quarta-feira, 20 de abril de 2016

PRA NÃO DIZER QUE EU NÃO FALEI...



                            O fato de sempre procurar estar bem informada, de ter embasamento para manifestar opinião, de pensar que cada cidadão tem sua parcela de responsabilidade na vida comunitária e nas decisões do seu país, fizeram com que o meu lado mais ameno e mais criativo ficasse em luz baixa, desde que o Brasil começou a sofrer desmandos e ameaças de falência ética, econômica, política e social.
                           Minha literatura ficou prejudicada, meus projetos pessoais andam estagnados, minha relação com alguns amigos virtuais ficou seriamente comprometida e eu me ressinto de falta de leveza, de sorrisos, de esperança. Oxalá ocorra logo o impeachment desta presidente que demonstrou total incompetência para gerir a economia do país e que possamos deixar esses assuntos mais graves para o gestor que assumir, podendo nos ocupar apenas do que nos diz respeito diretamente e depende de nós. Como nada é em vão, pode ser que os brasileiros tenham aprendido a votar com mais apuro, com mais pesquisa, com mais responsabilidade, a fim de que estejam verdadeiramente representados naqueles políticos que elegeram e cuja função primordial deve ser a de prover o bem estar econômico e social de toda a nação.
                          Nós, o povo, estamos cansados de estagnar a vida para ficar fiscalizando, lendo, opinando, saindo às ruas, protestando. Não ganhamos para isso e o ônus tem sido bem alto. Está mais do que na hora de podermos voltar à vida normal e nos ocuparmos com assuntos mais adequados à vida civil.
                        Enquanto isso, para não dizerem que já não sei falar de flores e assuntos mais poéticos, listei algumas coisas das quais sinto saudades e não é de hoje. Saudades “mesmo” eu sinto de:
- ler sem óculos;
- subir escadas correndo;
- usar salto bem alto;
- comer fruta do pé;
- subir em árvores e muros;
- comer de tudo, a qualquer hora do dia ou da noite, sem sentir o estômago pesado;
- chorar de rir;
- namorar no cinema;
- fazer pão com a minha avó;
- conversar com o meu pai;
                         Saudade de um tempo em que ainda não havíamos descoberto o sentido da palavra “saudade”.





3 comentários:

Ana Luiza disse...

Bingo, é isto aí, que saudades da aurora da minha vida.....muito bom uma pausa para leveza, senão vamos acabar nos tornando uns revoltados.Este ano minha neta vai debutar, que no seu encanto de menina, eu encontre a minha que está por aí.

Tatiana Jardim disse...

Que maravilha que resolveste escrever. Estamos precisando da tua leveza.

Tatiana Jardim disse...

Que maravilha que resolveste escrever. Estamos precisando da tua leveza.