sexta-feira, 2 de março de 2012

AS NOVAS MULHERZINHAS*

     Numa escola tradicional aqui de Floripa, onde minha netinha estuda, após as aulas são oferecidas várias modalidades de esportes, em aulas extracurriculares. Muitos pais, que não têm como buscar os filhos na escola às 17:30h, matriculam-nos nessas aulas, onde eles ficarão vigiados até a hora de ir para casa, além de desenvolverem outras habilidades.
    Ontem, esperando a aula de balé da Bruninha, fiquei observando as crianças livres, de lá para cá, dirigindo-se às turmas, ou aguardando seu horário. E as surpresas começaram.
    Um grupo de meninas de seus dez, onze anos, sentadas em volta de uma mesa da cantina, jogando TRUCO! Eu nunca aprendi a jogar truco, tive bem pouco contato com baralhos, limitando-me à canastra e ao pifpaf. Aproximei-me delas e perguntei se esperavam por seus pais. A resposta: - não, tia, a gente está esperando o horário da nossa aula de futebol. Fiquei pasma. Senti-me jurássica. Truco e futebol, que coisa!
     Devo esclarecer que as meninas eram lindas, de longos cabelos, bem femininas e estudam em um colégio de freiras. Como andarão as coisas nas periferias?!
     O papel do homem e da mulher na sociedade e na família, se é que existe um, anda meio embaralhado.
    Na turma da minha neta, por exemplo, havia duas avós, uma mãe e todos os outros eram pais acompanhando as meninas, vestindo o uniforme, prendendo o cabelo, etc. Segundo comentaram, as mães saíam mais tarde do trabalho que eles, ou eles eram seus próprios chefes e podiam encerrar o expediente na hora que precisassem.
     Já disse que meus filhos sempre deram banho, trocaram fraldas, deram mamadeira e comida, fizeram tudo em parceria com a mãe de seus filhos. E, com isso, as crianças são muito mais próximas  e apegadas aos pais. É claro que a imagem mudará. Meu pai sempre foi meu ídolo, meu herói, meu exemplo, no entanto, ele mantinha uma distância conservadora da filha mulher e não me lembro de ter me dado algum banho. Os pais de hoje serão menos idolatrados, imagino, porém com um elo mais visceral com seus filhos.
     As mulherezinhas de amanhã serão muito diferentes das de ontem e até das de hoje. Elas sabem o que querem e nós sabíamos, no máximo, o que não queríamos.
     Os pais de filhos homens é que devem se preocupar mais em orientar e preparar seus meninos para essas novas mulheres, bem mais exigentes, bem mais voluntariosas e nada compreensivas.
     Admiro muitas coisas nessas meninas e mocinhas de hoje, outras nem tanto. Não consigo gostar de vê-las sentando com os pés sobre o assento da cadeira, ou falando palavrões, ou gritando pelas ruas. Acho que não vou me acostumar a esse comportamento.
     Por isso, a mulherzinha aqui de casa vai continuar fazendo piruetas, pliê e giros de sapatilha, adquirindo uma boa postura, gestos delicados, musicalidade e disciplina, porque já tem a voz e o chute forte e não dá pra facilitar!






*José Manuel Castro Pinto, no seu excelente Novo Prontuário Ortográfico (Plátano Editora) adverte: «Seria purismo injustificado escrever mulherezinhas e amorezinhos, até porque o plural se forma instintivamente numa relação directa: mulherzinha > mulherzinhas» (p. 60 da 3.ª edição da referida obra). Não afirma, como outros fazem, que seria incorrecto escrever «mulherezinha», porque não seria. Digamos que o purismo está para o erro como um defeito para uma doença: não há uma diferença de grau, mas de natureza.

Um comentário:

Jeanne Geyer disse...

ando pensando nisto e mesmo as mulheres de mais de 20 anos estão muito agressivas, o que antes era característica exclusivamente masculina. Uma menina ou jovem meiga e delicada está virando raridade! acho bonito e gostava das diferenças marcantes entre homens e mulheres (ainda gosto).
se por acaso eu ainda estivesse no mercado(amoroso) não gostaria de um homem depilado, que acabasse conversando comigo sobre cremes e produtos para cabelo,rsrsrs mas acho legal quem curte,rsrs
o Clóvis acha bonitinho uma mulher que "ainda" fica vermelha,rsrsrs
beijos