou sai agredindo de graça quem encontra pela frente, pelo único motivo que seu pote de mágoas transbordou.
                            Quem não tem suas dores secretas? Suas frustrações? Suas angústias? Suas decepções? Nem sempre se consegue escondê-las o tempo todo, de todo mundo.
                             Muitas vezes, basta um olhar, um aperto de mão, um abraço para a pessoa saber que não está sozinha, que tem alguém se preocupando com ela, disposta a ouvi-la ou a compartilhar seus silêncios, até o momento em que, espontaneamente, ela decidir falar.
                             Não há nada mais doído e irritante do que alguém que se aproxima apenas por curiosidade, que extrai suas dores e logo demonstra claramente que aquilo sequer penetrou em seu coração, tratando com superficialidade seus grandes problemas, repetindo chavões consoladores, evidenciando uma total falta de sintonia com seus sentimentos.
                             Solidariedade, empatia são sentimentos que, infelizmente, não existem em todas as pessoas, sendo que não convivem bem com egoísmo, individualismo, arrogância. Diria até que são incompatíveis.
                             Essa, talvez, seja uma das grandes razões para as pessoas precisarem fazer uso de máscaras em muitas ocasiões. Para não aumentar seu sofrimento diante de alguém falsamente solidário, alguém que, na verdade, pouco se importa com suas dúvidas e dores e apenas quer forjar uma característica que não possui e satisfazer a sua curiosidade.
                            Os amigos e amores verdadeiros são aqueles para quem podemos despir a máscara e nos mostrar como somos e o que sentimos. Mas são raros.




2 comentários:

Julio Cesar Moura disse...

Show!

Belah Almeida disse...

Texto fantástico!
Quem nunca exibiu a máscara da felicidade, com o peito dilacerado e a alma sangrando?
Quem nunca escondeu o tremor das mãos frente a uma decepção?
Quem nunca engoliu as lágrimas ao ser vítima de uma rejeição?
As mascaras servem para lidarmos melhor com o mundo em que vivemos ..
Mas, qualquer máscara, qualquer disfarce, pesa. Despir as fantasias e ser exatamente o que se quer, é uma atitude difícil, quase impossível nesse universo de hipocrisias em que se vive, embora seja libertador.