domingo, 21 de agosto de 2011

TIPOS FAMILIARES

            Amigos, resolvi repartir com vocês algumas das crônicas que estão saindo em diversas antologias neste ano.
            Os leitores mais antigos talvez já tenham lido, mas não custa recordar.

           É sabido que a família é uma fonte inesgotável de alegria, aconchego... e neuroses! Dizem até que os psiquiatras e psicólogos morreriam de fome se não existisse a família. 
           Bem, mas o que importa aqui é tentar tipificar os membros da família, por seu lado mais caricato e também mais generalizador. Quero tentar listar os tipos (ou personagens) mais comuns em todas as famílias. Vamos lá!
           O engraçado – é aquele piadista, imitador, sempre requisitado ou lembrado nas festas e encontros familiares.
           O deprimido – está sempre triste, procurando assuntos ou notícias que o coloquem mais para baixo.
           O bebum – está sempre planejando festas e eventos familiares, sempre com muita bebida, é claro. Quase sempre excede sua cota e, às vezes, torna-se desagradável.
           A quituteira – geralmente é mulher, embora nas novas gerações os rapazes cozinhem mais e melhor que as moças. Sempre escolhida para pilotar o fogão, vivendo cheia de elogios, mas com pouca ajuda.
           O gastador – está sempre devendo para todo mundo, cheio de empréstimos e com os armários abarrotados de inutilidades. Geralmente tem um apego excessivo aos bens materiais, custando a descartar roupas e sapatos velhos, há anos sem uso.
           O pão duro – prefere comer um pão a menos a ver sobrar uma metade. Está sempre anunciando que está mal de vida, temendo um pedido de dinheiro de alguém.
          O mão-aberta – oposto ao anterior, ajuda todo mundo e vive estourando seu cheque especial. Não tem apego ao dinheiro, mas precisa de um administrador.
         O inconveniente – está sempre inadequadamente vestido, faz o comentário errado, na hora errada e para a pessoa errada, matando a família de vergonha; além de fazer visitas e dar telefonemas nas horas mais impróprias.
         O dono-da-verdade – com este não tem diálogo. Ele (ela) monologa sem admitir réplica e jamais considera o ponto-de-vista dos outros.
        O desconfiado – para este a gente tem que medir cada gesto, cada palavra, pois ele sempre acha que há uma segunda intenção por trás.
        O pedinchão – deste a gente quer distância, pois ele não sabe chegar perto sem pedir alguma coisa, seja objetos, dinheiro, ou favores trabalhosos e totalmente desnecessários.
       O chorão – bem, este tem nos dois sentidos. O chorão que vive se queixando da vida, da falta de dinheiro e o chorão que realmente chora por tudo, em todos os lugares e nem tem tanta sensibilidade assim.
       O encrenqueiro – esse a gente pensa duas vezes antes de convidar, porque está sempre arrumando confusão, provocando desavenças, brigando à toa.
       O quebra-galho – este é emergencial, quase sempre fica um tanto sobrecarregado, porque toda família lembra logo dele quando surge algum pepino.
       O seca-pimenteira – literalmente, nem as plantinhas resistem ao seu olhar invejoso, vasculhando cada canto à procura de novidades, fingindo-se observador para poder xeretar tudo.
       O demorado – é aquele que a gente precisa mentir o horário para ele chegar menos atrasado. Por mais que se esforce ou prometa, faz tudo com tanta lentidão que nunca dá para terminar em tempo.
       O atrasado – conseqüência do tipo anterior, a gente nunca conta com ele no horário, perde cinema, chega depois da formatura, ou do casamento, não encontra mais ingressos para o show, enfim, ele não consegue ser pontual.
       O super sincero – geralmente desagradável, incapaz de um elogio, usa a dita sinceridade apenas para fazer grosserias e ofender os outros.
       O falso (fingido) – tem aquele que só é falso para não ferir sensibilidades, que prefere dizer que está tudo bem, tudo bonito do que apontar defeitos e aquele outro que é fingido mesmo, que diz uma coisa na frente e outra quando se vira as costas.
           Enfim, existem defeitos de temperamento, que tornam as famílias mais divertidas, porque heterogêneas. Mas existem também os defeitos de caráter. Estes são mais sérios e causam, muitas vezes, a ruína de muitas famílias, porque deixa de ser folclórico quando passa a prejudicar os outros de verdade. Aí não tem graça nenhuma.
           Bem, este texto foi pinçado até no cabeleireiro e não está fechado. Conto com você para tipificar outros personagens comuns às famílias. Você se encontrou em algum deles? Lembrou de alguém assim? Com sua colaboração o texto cresce e se enriquece. Certo?!

3 comentários:

Ana Luiza disse...

Querida Maria Luiza ,como sempre teus textos são delicias .Bem vamos lá.Mentiroso,que vive suas mentiras.Critico adora filosofar sobre realizações alheias.Irresponsável que não aceita responsabilidade por seu atos.Por enquanto é isto.Um grande e carinhoso abrço

dora lúcia disse...

Maria Luiza,numa família grande a gente encontra quase todos os tipos aí descritos por ti de forma tão amena...rs.O mais engraçado de meus irmãos já partiu,mas até hoje qdo nos reunimos,sempre alguém cita alguma dele,portanto continua nos fazendo rir.claro que tem o pão duro,o demorado,o desconfiado,mas fiquei me perguntado o que seria eu pra eles.
Um grande abraço e que Deus te conserve com toda esta sabedoria e simplicidade de transmitir a nós,teus leitores.

Jeanne Geyer disse...

tem sim todos estes tipos, mas infelizmente sempre tem mágoas encobrindo atitudes aparentemente inocentes.
Pena. deveriamos primeiro conseguir conviver em paz com os familiares e depois com os outros, mas pelo que observo, acontece o contrário. dizem até que familia a gente não escolhe, amigos sim...
Beijos :)