sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

QUANTIFICANDO A DOR



Todos nós certamente já ouvimos, alguma vez na vida, que Fulano ou Beltrano é que tem razões de sobra para sofrer e que nossos probleminhas são grãos de areia num deserto de dores que crepitam no mundo.
Bom para nós, pior para os beltranos e sicranos.
Só que não é bem assim. O que dói em um pode doer menos em outro e aquilo que parece nada pode estraçalhar outro coração.
É claro que existem dores incontestáveis e passíveis de medida, principalmente as dores físicas. E mesmo essa diferem de pessoa para pessoa e da sua sensibilidade ou resistência à dor.
Outras, aquelas que atingem o coração, o espírito, dependem do grau de sensibilidade de cada um e do apoio que recebem, ou não.
Sofremos por nós, sofremos pelas dores da vida real e ainda sofremos nas novelas.
Você aprecia aqueles depoimentos da vida real nas novelas ?
Ou pensa que eles estabelecem um link desagradável com a vida de todos nós, impedindo que nos refugiemos na fantasia da novela como algo distanciado da realidade?

Quando vejo aqueles farrapos humanos, encharcados de álcool e crack esmolando nos viadutos, com todos os membros e sentidos em perfeito funcionamento, penso em quanta gente boa, inteligente e esforçada  encontra-se penando, lutando pela vida nos hospitais, com deficiências e limitações graves.
Como sobreviver à perda de filhos? Eu vivi isso na minha casa e posso afirmar que é quase uma sobrevivência mesmo.
Por que alguns não têm a capacidade de se solidarizar, de se colocar no lugar do outro?
Por que outros não conseguem sentir nada verdadeiramente, nem mesmo com as desgraças que acontecem com ele próprio, ou sua família?
É hoje estou reflexiva e questionadora. Quiçá você contribui com alguma resposta, alguma ideia diferente.
Como um cristal, alegria, tristeza, desencanto, esperança são nuances do mesmo tema que refletem ora um lado, ora outro, dependendo da luz que incide sobre ele.
Refletindo sobre o tamanho da dor de cada um nos tornamos mais humanos e muito menos egoístas.
Não é preciso sofrer por todo mundo, mas entender o sofrimento alheio já é um bom passo.

 



2 comentários:

Jeanne Geyer disse...

a dor não tem medida e acho cruel e desumana a comparação. vc só sabe se estiver literalmente na pele do outro. simples assim. e por conviver com a dor, minha e dos outros, sofri/sofro a tragédia de Sta. Maria como se fosse comigo.
Beijos

Roseli disse...

Malu, querida. Este é um questionamento que sempre está comigo. Por que eu sofro mais do que os outros? Depois de anos me perguntar, cheguei a conclusão de que somente eu conheço minhas dores e a intensidade delas. O que não dói nos outros, dói em mim e ponto! O caso difícil é lidar com tanta sensibilidade pois não nasci para ser indiferente. Daí vêm os comentários indesejosos: se comentas, se queres dividir és a chata que não fala em outra coisa. Se calas, é a tua alma que sofre e tens que te virar com isso. E, olha, está para nascer o psicólogo que d~e jeito nisso porque, como diria Florbela: "cada um é para o que nasce". Aborda mais o tema da dor. Muitos se identificarão. Beijos!