Tenha dó! Vai dizer que não se assusta ao rever fotos
antigas! Que cabelos feios! Que roupas sem graça!
Sinto saudades de muita coisa, da vida que eu levava,
da minha cidade, da minha casa, dos meus amigos, da energia e alegria da
infância e juventude; mas, por outro lado, como eu gostaria de ter sido moça
nos tempos atuais!
Usar saltos altíssimos, roupas decotadas, biquínis
minúsculos, peitões com silicone, corpo malhado, cabelos bem cuidados, com
produtos milagrosos.
Poder beijar o menino que eu quisesse, mesmo no
primeiro encontro, poder “ficar” com todos aqueles paqueras aos quais não
tínhamos o menor acesso. Esquecer os tantos limites do amor e do desejo,
deixando rolar enquanto houvesse vontade. Ah, vai dizer que não seria bom?!
Escolher livremente a profissão, o trabalho, o lugar
onde morar, as viagens que fazer, os cursos, as turmas, as festas, enfim,
crescer! Tudo o que a maioria dos jovens faz em nossos dias e que, para nós
mulheres, nem em filmes podíamos assistir!
Ser mãe sem culpas, ou cobranças, com
responsabilidade, mas sem paranóia, sem exagero, sem martírio.
Vivo cantando em verso e prosa o “meu tempo”, agora
deixa eu dizer também o que hoje é muito melhor e o quanto eu gostaria de ter
vivido isso com meus vinte anos!
Duvido que fosse casar com dezoito e ser mãe aos
dezenove!
Duvido que me
aposentasse como professora!
Das proibições não tenho saudades, nem das roupas
feias, nem dos cabelos maltratados.
É muito mais fácil ser bonita e realizada hoje em
dia!
Um comentário:
Sem nenhum mecanismo de defesa defendo o fato de ser a nossa época a melhor, a época da adolescência que com todas as suas restrições inspirava a aventura com sua própria natureza. A época de iniciação profissional que com sua parca tecnologia criava técnicos e os gênios criadores da atual. A época da sociedade sóbria, da família e do respeito a todos os princípios e preconceitos. A época em que andávamos mais devagar, pensávamos mais rápido e agíamos por metas. A época atual em que aprendemos a conviver, desfrutar as liberdades, atuar com as novidades tecnológicas e fundamentalmente lembrar os tempos anteriores, não saudosismo e sim com a imponência de termos presenciado em cinquenta anos a maior evolução tecnológica dos últimos mil anos, tendo ainda desvendado uma evolução social da qual somos incluídos.
Roberto Gau
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