Desde
a adolescência, li em algum lugar e passei a repetir que "só me arrependia
do que não fizera", numa demonstração de autosuficiência prematura e vazia
de sentido.
É
claro que me arrependo também de muitas coisas que fiz e não deveria ter
feito! Sou humana e vivo errando, como todo mundo.
Ontem,
caminhando pelas ruas ensolaradas do meu bairro, ia, como sempre, matutando.
Saí
de casa aos dezoito anos, para casar. Saí da minha cidade aos vinte e um, por
conta da profissão do meu então marido.
Embora
meus pais sempre me visitassem e eu a eles, perdi muitos anos de carinho,
segurança e troca afetiva e eles perderam muito dos netos que amavam
tanto.
Muitíssimos
anos depois, quando minha mãe ficou idosa e sozinha, eu a trouxe para perto de
mim e ela rejuvenesceu. Hoje nem parece ter noventa e três anos. Mas tem. E
isso me apavora. Vivemos tentando compensar o tempo perdido e ela continua
sendo minha melhor amiga e a pessoa em quem mais confio na face da terra.
Não
tem como não pensar. Se o casamento que me tirou da minha terra e me afastou da
família acabou, terá sido tudo em vão? Tanta saudade, tanto trabalho para criar
os filhos sozinha, longe de todos, terá mesmo valido a pena?
Hoje
sou eu que sofro a ausência dos filhos. Também eles partiram em busca de
realização profissional. Nós sempre fomos "mosqueteiros" (um por
todos e todos por um), não foi nada fácil desmembrar nosso quarteto, não é
fácil até hoje. Felizmente, dois já voltaram, mas o "menor" continua construindo aviões lá longe. Será que, um dia, eles também irão se arrepender do tempo que
perderam na convivência familiar?
A
verdade é que vivemos como se não houvesse amanhã. E há! E o tempo não volta,
não dá segunda chance, nem sequer pára um pouquinho a fim de tomarmos as
decisões mais refletidamente.
A
nossa vida é sempre um resultado das escolhas que fazemos. Sempre poderia ser
diferente, SE tivéssemos escolhido outros caminhos.
Por
isso, o jeito é rezar para enxergarmos com lucidez a estrada à nossa frente e
torcer para que ela nos leve exatamente aonde queremos chegar.
Sem
arrependimentos.
Um comentário:
O que podemos fazer com a nossa cabeça? Só não iremos nos arrepender se pararmos de pensar, se deixarmos de ser humanos! Ótimo texto. Elizabete
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