Mesmo acordada,
consigo deixar meus olhos se fixarem num ponto distante, onde a visão fica
difusa e as lembranças galopam de volta ao tempo do colégio – o melhor da vida!
O passo leve, a
saia curta, os olhos doces, o sorriso adolescente e a cabeça pura, desanuviada,
preocupada apenas em sair bem nas provas e paquerar bastante.
Sou capaz de
sentir o peso dos livros e cadernos, o cheiro da borracha e da tinta nos dedos,
o barulho da pasta jogada na escrivaninha na volta da escola.
Tínhamos uma
avenida e uma praça para atravessar, sempre a pé, sempre em bando, ou
caminhando lentamente ao lado do namoradinho, sem nenhum contato físico, apenas
conversas encabuladas, olhares, promessas.
As aulas
extraclasses, de educação física, canto orfeônico, ensaio da banda, reuniões de
política estudantil tudo era feito na escola, no período contrário ao que
assistíamos às aulas, portanto, era mais uma vez trilhado o mesmo caminho a pé.
Além disso, as pesquisas, os trabalhos, as consultas na Biblioteca, que era
muito eficiente e bem equipada na minha escola, eram realizadas novamente por
lá e, ainda uma vez, nossos pés descreviam o mesmo trajeto casa-escola- casa.
Imagino que a
marca dos meus passos deve estar até hoje infiltrada nas calçadas daquela praça
e daquela avenida, de tantas e tantas vezes que caminhei de lá para cá e de cá
para lá, às vezes apressada, atrasada, correndo; noutras vagarosa, enlevada,
pensativa, sempre cheia de amigos, sempre conversando pelo caminho, todos com o
mesmo objetivo, indo para o mesmo destino – o colégio, o imortal IEOA!
Como teria sido
se nossos pais, como hoje, fossem nos buscar de carro na saída das aulas e
saíssemos, então, diretamente de uma prisão para outra? Penso que nossas boas
lembranças seriam bem reduzidas, porque a melhor parte era o encontro, o ir e
vir, os comentários, enfim, a revoada das avezinhas.
No antigo Quiosque
da praça ficava a sede da UESA (União dos Estudantes Secundários de Alegrete) e
ali, na própria construção havia um detalhe, como se fossem dois bancos enormes
de cimento ladeando a porta principal, que ficavam apinhados de uniformes e
idéias revolucionárias.
Mesmo sem
tantas facilidades da vida moderna, sem celular, computador e toda essa
parafernália eletrônica que tem seu encanto, sou bem feliz por pertencer à
geração “saia azul, blusa branca”, que enfeitava a cidade todos os dias com sua
presença, suas conversas, suas risadas, sua juventude!
PS.: A foto deve ser da Marília Cechella.
4 comentários:
Querida Amiga:
Amo ler tuas crônicas.Esse teu jeito de escrever com sensibilidade,realismo e romantismo me encanta.As vezes,bate uma saudade de nós,daquele nosso tempo,que expressas tão bem.Sucesso sempre!Com carinho.Maria Ivone Serpa.
Querida Amiga:
Amo ler tuas crônicas.Esse teu jeito de escrever com sensibilidade,realismo e romantismo me encanta.As vezes,bate uma saudade de nós,daquele nosso tempo,que expressas tão bem.Sucesso sempre!Com carinho.Maria Ivone Serpa.
Me vi nesta avenida indo para a escola. Obrigada por me fazer voltar por um instante a este tempo maravilhoso . Maudi
dias mágicos, que bom que estão na memória, onde ng vai nos tirar, bjs
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